POR VEJA
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A Polícia Federal intimou empreiteiras que fizeram pagamentos ao doleiro Alberto Youssef e
ao ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. A intimação foi
divulgada nesta terça-feira. O objetivo é dar chance de “colaboração
espontânea” para as empresas responsáveis por abastecer o esquema de
corrupção e lavagem de dinheiro descoberto na operação Lava Jato, que movimentou mais de 10 bilhões de reais.
Sócios e executivos das empreiteiras são investigados em inquéritos em
andamento na Polícia Federal e terão de apresentar documentos e
justificativas para os pagamentos.
De acordo com as investigações, Costa e Youssef organizaram um
esquema de desvio de recursos da estatal para enriquecimento próprio e
para abastecer o bolso de políticos e partidos da base aliada. Isso era
feito com a assinatura de contratos fictícios, simulando a prestação de
serviços entre empresas de fachada e as empreiteiras envolvidas, sempre
com a finalidade de dar aparência legítima ao dinheiro desviado. Como revelou VEJA,
o ex-diretor Paulo Roberto Costa apontou pelo menos três governadores,
um ministro, seis senadores, 25 deputados federais e três partidos
políticos (PT, PMDB e PP) como beneficiados pelas verbas desviadas. Eles
recebiam 3% de comissão sobre o valor de contratos da petrolífera, de
acordo com os depoimentos de Costa prestados no acordo de delação
premiada.
A polícia aperta o cerco contra os corruptores. Como revelou o site
de VEJA, só o grupo Mendes Júnior, por exemplo, transferiu mais de 3,8
milhões de reais, obtidos em obras da Petrobras, para contas de empresas
de fachada do doleiro Youssef. A construtora Mendes Júnior foi uma das
empresas intimadas a “explicitar a natureza dessas transferências e
fornecer a documentação pertinente, inclusive quanto a execução do
objeto do contrato, em sendo o caso”.
Também foram intimadas: OAS Engenharia, Engevix, Unipar, Galvão
Engenharia, Investminas Participações, Tipuana Participações, Phisical,
Projetec Projetos, Coesa Engenharia, Metasa Indústria de Metais,
Construtora OAS, JSM Engenharia, Astromarítima Navegação, Hope Recursos
Humanos, Constran, UTC Participações, Consórcio RNEST, EIT e Arcoenge.
Com a confissão de crimes pelo ex-diretor, fica mais complicada a
tentativa de justificar os pagamentos como remuneração de serviços
legítimos.
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