quinta-feira, 5 de maio de 2016

Prefeito tem 13 dias para se manifestar sobre impeachment

IMPEACHMENT

O prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves (PDT), terá até a quinta-feira (18) para enviar ao Ministério Público Estadual sua defesa sobre o pedido de abertura de ação civil pública por crime de responsabilidade, protocolado pelo Psol, através do vereador Sandro Pimentel. Com base nos argumentos e provas da denúncia e da manifestação do prefeito, o procurador geral de Justiça, Rinaldo Reis, vai decidir se pedirá autorização do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN) para abrir um procedimento investigatório criminal ou se vai arquivar o processo.
 
O prazo oficial para o chefe do Executivo apresentar as informações ao órgão é de dez dias úteis. O pedido de investigação feito pelo vereador Sandro Pimentel foi protocolado no dia 19 de abril e chegou à Coordenadoria Jurídica Judicial do MP na última quinta-feira (28), quando foi pedida a manifestação da do prefeito. Até esta quarta-feira (4), entretanto, a Prefeitura de Natal ainda não havia sido notificada, portanto o prazo ainda não estava em vigência. Procurado pela reportagem, o Ministério Público informou que isso ocorreria ainda ontem. Carlos Eduardo voltou à tarde de Brasília, onde participou de reuniões administrativas em vários ministérios, em busca de liberação de recursos federais para projetos do município. 
 
A denúncia dá conta de que o prefeito não enviou a prestação de contas de 2015 à câmara municipal no prazo previsto pela lei orgânica do município (30 de março). O pedido de abertura da ação civil pública pede afastamento, cassação e detenção do prefeito Carlos Eduardo Alves por isso. 
 
“Vamos responder com a maior tranquilidade, até porque a gente tem consciência que tudo isso não se constituiu crime de responsabilidade. Vamos responder dentro do prazo estabelecido”, afirmou o procurador geral do Município, Carlos Castim, ao NOVO. De acordo com ele, já existe jurisprudência dos tribunais superiores prevendo que o simples atraso não é motivo para afastamento de um gestor. Essa informação foi corroborada pelo presidente da seccional potiguar da OAB, Paulo Coutinho.
 
A prefeitura confirmou que enviou a prestação de contas aos vereadores apenas no dia 18, mas, ainda assim, garantiu que estava dentro dos prazos estabelecidos pela lei federal. Por ela, o Executivo deve enviar as contas ao Tribunal de Contas do Estado até o dia 30 de abril. Depois de analisadas pelos técnicos e conselheiros do tribunal, afirma a prefeitura, é que a Câmara julga as contas. 
 
Ainda assim, o Executivo protocolou um pedido de extensão do prazo estabelecido pela lei orgânica do município na Câmara Municipal, para igualar os prazos da lei federal e a municipal. "Esta solicitação se justifica devido à mudança do sistema de informações da Prefeitura no decorrer do exercício de 2015, o que tornou necessária a migração da base de dados, acarretando algumas inconsistências, sendo necessários ajustes para garantir a confiabilidade dos dados", afirmava o pedido. 
 
Na ocasião do pedido de investigação, o vereador Raniere Barbosa, líder do governo na Câmara, afirmou que entregari um projeto para igualar os prazos municipal e federal. “Esse projeto já se encontra na Comissão de Constituição e Justiça”, disse ontem. 
 
Impeachment
 
Todo esse processo também rendeu um pedido de impeachment contra o prefeito Carlos Eduardo na Câmara Municipal. Ele foi analisado na última terça-feira (3) pelos vereadores e precisava apenas de uma maioria simples (50% dos votos mais um) para que fosse aberta uma comissão especial para apurar o fato. A oposição não conseguiu a quantidade de votos suficientes. A reportagem tentou entrar em contato com o vereador Sandro Pimentel, mas ele não atendeu ou retornou as ligações. 
 
“Sem diálogo”
 
Na ocasião da denúncia, questionado se o partido procurou o prefeito antes de tomar a iniciativa de procurar a via jurídica, Sandro Pimentel afirmou  que isso não é preciso. “A prefeitura já conhece esses prazos e eles não cumpriram. Não tem diálogo, não entregou no prazo, é crime. Quando você não entrega o imposto de renda a Receita Federal não vem perguntar porque você não apresentou. Você cai na malha fina”, compara. “O prefeito cometeu um crime de responsabilidade”, acrescenta. 
 
PSDB
 
No início de abril, Carlos Eduardo foi acusado pelo PSDB por uso do Palácio Felipe Camarão, sede do Executivo, para realização de atividade partidária, onde teria filiado o prefeito de Tangará, Alcimar Germano, ao PDT, mesmo partido do prefeito.  A prefeitura nega o caráter político da reunião e afirma que o encontro foi administrativo e de cortesia. O processo segue aberto no Ministério Público. 
 
Esse processo foi recebido dia 15 de abril pela Secretaria do Patrimônio Público, onde passará por análise antes de ser distribuído para um dos promotores do Patrimônio Público. Até ontem ele se encontrava lá. 
 

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