GOVERNO

Ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno - Marcos Corrêa/PR
O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto
Heleno, defendeu neste sábado (3) que o governo deve "flexionar
instrumentos legais" por causa do excesso de gastos neste ano com a
pandemia da covid-19. Heleno disse que as despesas somam cerca de R$ 1
trilhão, em vídeo veiculado no canal no Youtube do deputado Eduardo
Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro.
"O
governo colocou durante a pandemia em socorro a Estados e municípios, e
investindo em providências para fazer face à covid, cerca de 1 trilhão
de reais. Claro que esta conta vai chegar. E claro que vamos ter de ter
criatividade, vamos ter de flexionar alguns instrumentos legais para
fazer face a isso. Não vai cair do céu", afirmou Heleno, na conversa
gravada.
General da reserva do Exército e amigo de longa data do
presidente, Heleno não mencionou que leis sugere mudar. A reportagem não
conseguiu contato com o ministro neste sábado.
A posição dele
vem a público no momento em que alas do governo divergem abertamente
sobre como reverter o aumento do desemprego, a queda na renda e o
cenário de recessão econômica.
A discussão sobre mudar a emenda
constitucional do teto de gastos opõe o ministro Paulo Guedes, da
Economia, e integrantes das alas militar e política do governo. Guedes
já disse que furar o teto aproxima o presidente da "zona sombria" do
impeachment.
Bolsonaro, porém, admite que o governo avalia
alterar a Constituição para flexibilizar a proibição do aumento de
despesas acima da inflação no ano anterior. Aprovado no governo Michel
Temer, o teto de gastos vale por 20 anos.
Nesta semana, Guedes
bateu boca com o ministro Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional), da
ala que toca obras, ao lado do ministro Tarcísio de Freitas
(Infraestrutura). O titular da Economia afirmou que seu ex-auxiliar para
a Previdência é "despreparado", "desleal" e "fura-teto". Também disse
ser "irresponsável" furar o teto para "ganhar eleição".
O clima
de tensão entre os dois aumentou após o Estadão/Broadcast noticiar o
teor de uma conversa fechada de Marinho com investidores sobre o
programa Renda Cidadã. Segundo relatos, o ministro disse que o novo
programa social sairá por bem ou por mal e confirmou a pressão política
pela flexibilização do teto de gastos. "A gente está tentando fazer da
melhor forma possível. Estamos tentando manter o teto, mas há pressão
para flexibilização", teria dito o ministro. Em nota, ele afirmou que
suas palavras foram "distorcidas".
A declaração, no entanto,
agitou o mercado financeiro. Marinho é um dos que defende que o governo
estimule a economia com obras e amplie gastos para financiar o programa
social. Bolsonaro deseja lançar o Renda Cidadã como substituto do Bolsa
Família, após o fim das parcelas do auxílio emergencial que elevaram sua
popularidade.
Neste sábado, Guedes, Heleno e outros ministros
foram a um almoço com o presidente no Palácio da Alvorada. O governo
tenta acalmar os ânimos na Esplanada dos Ministérios. Marinho estava em
São Paulo e não participou, apesar de ter sido convidado, segundo sua
assessoria.
(Por:Estadão Conteúdo)
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