Os municípios de Natal, Mossoró e Parnamirim concentram 80% dos casos confirmados do covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, que fez 11 mortes no RN
Cerca de 40,6% das pessoas que já tiveram diagnóstico positivo para
Coronavírus no Rio Grande do Norte já se encontram curadas ou liberadas
do isolamento domiciliar. Ao longo da semana, a TRIBUNA DO NORTE
levantou os dados junto às secretarias municipais de saúde de Natal,
Mossoró e Parnamirim, que concentram 80% dos casos no Estado. O
acompanhamento dos pacientes que não estão internados fica à cargo das
secretarias municipais, e não há centralização deste dado à nível
estadual.
De acordo com a Secretaria Municipal
de Saúde de Natal, até a última quarta-feira (8), o município tinha
registro de 115 casos de coronavírus confirmados. Dessas pessoas, 15
encontram-se internadas, 21 em quarentena domiciliar e outras 94 já
foram liberadas do isolamento e não apresentam mais sintomas. Já em
Parnamirim, foram 33 casos confirmados, e 12 pessoas já não apresentam
sintomas da doença, totalizando 106 pessoas curadas no RN.
De acordo com o Boletim Epidemiológico divulgado pela Secretaria do
Estado de Saúde Pública (Sesap), até a quinta-feira (9), o Estado tinha
261 casos confirmados, o que significa que ao menos 40,61% dos casos
confirmados no Estado já não apresentam mais sintomas.
“De
acordo com o protocolo do Ministério da Saúde, um paciente sintomático
deve permanecer em quarentena por 14 dias, após esse período, o
isolamento pode ser interrompido se não apresentar mais nenhum sintoma.
Se o paciente permanecer sintomático, deve manter o isolamento até 48h
após os sintomas desaparecerem”, diz Juliana Araújo, diretora do
Departamento de Vigilância da SMS-NATAL.
O
município de Mossoró, por sua vez, que tinha 63 casos confirmados até a
quinta-feira, além de ter o maior número de óbitos pela doença
registrados no Rio Grande do Norte (5, até a quinta-feira), ainda não
possui os dados relativos às pessoas curadas. A doença causada pelo novo
coronavírus fez 11 mortes no RN.
De acordo com
técnica de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de
Mossoró, Kalidyja Oliveira, com o aumento cada vez maior no número de
confirmações de casos no município, os agentes públicos estão tendo cada
vez mais dificuldade em fazer o acompanhamento dos pacientes que não se
encontram internados nos hospitais.
“No
começo da epidemia, a gente até conseguia manter contato. Notificava,
ligava, acompanhava. Mas, à medida em que esses números foram aumentando
e o número de casos de internação foram crescendo, isso se tornou cada
vez mais difícil”, relata a técnica.
De acordo
com ela, o acompanhamento mais intenso está focado nos pacientes que
encontram-se internados em estado grave no município. Os pacientes que
se encontram em isolamento domiciliar, mesmo que tenham os resultados
confirmados, são atendidos principalmente pelo telefone, muitas vezes a
partir da procura dos próprios pacientes, caso tenham dúvidas sobre os
sintomas após receberem o diagnóstico.
“Estamos
tendo também muita dificuldade com o sistema que foi disponibilizado
pelo Ministério da Saúde. O município não tem acesso para consolidação
de dados, porque quem coloca é o próprio Estado. A planilha não vem
todos os dias, então acaba gerando uma defasagem nos dados”, relata a
técnica.
Apesar de estar cerca de 280 km
distante da capital potiguar, Mossoró apresenta o segundo maior número
absoluto de casos confirmados no RN (43, até a quinta-feira).
Proporcionalmente, no entanto, comparando o número de casos totais
notificados (185) e o número total de confirmados (63) e descargados
(43), a cidade já supera a capital. A cada 12,9 notificações para
coronavírus, Natal teve uma confirmação. Já em Mossoró, a cada 2,9
notificações, confirmou-se um novo caso da doença.
Recém curados devem ter cuidados redobrados
Por
ser um vírus novo e muitos de seus aspectos, inclusive o tratamento
específico, ainda serem desconhecidos pela ciência, infectologistas
alertam para a importância de redobrar os cuidados com os pacientes que
se recuperaram da doença. Ainda não há estudos conclusivos que apontem,
por exemplo, se é possível que uma pessoa que já foi infectada contraia o
vírus uma segunda vez, o que deixa em alerta profissionais da área.
"Tudo
que está acontecendo é aprendizado para quem está estudando o
comportamento desse vírus no organismo, e ainda não há respostas
definitivas ou cientificamente comprovadas", disse o infectologista Luís
Alberto Marinho à TRIBUNA DO NORTE. De acordo com o infectologista, o
que há de concreto atualmente sobre o Coronavírus é que a doença é
altamente contagiosa e que "não se trata de uma simples gripe", destaca
Marinho.
De acordo com o médico, a expectativa
da comunidade científica é de que, uma vez recuperado, o indivíduo se
torne resistente, como acontece com outros vírus respiratórios.
Entretanto, ainda não há comprovações que sustentem a teoria e, mesmo
que fosse comprovada, seria necessário um estudo para determinar o tempo
pelo qual esse indivíduo continuaria imune.
Além
dos cuidados redobrados para evitar se expor ao vírus uma segunda vez, o
infectologista afirma que as pessoas que estão em processo de
recuperação recente da doença devem optar pelo isolamento não apenas por
causa do covid-19, mas para não se expor a outras doenças que podem se
aproveitar do sistema imune fragilizado, tendo em vista que o vírus
afeta diversos órgãos.
(Por:TN)
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