Reforma na Previdência deve rever diversos pontos e atingir quem já está no mercado
A nova equipe econômica trabalha em uma reforma da
Previdência que, se aprovada, vai alterar substancialmente a maneira
como funciona hoje. Mais de uma dezena de pontos estão em análise. Se as
propostas vingarem, vão mudar a forma de concessão e o prazo para
aposentadorias e pensões, tanto urbanas quanto rurais, na iniciativa
privada e no setor público. E não apenas dos futuros trabalhadores, mas
também para quem já está no mercado.
A idade mínima
para a aposentadoria de trabalhadores da ativa está no pacote, embora o
próprio governo tema que ela não avance nas negociações políticas.
Existe a compreensão de que os trabalhadores da ativa são muito diferentes entre si. Há os que estão perto da aposentadoria e os que entraram no mercado ontem. Assim, a regra de transição seria suave para quem está perto da aposentadoria e mais dura para quem está longe.
Os especialistas acreditam que a adoção da idade mínima
para trabalhadores da ativa seria a melhor opção para deter, o quanto
antes, o crescimento vertiginoso do gasto previdenciário, que está perto
de R$ 700 bilhões. Mas sondagens com parlamentares identificaram que a
medida é polêmica e pode emperrar a reforma inteira, que ainda não é
politicamente palatável. Líderes dos principais partidos não se
comprometeram a dar apoio antes de conhecer, em detalhe, as propostas.
Foco
O novo secretário de Previdência, Marcelo Caetano, um dos maiores pesquisadores do tema, tem intimidade com a discussão. Ele já vinha organizando propostas para uma reforma há mais de um ano e sabe que mexer nas regras de aposentadoria de trabalhadores da ativa é o capítulo mais explosivo. Por isso, vai estudar todas as possibilidades, segundo o jornal "O Estado de S. Paulo" apurou.
O economista
Fábio Giambiagi, que viu muitas reformas naufragarem, está otimista:
“Parece que chegou o momento”, diz. Mas tem duas preocupações. A
primeira é política. “Se algum ponto tiver oposição, melhor tirar”, diz.
A segunda preocupação é técnica: “Entendo que o governo deve ser ágil,
mas montar uma reforma em 15 dias e levá-la à votação em 30, como foi
anunciado é correr o risco de algo dar errado - não precisava essa
sangria desatada.
Congresso ainda resiste à reforma
A
reforma da Previdência, entretanto, não conquistou ainda apoio do
Congresso Nacional. Em conversa com oito dos principais partidos, a
avaliação é de que, apesar de reconhecerem a necessidade da medida,
nenhum dos líderes no Senado e na Câmara se comprometeu a apoiar a
reforma antes de conhecer detalhes da proposta.
Líderes do Senado e da Câmara ainda não se comprometeram a apoiar a reforma
Nem os líderes do PMDB declaram apoio integral.
“Ainda não chegou a proposta, não tem como saber se vamos apoiar”, disse
o líder da bancada no Senado, Eunício Oliveira (CE). Para ele, “a
proposta que vem do governo para o Congresso tem um peso maior, porque
obviamente o governo terá de fazer algumas concessões. É natural que
mandem uma proposta mais dura, para que se tenha no Congresso alguma
parcela de negociação”.
O novo líder do PMDB na Câmara, Baleia Rossi (SP), diz que
cada ponto precisa ser discutido exaustivamente. Apesar disso, ambos
reconhecem a necessidade da medida. “Não tem como a reforma não ser
feita. O País não aguenta, não vamos conseguir pagar essa conta”, diz
Oliveira. “É inevitável. Se continuar do jeito que está, em dez anos
ninguém mais recebe aposentadoria”, afirma Rossi.
Momento
“A reforma é absolutamente necessária, mas não conhecemos a proposta. O tema merece amplo debate. Evidente que, na situação do País, há outras medidas que precisam ser levadas na frente, uma delas é a questão da meta fiscal”, afirma o líder do PSDB na Câmara, Antonio Imbassahy (BA).
Outros líderes ponderam que talvez não seja o momento ideal. “É imprescindível, mas em um momento em que as coisas começam a se estabilizar, começar com isso não é apropriado”, avalia o líder do PP, Aguinaldo Ribeiro (PB).
O PSB demonstra restrições. “Como se trata de um governo provisório, tem de levar em consideração que, para qualquer projeto que traga divisão no Congresso, este não seria o momento mais adequado”, diz o líder no Senado, Antonio Carlos Valadares (SE). Ele sugere que Temer traga a proposta após ser efetivado como presidente.
O PT deve liderar a oposição à reforma, junto com PCdoB e PDT. No Senado, o ex-líder do governo Dilma, Humberto Costa (PE), diz que ela é importante, mas não apoia a forma como querem apresentá-la. “A reforma não pode representar perda de direito para os trabalhadores e entendemos que deveria ser feita daqui a quatro anos.”
por:IG
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