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Carolina Souza
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Um pré-projeto que visa aproveitar as instalações do desativado Aeroporto Internacional Augusto Severo, em Parnamirim, para a criação de um Centro de Convenções, parece ter sido esquecido pelo Governo do Estado. No momento, as atenções do Executivo Estadual estão voltadas para a ampliação do maior espaço de eventos da capital potiguar: o Centro de Convenções de Natal, na Via Costeira.
Nesta terça-feira (7) a Secretaria de Estado de Infraestrutura (SIN) lançou o edital para concorrência das empresas interessadas na obra de ampliação, serviço que deverá ser custeado pelo Ministério do Turismo. O objetivo é que, com a expansão da área – que deverá passar de aproximadamente 14 mil m² para 22 mil m² de área construída – o Centro de Convenções de Natal seja transformado em um espaço mais atrativo para o turismo de eventos, com capacidade para atender até 7 mil pessoas simultaneamente.
A expansão da estrutura foi comemorada pela Federação do Comércio do RN (Fecomércio), que considerou a iniciativa do Governo “importante e viável”. Porém, na avaliação de Marcelo Queiroz, presidente da entidade, “o RN precisa de outro espaço para a realização de grandes eventos”.
Em junho deste ano, um mês depois do Aeroporto Augusto Severo ser desativado, a Fecomércio sugeriu que a estrutura do terminal passasse a servir como um complexo comercial e cultural. “Fizemos uma consultoria e chegamos à conclusão de que a insfraestrutura já existente poderia servir para mais um Centro de Convenções, vinculado a um Museu Aeroespacial. Seria uma forma de atrair mais eventos para o Estado e fortalecer nossa importância na história do Brasil através do Museu”, conta.
De acordo com Marcelo Queiroz, essa proposta havia sido entregue à governadora do RN, ao prefeito de Parnamirim e à Câmara Municipal de Parnamirim. Na época, todos sinalizaram positivamente para o projeto. “Mas ninguém deu procedimento a nada. O assunto foi esquecido e o debate abafado. Agora, o lugar está sendo subutilizado pelos militares da Força Aérea Brasileira”, lembra.
O aeroporto Augusto Severo pertence a INFRAERO e está localizado numa área militar, pertencente à União. Logo, qualquer negociação terá que ter a participação da empresa proprietária do aeroporto e até da Aeronáutica. O Governo do Estado poderia participar como interessado na proposta apresentada pela Fecomércio.
“Estamos falando de um local altamente estratégico, próximo de quem vem de João Pessoa, Recife e Fortaleza, por exemplo, mas que está sendo subutilizado pelos militares, quando poderia estar funcionando como um novo Centro de Convenções”, comentou o presidente da Fecomércio.
“Acho importantíssimo essa ampliação do Centro de Convenções de Natal. Nossa cidade precisa de uma estrutura com capacidade para eventos maiores. Porém, acho que uma coisa não inviabiliza outra. Poderíamos ter hoje dois grandes centros de evento na Grande Natal”, reforçou Queiroz.
Quando as discussões sobre o uso espaço do Aeroporto Augusto Severo começaram a surgir, Marcelo Queiroz lembra que, logo após a entrada em operação do Aeroporto de São Gonçalo do Amarante, os militares também procuraram o Governo do Estado. “Passou-se o tempo e com a falta de interesse eles tiveram que fazer suas próprias movimentações. Hoje, não acredito que qualquer mudança no local seja mais viável. Natal perdeu. Quem sabe com o próximo governador possamos voltar a discutir sobre isso”, disse.
Para Abav, a malha área do Estado provoca queda da atividade turística
O Rio Grande do Norte não está passando por um bom momento na atividade turística. Há quem diga que a mudança de operação do Aeroporto Augusto Severo para o Aluizio Alves, em São Gonçalo do Amarante, esteja prejudicando a atividade devido à distância do novo terminal de passageiros. Turistas que costumam ir à Pipa, por exemplo, um dos maiores destinos do RN, estariam preferindo desembarcar em João Pessoa.
Apesar da distância de Natal para o aeroporto internacional do Estado ter aumentado e ter ficado mais caro para o turista (principalmente pelos serviços de táxi), esse não seria o principal problema que estaria provocando a baixa no turismo. Na visão de Diassis Rosado, diretora da Harabello Turismo e presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens (ABAV) no RN, a maior dificuldade do segmento é que Natal está com as tarifas aéreas mais caras do Nordeste.
“Com tarifas caras e malha aérea reduzida, comparando aos outros estados, fica claro que o turista não vai querer vir aqui. Uma pessoa de São Paulo, por exemplo, que pretende fazer uma viagem ao Nordeste, vê que cidades como Maceió, Fortaleza e Recife estão com tarifas bem mais baratas e, obviamente, não querem vir para cá”, disse.
“Tudo bem que o aeroporto de São Gonçalo não esteja com os acessos totalmente prontos e que isso também atrapalha, mas o maior problema é quando atinge o bolso do turista. É só aplicar a lei da oferta pela da procura para entender o nosso atual cenário”, acrescentou.
Uma das saídas para recuperar a atividade turística e melhorar a malha aérea, aumentando o número de vôos para o Estado, é a desoneração do ICMS da aviação. “Vários Estados estão negociando com as companhias aéreas e isso aqui ainda não aconteceu. Estamos fechando parcerias para vôos diretos de Natal-Recife-Natal, com a Gol, e Natal-Montevidéu-Natal, com uma operadora do Uruguai. Com certeza isso irá nos ajudar a aumentar o número de vôos, mas é preciso mais. Melhores preços e isenção de impostos é um caminho para isso”, declarou Diassis Rosado.
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