O patriarca do
Grupo Odebrecht, Emílio Alves Odebrecht, afirmou ao juiz federal Sérgio
Moro, nesta segunda-feira, 5, que nas reuniões mantinha com o
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva “houve pedido” de
“contribuições” para as campanhas eleitorais do PT. Um dos 77 delatores
da empresa, ele relatou encontros com o petista para pedir ajuda em
negócios de seu interesse, como solicitação de interferência no
Ministério da Fazenda.
“Houve, como todos
os presidentes, daqui do Brasil como do exterior, sempre pediram ajuda.
Outra coisa é, a maioria entrar no detalhe. Existia uma relação
cerimoniosa, apesar da relação de confiança, apesar de uma relação até
de amizade, por longa data que nos conhecíamos, não existia efetivamente
algo onde a gente conversasse sobre valores”, afirmou Emílio Odebrecht.

O empresário foi
ouvido como testemunha de acusação do Ministério Público Federal, no
processo em que Lula é acusado de receber R$ 12 milhões em propinas da
Odebrecht. O dinheiro seria oculto na compra de um terreno para sede do
Instituto Lula, em São Paulo, e de um apartamento no edifício onde mora o
petista, em São Bernardo do Campo.
“Tanto assim, que
ele indicava quem seria a pessoa dele e eu indicava quem seria a minha
pessoa, para ver como nós ajudávamos. E eu orientava o meu responsável,
que em uma época foi Pedro Novis e em outra Marcelo (Odebrecht), que
eles encontrassem uma forma de atender e procurasse compatibilizar
alguns fatores.”
O patriarca do
grupo confirmou conteúdo de sua delação, em que afirmou que todo contato
da Odebrecht com Lula era feito por ele. Disse que foram feitas várias
reuniões com o ex-presidente, inclusive as que foram solicita a ajuda do
petista com a aprovação do Refis da Crise e o aumento da linha de
crédito para exportação para Angola. Os dois negócios foram origem da
conta corrente do PT da “planilha Italiano”, que era administrada pelo
ex-ministro Antonio Palocci.
“Várias reuniões. De modo geral, era sozinho. Na época que ele era presidente, era sozinho.”
Emílio falou que
buscava Lula com pedidos feitos pelos empresários do grupo. Confirmou
ter levado ao ex-presidente a atuação dele na liberação de linha de
crédito para Angola e na ajuda de uma medida provisória, no Refis da
Crise.
“Levei porque era
interesse do setor e estava amarrado lá no Ministério da Fazenda”, disse
Odebrecht. “Pedi a ele que procurasse me ajudar a verificar o por quê o
assunto estava preso lá na Fazenda, só.”
O empresário
afirmou que na época, o ministro seria Guido Mantega – também apontado
nas delações da Odebrecht como interlocutor das arrecadações do PT.
Orientação. Emílio
disse que dava duas orientações. “A primeira delas, é que as
contribuições ao PT fosse atendidas”, afirmou delator, ao ser
questionado pela procuradora da República Isabel Groba, da força-tarefa
da Lava Jato, se o petista tinha pedido “ajuda financeira” nos
encontros. O empresário solicitava “ajuda” em interesse da empresa no
governo.
“Por exemplo,
evitar-se de estar fazendo discrepância entre partidos, para evitar
ciúmes e problemas. Segundo, que eles procurassem efetivamente negociar,
que não precisava nem dizer, que por instinto empresarial iam buscar
negociar ao máximo, minimizando esses valores. E que procurasse fazer
realmente no tempo mais esticado possível, não fizesse nada de vez.
Essas foram as orientações.”
A ação penal é
referente a supostas propinas pagas pela Odebrecht, no esquema que seria
liderado pelo ex-presidente. Os valores teriam chegado a R$ 75
milhões em oito contratos com a Petrobrás e incluíram terreno de R$ 12,5
milhões para o Instituto Lula e cobertura vizinha à residência de Lula
em São Bernardo de R$ 504 mil.
‘Italiano’. “O
escalado por Lula, confirmou Emílio, era o ex-ministro Antonio Palocci.
Era ele credenciado”, confirmou o delator, afirmação feita em seu acordo
com a Lava Jato.
“Era credenciado por Lula para que fim?”, perguntou a procuradora.
“Para discutir com Marcelo ou Pedro Novis sobre o assunto de ajuda ao partido
A investigadora insistiu: “Para tratar de dinheiro?”.
“Sim, de recursos financeiros.”
A “planilha
Italiano” chegou a registrar R$ 128 milhões em créditos, em 2013, e faz
distinção de crédito de R$ 35 milhões para “Amigo”, que seria referência
a Lula. No documento, há também R$ 12 milhões associados ao “Prédio
IL”, que seria da compra do terreno para o Instituto Lula – alvo do
processo.
Lula é réu nesse
processo acusado por crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro
em contratos firmados entre a Petrobrás e a Odebrecht. São acusados
nesta ação o empresário Marcelo Odebrecht, por corrupção ativa e lavagem
de dinheiro; o ex-ministro dos governos Lula e Dilma, Antonio Palocci, e
Branislav Kontic, seu ex-assessor, ambos denunciados por corrupção
passiva e lavagem de dinheiro; e, ainda, Paulo Melo, Demerval Gusmão,
Glaucos da Costamarques e Roberto Teixeira, por suposta lavagem de
dinheiro.
(Fonte: www.noticiasbrasilonline.com.br)
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