terça-feira, 6 de outubro de 2020

‘Delivery de propina’ em SC tinha dinheiro escondido em caixas de uísque. Delatora revelou ao MPF 'mesada' ao presidente da Assembleia, Júlio Garcia, ao ex-governador Raimundo Colombo e o ex-vice Pinho Moreira

 POLÍTICA  NACIONAL

 Alesc/Divulgação

Na delação premiada que fechou com o MPF, Michelle Guerra, ex-sócia do escritório do operador do esquema de corrupção no governo de Santa Catarina, revela em detalhes como se dava a distribuição da propina entre os envolvidos no esquema de fraudes em contratos públicos.

Segundo Michelle, o escritório de fachada do ex-secretário adjunto de Administração do governo catarinense Nelson Castello Branco Nappi Júnior servia para esquentar o dinheiro sujo do esquema.

As empresas beneficiárias das fraudes em contratos públicos “contratavam” o escritório e repassavam a propina na forma de honorários. Segundo Michelle, ela sacava os valores no banco “na conta bancária do escritório, relativos aos pagamentos recebidos de empresas para as quais o escritório não prestou efetivamente qualquer serviço”.

“Os valores eram entregues imediatamente para Nelson Nappi Júnior, tanto no próprio carro de Nelson, quando este a acompanhava até o banco, quanto no escritório, quando ela ia sozinha até o banco”, diz Michelle.

A delatora afirma nos depoimentos que o operador mencionou algumas vezes que o dinheiro sacado era destinado ao presidente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, o deputado Júlio Garcia (PSD). A delatora também citou repasses feitos a emissários ex-vice-governador Eduardo Pinho Moreira. Um assessor direto do então governador Raimundo Colombo também é citado.

 

(Por Robson Bonin/Radar) 

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