sábado, 21 de maio de 2016

Corte de verba pode paralisar a Justiça Trabalhista no RN

CORTES DE VERBA
Uma preocupação está se abatendo sobre aqueles que atuam na Justiça do Trabalho e que deve se estender para os trabalhadores em geral. A partir do próximo semestre, o Tribunal Regional do Trabalho alega não ter mais condições financeiras de executar suas atividades porque na Lei Orçamentária Anual 2017 do Governo Federal foi aprovado um corte de 30% na verba de custeio e 90% na verba de investimentos em todo o país. Com isso, a justiça trabalhista no RN deixará de receber quase R$ 6 milhões para o trabalho e já anunciou que deverá paralisar suas atividades em meados do segundo semestre caso a situação não seja revertida.
 
A Justiça do Trabalho concilia e julga as ações judiciais entre trabalhadores e empregadores e outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho, bem como as demandas que tenham origem no cumprimento de suas próprias sentenças, inclusive as coletivas. No entanto, segundo a desembargadora Maria Auxiliadora Barros de Medeiros Rodrigues, vice-presidente do TRT 21ª Região, essa atividade está ameaçada.  "Está claro que a Justiça do Trabalho não tem como dar sua prestação jurisdicional efetiva e plena se o corte for mantido e pode representar a paralisação das atividades", alerta.
 
O orçamento anual do TRT no estado ficou em torno de R$ 20 milhões, porém o corte representa R$ 5,9 milhões a menos, ficando em R$ 14 milhões. A maior preocupação está no fato de que a verba de investimento não se refere apenas à estrutura física, mas principalmente à estrutura de tecnologia da informação. Segundo a desembargadora, a estrutura da justiça trabalhista é quase 100% aparelhada por processos judiciais eletrônicos para operacionalização e com 90% de corte nos investimentos não será possível manter essa estrutura.
 
A vice-presidente do Tribunal diz ainda que o processo eletrônico carece de atualização constante e esse investimento é essencial. "Para manutenção da sala cofre, por exemplo, temos custo de mensal de R$ 29 mil, então a Justiça do Trabalho não apenas vai fechar as portas, como também vamos praticamente bloquear a operalização da atualização do nosso processo eletrônico", destaca. A substituição de juízes em férias ou afastados por outras razões também ficaria impossibilitada.
 
A Justiça do Trabalho é um dos segmentos do Poder Judiciário que mais gera receita para a União e, por isso, a redução no orçamento também prejudicaria essa arrecadação e não justifica a medida. Somente em contribuição previdenciária, segundo a desembargadora, foram R$ 22 milhões em 2015, quantidade acima do próprio orçamento. Além disso, R$ 196 bilhões foram distribuídos em ações para os jurisdicionados. Os depósitos judiciais calcionados no ano passado somaram R$ 554 bilhões; os depósitos judiciais de processos passíveis de recurso para análise ultrapassarm R$ 123 milhões. "Então, se administrássemos a verba teriamos suficiência para a execução do nosso orçamento, mas com o corte ficamos pautados com R$ 14 milhões", ressalta Maria Auxiliadora.
 
 O juiz do Trabalho Inácio André de Oliveira relata que a redução da eficiência no atendimento já está acontecendo com a mudança no horário de trabalho, que diminuiu das 18h para as 16h; além disso, estagiários e trabalhadores não efetivos foram dispensados. "Isso acabou impactando na celeridade dos trabalhos e, num segundo momento, ocorrerá a paralisação das atividades porque o orçamento do tribunal acaba efetivamente por volta de agosto ou outubro e, sem lei orçamentaria prevendo autorização para os gastos, é impossível que o tribunal mantenha a administração porque não tem como gastar sem estar previsto", diz.
 

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