VIOLÊNCIA NO RN

As armas de fogo representam 973 ocorrências de assassinatos no Rio Grande do Norte em 2020, o que corresponde a 88,37% dos casos. Em Natal, de janeiro a setembro de 2019, foram registradas 224 mortes violentas - Foto: Ney Douglas / Agora RN
O Rio Grande do Norte acaba de registrar o quinto mês seguido com
redução no número de assassinatos. Em comparação a 2019, os números
também são positivos, com três meses consecutivos de diminuição. Para a
Secretaria de Segurança Pública e da Defesa Social (Sesed), as
estatísticas mostram o resultado de uma maior integração dos agentes
envolvidos nas forças de segurança, que mesmo em tempos de pandemia,
mantêm o foco em prestar um melhor serviço à população.
De acordo
com dados da Coordenadoria de Informações Estatísticas e Análise
Criminal (Coine), órgão vinculado à Sesed, o Rio Grande do Norte soma,
de 1º de janeiro a 30 de setembro deste ano, um total de 1.100
assassinatos – dois a menos que o total de homicídios registrados no
mesmo período de 2019 – tendo os últimos cinco meses com queda mais
acentuada.
Em abril, por exemplo, foram 156 homicídios
registrados, e de lá para cá os crimes de violência letal e intencional
vem caindo. Foram 134 assassinatos em maio, 118 em junho, 104 em julho,
99 em agosto e 93 em setembro – redução acumulada de 40,3%. Com relação
aos meses de 2019, ainda de acordo com as estatísticas da Coine, são
três meses seguidos de redução: julho (-14,85), agosto (-24,4%) e
setembro (-22,5%).
Números
Homicídios no
RN em 2019
Janeiro………………………130
Fevereiro…………………..103
Março………………………..149
Abril…………………………..111
Maio…………………………..131
Junho…………………………105
Julho…………………………..122
Agosto…………………………131
Setembro……………………120
Total 1.102
Homicídios no
RN em 2020
Janeiro………………………..124
Fevereiro…………………….144
Março………………………….128
Abril……………………………156
Maio……………………………134
Junho………………………….118
Julho…………………………..104
Agosto…………………………99
Setembro……………………93
Total 1.100
“Redução é fruto de integração das forças e gestão de resultados”, diz secretário
“A redução que estamos percebendo agora é fruto do apoio do Governo
do Estado às ações da Sesed e de uma intensa integração das forças
estaduais, como Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros,
servidores do Itep, policiais penais e guardas municipais, com as forças
federais que atuam no estado, como a Polícia Federal e a Polícia
Rodoviária Federal. Além, é claro, de uma gestão diferenciada que tem o
foco no resultado. Agradecemos imensamente também pelo compromisso de
todos os agentes públicos com a atividade e a missão de cada
instituição, apesar desse momento difícil de pandemia”, destacou o
coronel Francisco Araújo Silva, titular da Secretaria da Segurança
Pública e da Defesa Social.
Pesquisador do Observatório da
Violência do Rio Grande do Norte (OBVIO) e coordenador da Coine, Ivênio
Hermes também analisou a queda no número de homicídios no estado.
“Numa
análise contextual para essa redução, podemos inferir que se inicia a
partir da premissa de um direcionamento de atividades de policiamento
ostensivo para o problema segundo as diretrizes indicadas pelas análises
criminais. Evidentemente que nem sempre esse fator se consolida de
forma tão eficaz devido à escassez de recursos humanos e as múltiplas
atribuições da polícia ostensiva em meio à pandemia e outras atividades
sazonais. Compondo essa análise contextual, observamos que na região
Metropolitana, a ampliação das atividades investigativas da Divisão de
Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) para os municípios de São Gonçalo
do Amarante e Parnamirim, começam a reduzir a impunidade dos crimes de
homicídios, fazendo que grupos criminosos atuantes na região se
intimidem com as ações de prisão de homicidas e outros criminosos cuja a
atividade contribua para violência letal intencional”, explicou Ivênio
Hermes.
Armas de fogo são as que mais matam
Do total de 1.101 assassinatos registrados este ano no estado, 1.034
foram homens, 65 mulheres e em dois casos ainda não foi possível
identificar o sexo das vítimas. As armas de fogo são as que mais matam
no estado. Foram 973 ocorrências, o que corresponde a 88,37% dos casos.
Em
seguida, segundo a pesquisa estadual, vêm arma branca, com 68 casos
(6,17%); objeto não identificado, com 23 casos (2,08%); espancamento,
com 14 casos registrados (1,27%); e objetos contundentes, com 13
ocorrências (1,18%). Em cinco casos os corpos das vítimas foram
encontrados carbonizados (0,45%).
Cidades mais violentas também registram redução
Nas cidades mais violentas do estado, em números absolutos de homicídios, também houve redução.
Em
Natal, de janeiro a setembro de 2019, foram registradas 224 mortes
violentas. Já este ano, no mesmo período, foram 215 – redução de 4,01%.
Em
mossoró, foram 155 assassinatos de janeiro a setembro de 2019, contra
137 este ano, em igual período – queda de 11,61%. E em São Gonçalo do
Amarante, terceira cidade mais violenta do RN, foram registrados 84
homicídios de janeiro a setembro de 2019, contra 58 mortes ocorridas no
mesmo período deste ano: – 30,95%.
Conduta letal
O homicídio doloso continua sendo a principal forma de CVLI registrada no Rio Grande do Norte. Das 1.100 mortes contabilizadas entre janeiro e setembro deste ano, foram registrados 893 crimes em que ficou constatada a real intenção de matar (81,10%). Na sequência, como maiores tipos de conduta letal, aparecem: intervenção policial, com 109 casos (9,90%); latrocínio (roubo seguido de morte), com 48 casos (4,35%); lesão corporal seguida de morte, com 41 registros (3,72%); e feminicídio, com 10 casos registrados (0,90%).
(Por: Anderson Barbosa/AgoraRN)
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