Por interino
O presidente interino, Michel Temer
(PMDB-SP), pediu à sua equipe que inclua no seu primeiro pacote
econômico medidas para destravar o investimento e buscar uma recuperação
do crescimento nos próximos meses.
Segundo a Folha apurou, Temer disse a
seus ministros Henrique Meirelles (Fazenda) e Romero Jucá (Planejamento)
que deseja anunciar também “medidas positivas e propositivas” para o
país, além das que visam controlar os gastos públicos.
O pedido foi feito no sábado (21)
durante reunião em São Paulo. Meirelles e Jucá acionaram assessores para
acelerar os estudos nessa área e tentar pôr no pacote que será
anunciado nesta terça (24) ações legais para impulsionar o investimento
produtivo.
A princípio, as primeiras medidas
econômicas do governo Temer seriam focadas no controle de gastos
federais, como a criação de um limite para o aumento das despesas
públicas e a redução de determinados dispêndios da União.
Segundo um assessor, o governo federal
vai entrar numa nova etapa, em que será essencial travar a expansão dos
gastos públicos, que saíram de controle nos últimos anos do governo
Dilma Rousseff.
Esse descontrole levou a equipe de Temer
a mudar a meta fiscal e prever que a União possa fechar este ano com um
deficit primário de R$ 170,5 bilhões. A previsão do governo Dilma era
um rombo de R$ 96,7 bilhões.
RENAN
Nesta segunda (23), Temer irá entregar
pessoalmente a proposta de nova meta ao presidente do Congresso, Renan
Calheiros (PMDB-AL), para fazer um apelo para sua aprovação ainda nesta
semana.
Tecnicamente, caso isso não ocorra, o
governo teria de baixar no final desta semana um decreto para cumprir a
meta ainda em vigor, que prevê um superavit de R$ 24 bilhões, o que
levaria a um bloqueio de gastos da ordem de R$ 138 bilhões -montante
considerado inviável.
No encontro com Renan, Temer vai
sinalizar que, no dia seguinte, lançará o pacote econômico visando
reduzir o rombo de R$ 170,5 bilhões em 2016 e também nos próximos anos,
além de notícias positivas para evitar que só propostas negativas sejam
lançadas nesta largada.
A equipe também analisa medidas de
aumento de tributos e venda de ativos. Essas ações, porém, não serão
anunciadas no curto prazo. O governo quer, primeiro, convencer sua base
aliada da necessidade de elevar tributos antes de anunciá-la.
Já a venda de ativos demanda mais tempo para ser preparada e lançada.
Folha Press
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