CRUEL
Após tentar puxar conversa com uma mulher numa parada de ônibus na
manhã desta sexta-feira (3) em Nova Parnamirim, na Grande Natal, um
homem embriagado foi confundido com um assaltante. Rendido por moradores
da região, ele foi amarrado e levou uma surra até a chegada da polícia.
"Ela se agarrou com ele. Os dois caíram no chão e a população correu
para socorrê-la", disse uma testemunha que pediu para não ser
identificada.
Segundo o tenente Faustino Júnior, oficial de operações do 3º Batalhão
da PM, o homem estava bêbado e encostou na parada de ônibus para
conversar com a vítima. "Foi tudo um mal entendido, um engano.
Confundiram ele com um ladrão", afirmou.
Abalada, a mulher não quis falar sobre o ocorrido. No vídeo ao lado, gravado pela reportagem do G1,
o suspeito já aparece amarrado em meio ao canteiro central da Avenida
Abel Cabral, uma das mais movimentadas da região. O homem tem as mãos e
os pés atados com cordas. Um dos moradores joga areia e dá chutes na
cabeça dele.
Com a chegada da guarnição, o homem foi desamarrado e levado pelo Samu
para ser atendido no Hospital Regional Deoclécio Marques. A moto que
estava com ele, que não possui queixa de roubo, foi levada para a
Delegacia de Plantão da Zona Sul de Natal.
Linchamentos no RN
Em infográfico publicado no início de julho deste anos, o G1 fez um levantamento sobre casos em que cidadãos cometeram crimes ao tentar fazer justiça com as próprias mãos. Com cinco casos, o Rio Grande do Norte
aparece como o terceiro estado com mais linchamentos noticiados neste ano, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro.
Na ocasião, o promotor de Justiça de investigações criminais, Wendell
Beetoven Ribeiro Agra, disse que a situação é preocupante. Ele acredita
que a descrença na justiça criminal levou ao ponto atual.
"Como as pessoas desacreditam, elas passam a fazer justiça com as
próprias mãos, o que é uma forma totalmente ilegítima de aplicação de
punição. O cidadão age quando o Estado falha",
opina. "Não acredito em soluções miraculosas com criação de divisões
especiais para investigar crimes. Falta só o feijão com arroz, as
delegacias de bairro investigarem", acrescenta o promotor.
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