Taiguara Rodrigues dos Santos, sobrinho
da primeira mulher do ex-presidente Lula, foi conduzido pela Polícia
Federal para prestar depoimento na sexta-feira numa investigação sobre
tráfico de influência internacional. Ele é suspeito de ter recebido
ilegalmente recursos de obra da Odebrecht, em Angola, financiada pelo
BNDES. Segundo a PF, mesmo sem ter capacidade de prestar serviços, a
empresa de Taiguara, a Exergia Brasil, recebeu R$ 3,5 milhões da gigante
da construção brasileira. Documentos obtidos pelo GLOBO vão além:
mostram que entraram nos cofres da empresa de Taiguara outros US$ 7,5
milhões.
A Exergia foi subcontratada pela
Odebrecht, mas, segundo as investigações, só existiria no papel e não
teria condições de executar os contratos firmados com a empreiteira.
Lula não foi alvo da operação de sexta-feira, batizada de Janus (menção
ao deus romano Janus, de duas faces, que olha ao mesmo tempo para o
passado e o futuro), mas o inquérito que resultou na condução coercitiva
de Taiguara investiga se o ex-presidente fez lobby no exterior para
obras da Odebrecht. Nos últimos cinco anos, a construtora brasileira
obteve US$ 2 bilhões em financiamentos do BNDES para obras no país
africano.
O Globo
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