
Milicianos atuam na Muzema explorando desde a construção de prédios à segurança do comércio - Agência O Dia
Rio - O auxílio emergencial do governo a
trabalhadores informais, autônomos,desempregados e microempreendedores
individuais (MEIs) entrou no radar de milicianos da Zona Oeste do Rio. É
o que indica um Disque Denúncia feito na semana passada por um morador
da Muzema, que relatou ter sido obrigado a pedir a ajuda de R$ 600 no
celular de um homem indicado por um dos milicianos da região.
Para ter o direito ao dinheiro, que pode chegar a até
R$ 1.200 para mães chefes de família, quem não está inscrito no
Cadastro Único do governo deve instalar um aplicativo no celular e
informar seus dados. Após isso, somente por esse contato será possível
acompanhar a liberação do auxílio, pois um código de seis dígitos é
enviado ao celular, a cada 24 horas, para dar acesso ao resultado do
pedido.
Um morador da Muzema afirmou que milicianos
ofereceram ajuda para a instalação do aplicativo. Achando que
encontraria uma orientação, ele procurou o homem indicado e foi obrigado
a fornecer seu CPF e dados para o cadastro em um celular ao qual ele
não possui acesso. Após isso, disse que seria informado sobre o
resultado.
“O denunciante relatou que não sabe se o auxílio foi liberado.Acredita ainda que será cobrado quando receber o dinheiro”, diz trecho da denúncia, que foi difundida para os órgãos de segurança, ao qual a reportagem teve acesso. O mesmo tipo de extorsão também teria ocorrido em Rio das Pedras. Os inquéritos sobre a milícia da região seguem sob sigilo.
Milicianos usam pandemia para pedir liberdade
Usando a justificativa do decreto da pandemia pelo
coronavírus, dois chefes da milícia da Muzema pediram a transferência de
presídios federais para a prisão domiciliar. Jorge Alberto Moreth, o
Beto Bomba, e Marcus Vinícius Reis dos Santos, o Fininho, alegaram risco
de vida no sistema carcerário. Os pedidos foram negados pelo juiz
Gustavo Gomes Kalil, da 4ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, no início do
mês. “Não há informação de que ele esteja em cela superlotada. (...)
Nada indica de forma concreta que esteja em perigo iminente”, escreveu
em trecho da decisão, do réu Beto Bomba.
Polícia apura se ex-PM ligado a Orlando Curicica atua em Itaboraí
A polícia investiga se o ex-PM Alexandre Louback Geminiani quer reorganizar a milícia de Itaboraí, na Região Metropolitana do Rio. Denúncias afirmam que tanto na Zona Oeste quanto no município de Itaboraí milicianos ordenaram que o comércio ficasse aberto, durante a pandemia, para, assim,terem como extorquir comerciantes, que pagam taxa pela suposta segurança.
A polícia investiga se o ex-PM Alexandre Louback Geminiani quer reorganizar a milícia de Itaboraí, na Região Metropolitana do Rio. Denúncias afirmam que tanto na Zona Oeste quanto no município de Itaboraí milicianos ordenaram que o comércio ficasse aberto, durante a pandemia, para, assim,terem como extorquir comerciantes, que pagam taxa pela suposta segurança.
O Ministério Público já denunciou Geminiani, que é
foragido, por ter feito uma espécie de filial da milícia de Curicica, da
Zona Oeste, em Itaboraí — recebendo ordens de Orlando Araújo, o Orlando
Curicica, que se encontra preso. Louback está foragido desde julho de
2019, ocasião em que 40 pessoas acusadas de participar da milícia foram
presas. Ele é acusado de passar informações de operações policiais aos
criminosos e tinha como informante um delegado.
(Por
Bruna Fantti/O Dia)
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