UM HORROR
Cidade da Esperança, em Natal, é um dos bairros com maior movimentação da capital potiguar, principalmente pelo constante fluxo de pessoas que desembarcam na rodoviária. E é exatamente por esse motivo que os criminosos escolheram aquela região como uma das mais “fáceis” de se assaltar. Na manhã desta quinta-feira (2), o Jornal de Hoje esteve na região e constatou que realmente é difícil encontrar alguém que não tenha passado por esse tipo de situação.
A funcionária de um restaurante que fica bem em frente à rodoviária e que não quis se identificar relatou que já foi assaltada duas vezes quando deixava o trabalho. “Aqui é bem complicado. Você olha para todos os lados para saber se tem alguém e não vê nada. Mas quando você começa a andar, eles (os criminosos) aparecem. Eles chegam e levam tudo da gente. Chegam bem nervosos, parecem até drogados”, destacou a mulher, que ainda completou. “Antes nós sabíamos os horários mais perigosos, mas hoje em dia isso não existe. Eles assaltam em qualquer horário. Basta um segundo de desatenção que eles nos roubam. Bandidos até já tentaram assaltar o restaurante, mas aqui tem um vigia armado e eles fugiram. E isso em plena luz do dia”.
O taxista Damião Bezerra, que trabalha em um ponto de táxi ao lado de um hotel, disse que também já foi assaltado, inclusive quando estava com passageiros no veículo. “Os bandidos não querem nem saber. Eles vêm de cara limpa e assaltam. Chegam armados e nos ameaçando. Se eu tivesse outra opção eu deixaria de trabalhar aqui, pois é muito inseguro e ninguém faz nada para melhorar. As pessoas de bem precisam torcer para que os bandidos cheguem “apenas” para roubar e não queiram fazer nada mais grave”.
O ambulante Sandoval Vicente da Silva, que vende lanches em uma parada de ônibus, recordou que já viu várias pessoas que tinham acabado de chegar de viagem serem assaltadas. “O pessoal chega de viagem e vem aqui pegar ônibus. A pessoa chega cheia de mala e objetos. Aí é quando os bandidos chegam. Eles levam tudo que encontram. Saem fazendo um arrastão. Eu vejo tudo, mas não posso fazer nada. Se eu falar alguma coisa, os bandidos voltam depois e me matam”.
Entre os únicos entrevistados pelo JH que ainda não tiveram o azar de serem vítimas de criminosos estão os proprietários do Hotel Cidade do Sol. “Estamos nesse ponto desde 1987 e até hoje nós nunca fomos assaltados. Não sei explicar o motivo disso acontecer, nós até colocamos algumas grades para nos prevenir. Nos consideramos pessoas sortudas, pois sabemos que o número de assaltos nessa região é muito grande”, afirmou Lúcio Bezerra. Já Juliana Lucas contou que, mesmo sem o hotel ter sido roubado, o prejuízo com a insegurança é muito grande. “Um monte de usuários de drogas ficam se drogando por aqui. Ficam em frente ao hotel, dormindo. Muitos clientes nossos já foram assaltados também, assim que saem do hotel”.
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