sábado, 29 de abril de 2017

Crítico da reforma, Jaime Calado afirma que “nem a ditadura mexeu tanto com a CLT.” Ex-prefeito de São Gonçalo defende manifestações desta sexta-feira 28 e argumenta que políticos não podem ignorar insatisfação popular

POSICIONAMENTO
jaime calado zenaide
Ex-prefeito de São Gonçalo do Amarante, Jaime Calado

O ex-prefeito de São Gonçalo do Amarante Jaime Calado defende que a população insatisfeita com as propostas de reformas na Previdência e na legislação trabalhista participe das manifestações programadas para esta sexta-feira 28 em todo o país. No Rio Grande do Norte, a concentração para o ato será no cruzamento das avenidas Bernardo Vieira e Salgado Filho, na capital.
Ao apoiar a realização dos protestos, Jaime rebate os argumentos dos defensores das reformas. Segundo ele, por exemplo, “não é verdade que a reforma trabalhista vá gerar emprego”. Em relação a isso, o ex-prefeito do terceiro maior município da Grande Natal registra que países que adotaram medidas de austeridade como as propostas pelo governo brasileiro não resolveram os problemas de desemprego e nas finanças. “A Argentina adotou esse sistema e, em menos de 1 ano, desempregou mais de 1 milhão de pessoas”, exemplifica.
“O que o governo está propondo não é uma reforma trabalhista. Trata-se da maior retirada de direitos do trabalhador que se tem conhecimento. Nem a ditadura militar [1964-1985] mexeu com tantos artigos da CLT como agora”, frisa Jaime. A proposta de reforma trabalhista, aprovada nesta quarta-feira 26 na Câmara dos Deputados, prevê alterações em mais de cem pontos da Consolidação das Leis do Trabalho.
A preocupação de Jaime é que, com a “precarização do trabalho”, deflagrada com a reforma trabalhista, a taxa de desemprego aumente. Segundo ele, com a flexibilização de rotinas de trabalho, empregadores “não vão botar mais um trabalhador ‘sem necessidade’”.
Sobre a reforma nas regras de aposentadoria, Jaime observa que a proposta do Governo Federal representa a “destruição da seguridade social”. “A reforma na Previdência todo mundo reconhece que é necessária, mas não do modo que o governo enviou”, assinala.
Questionado se ele acredita que as manifestações de amanhã irão acarretar impactos no processo de apreciação das reformas no Congresso Nacional, o ex-prefeito afirma que “só Deus sabe”. “Mas os políticos não podem ignorar a revolta já apontada em todas as pesquisas”, manifesta.
De acordo ainda com Jaime, a projeção é que os protestos contra o governo e as reformas aumentem. “Quanto maior o grau de informação, maior o grau de insatisfação. Apesar de a grande mídia estar silenciando e sendo conivente com a série de absurdos que estão se praticando, as pessoas têm internet e estão se informando”, completa.

(Tiago Rebolo/AgoraRN)

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