
Presidente Michel Temer fala no Palácio do Planalto em Brasília - 20/05/2017 (Ueslei Marcelino/Reuters)
No dia 18 de maio, menos de 24 horas
após o Brasil conhecer os estragos provocados pela delação de Joesley
Batista, Michel Temer escolheu um tom incisivo e um semblante raivoso
para avisar ao país que não renunciaria.
“Não renunciarei. Repito: não renunciarei”, disse na ocasião.
A convicção que tentou demonstrar às câmeras contrastava com a hesitação que o sacudia momentos antes do pronunciamento.
Reunido com seu núcleo duro, ele ouviu a
sugestão de um auxiliar para entregar a cadeira e convocar eleições
gerais para novembro.
O presidente não só gostou da ideia,
como mandou que fosse escrito um discurso com esse conteúdo. O texto foi
preparado e entregue. Moreira Franco, porém, não se conformava e
tentava convencê-lo a não renunciar.
Dizia: “A gente vai caminhando, se acochambrado e vamos superar”.
Como se sabe, a tese de Moreira venceu. O
que ninguém sabe é que pouco antes de subir no púlpito do Palácio do
Planalto, Temer tinha dois textos nas mãos. A dúvida sobre um ou outro
foi até o final.
(
Gabriel Mascarenhas/Radar On-line)
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