Morto em uma 'operação de inteligência' do Batalhão de Operações Especiais (Bope) na madrugada de ontem, o sargento da corporação, André Luiz Vaz Nonato, de 40 anos, era casado e deixou uma filha de cinco anos. Morador de Xerém, na Baixada Fluminense, o militar cursava faculdade de engenharia civil e vislumbrava um futuro fora da PM.
— A família está completamente destruída e a esposa, inconsolável. Ele era um homem incrível, humilde e trabalhador, que todos em sua volta gostavam. Ele já estudava há três anos e batalhava para se formar no curso de engenharia civil, que ele amava. Estamos sem palavras para descrever o que todos estão sentindo neste momento — disse André Souza, cunhado da vítima.
A esposa do sargento, Andressa de Souza Nonato, mesmo abalada, agradeceu ao apoio do Bope. — Estou grata à família Bope, que não só cuidaram do André (esposo) por todo o tempo em que ele trabalhou, mas também por terem cuidado de mim e me protegido desde a hora em que tudo aconteceu — diz.
Ainda segundo o cunhado do sargento do Bope, a mãe sempre pediu para que o filho não seguisse carreira na Polícia Militar, por medo da constante violência contra policias na cidade. — A mãe dele nunca quis que ele entrasse para a polícia. Ela sempre teve medo de que algo acontecesse a ele e, no final, ela tinha razão. Ela está inconsolável — conta.
Segundo André Souza, a Polícia Civil ainda não entrou em contato com a família para dar informações sobre o caso e também sobre as investigações. Conforme o cunhado revelou ao EXTRA, o sargento tinha orgulho da corporação, mas evitava dizer e se identificar como policial. — Ele sempre foi muito humilde e não gostava de demonstrar nenhum poder poque era do Bope. Geralmente, ele escondia de todos que era policial — revela.
O sargento do Bope foi morto dentro de uma Kombi que foi alvo de 15 disparos de traficantes no Morro da Providência, no Centro, e fez parte de uma “operação de inteligência” do Batalhão de Operações Especiais, segundo informou o comando da corporação e alegaram PMs que participaram da ação na Divisão de Homicídios (DH).
Segundo a PM, a ação tinha como objetivo “alimentar com informações precisas as equipes que futuramente atuarão em determinada área com o escopo de diminuir os possíveis efeitos colaterais”. O veículo, que pertence à Empresa Brasileira de Engenharia e Comércio, tem insulfim em todos os vidros e foi periciado na tarde de ontem. Foram encontradas 18 perfurações de calibres diferentes: 15 de tiros dados de fora para dentro — 14 no vidro dianteiro e um na lateral direita — e três de dentro para fora, todas do lado esquerdo. Os policiais não estavam fardados na hora do tiroteio.
por:Extra.Globo.com
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