sábado, 7 de maio de 2016

Negociação com Grupo Ritz salva Papi do fechamento

NÃO VAI FECHAR
 
Os gestores do Hospital Papi e os representantes do Grupo Ritz confirmaram ontem a assinatura de NDA (memorando de entendimentos) através do qual iniciam a análise de documentos e informações para possível formalização de operação de compra.
 
Segundo o representante jurídico do Grupo Ritz, André Elali, que presidiu a reunião, a partir de segunda-feira será instalado um grupo de trabalho para validação de informações jurídicas e contábeis. Após isso  será possível a realização de operação de compra e venda de participação societária. 
 
 De acordo com o diretor executivo do Papi, Fernando Madruga, essa negociação representa “a continuidade de uma grande história, a garantia de mais de 700 empregos, a capacidade de superação e resiliência de toda uma instituição, a esperança de um futuro melhor e vida nova, não só para todos que fazem esta casa, mas para a população do Rio Grande do Norte que aqui é assistida”.
 
De acordo com o André Elali, os trabalhos deverão envolver auditoria da PwC (Price), que trabalha com o grupo Ritz e as suas atividades (Ritz-G5, Hotéis e Energia), e ainda três  escritórios que auxiliarão na possível mudança da gestão (André Elali, Octacílio Bocayuva e Carlos Kelsen dos Santos).
 
A situação financeira do PAPI foi exposta em carta circular divulgada pela diretoria. O documento informava que havia grande dificuldade de obter recursos juntos às instituições financeiras do país para conseguir financiar o serviço e que não foi possível obter apoio dos planos de saúde com quem o hospital vinha dialogando. 
 
O cenário se agravou quando  fornecedores e sindicatos de servidores e médicos começaram a ameaçar  suspender os serviços essenciais ao funcionamento do hospital. As atividades dos Prontos Socorro, Ortopédico, de Ginecologia e Obstetrícia, e da UTI Neonatal estavam suspensas desde o dia 1º de maio. 
 
Ainda na carta circular, foi explicado que os pacientes em atendimento na unidade continuariam sendo atendidos, mas as portas estariam fechadas para novos clientes. A medida não é sinônimo de que o hospital estaria fechado. Mas também era sinalizado que se não houvesse uma recuperação financeira, o pior poderia ocorerr. "A Direção do Papi irá buscar de forma incansável, solução financeira junto aos planos de saúde, investidores, compradores e/ou até mesmo junto ao poder público como forma de evitar o fechamento de suas portas", dizia  o comunicado. 
 
Agora, com a possibilidade de compra por parte do grupo Ritz, além dos empregos que devem ser mantidos, a capital do Estado pode continuar contando com uma unidade de saúde que é referência na cidade. 
 
Atendimentos
 
Ontem pela manhã, no que seria o primeiro dia de portas fechadas do Papi, a recepção da unidade teve um fluxo muito baixo. Diferentemente da realidade que normalmente era encontrada pelos corredores do hospital, na manhã de ontem os funcionários mal tinham a quem atender.
 
A assessoria de comunicação informou ainda que, ontem, estavam suspensos os atendimentos a pacientes da obstetrícia, ginecologia e ortopedia. Os demais serviços permaneciam funcionando normalmente no decorrer da sexta-feira e que só após as reuniões que estavam ocorrendo com os investidores é que seria definido o destino dos outros atendimentos.
 
A possibilidade de fechamento preocupava a comunidade médica, pois o Papi, há quase 50 anos, é referência no tratamento infantil. A unidade dispõe da maioria dos leitos de UTI pediátrica do estado e a interrupção desse serviço poderia agravar ainda mais a situação da pediatria no Rio Grande do Norte, por conta da falta e leitos para as crianças. A demanda deveria ser escoada para os demais hospitais privados da capital ou para as unidades públicas.
 
História
 
O Papi foi fundado em 1969, com atendimento em consultório, numa casa situada em uma das principais avenidas da cidade naquela época. Em 1971 a unidade foi transferida para Avenida Afonso Pena, atendendo em consultório e iniciando Pronto Socorro e internamento pediátrico, com apenas 06 (seis) leitos. Onze anos depois foi concluída a construção do hospital após a aquisição em um terreno vizinho. Até 1986 foi mantido um Plano de Saúde, dirigido a crianças, denominado Plano de Assistência Permanente a Infância.Ao longo dos anos, o atendimento foi ampliado e passou a ter capacidade para atender a todos os tipos de procedimentos., com exceção de cirurgias cardíacas.
 

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