ELEIÇÕES 2014
Candidatos são sete, mas a campanha eleitoral de 2014 chega ao fim com
apenas três em condições para se eleger no pleito deste domingo, que vai
mobilizar o Brasil de norte a sul. De acordo com as pesquisas
divulgadas na sexta-feira, Dilma Rousseff (PT) lidera a disputa e está a
três pontos de encerrar o processo no primeiro turno. Se isso ocorrer,
será a segunda vez que o processo de escolha do presidente da República
não passará pelo segundo turno. O primeiro ocorreu em 1998 com Fernando
Henrique, consagrado pelo sucesso do plano real, que reduziu a inflação
de estratosféricos 2.400% ao ano para apenas um dígito.
Agência Estado
Campanha
deste ano teve sete candidatos, mas apenas Dilma Rousseff, Marina Silva
e Aécio Neves têm chances de vitória, segundo pesquisas divulgadas no
final de semana por Ibope e Datafolha
A pesquisa do Ibope aponta Dilma com 16 pontos de vantagem em relação à segunda colocada, Marina Silva, que assumiu o lugar de Eduardo Campos na chapa do PSB, após o trágico acidente de 13 de agosto, em Santos. A comoção que se seguiu à morte do ex-governador de Pernambuco elevou Marina ao segundo lugar. Ela teve o melhor momento no final de agosto e início de setembro, quando os jornais chegaram a noticiar que ela estava empatada tecnicamente com Dilma no primeiro e venceria no segundo turno. Em queda, Marina está a cinco pontos de Aécio na pesquisa do Ibope e a apenas três na do Datafolha.
A campanha presidencial chega à véspera da eleição numa situação peculiar. Dilma tem 47% dos votos válidos e com mais três vence no primeiro turno. Aécio está a três pontos de Marina e luta para superar a adversária, apostando na realização do segundo turno.
No último debate entre os candidatos, realizado quinta-feira à noite na Rede Globo, Dilma foi o alvo das críticas e dos ataques de todos os demais candidatos. Os adversários exploraram as sucessivas denúncias de corrupção e de aparelhamento dos órgãos públicos. Dilma lembrou que foi o governo dela quem equipou a Polícia Federal para combater o chamado crime de colarinho branco. “Eu não varri a sujeira para debaixo do tapete. Diferentemente de outros governos que não investigavam ninguém e tinham até um engavetador geral”, disse ela, mirando o governo FHC. Dilma também atacou a proposta do PSB de dar autonomia para o Banco Central, dizendo que isso vai proporcionar a criação de um quarto poder no Brasil.
Com melhor oratória e mais relaxado, Aécio disse que não pretende privatizar os bancos públicos nem a Petrobras, exorcizando um fantasma criado no último governo de Fernando Henrique. Prometeu também manter e aperfeiçoar os programas sociais do governo.
No debate, Marina surpreendeu ao anunciar uma proposta de grande apelo popular: pagar uma espécie de 13º salário para os beneficiários do Bolsa Família. Apesar de ter sido divulgada faltando poucos dias para a eleição, a coordenação da campanha nega que se trate de uma proposta de última hora para tentar estancar a queda da candidata nas pesquisas.
Na eleição deste ano, 140 milhões de brasileiros estão aptos a escolher presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais. A votação começa às 8h e vai até as 17 horas. O TSE estima que até as 22 horas a apuração estará concluída em todos os estados.
AÉCIO NEVES (PSDB)
Mineiro de Belo Horizonte, o candidato do PSDB à Presidência da República, o senador Aécio Neves, tem 54 anos. Neto do ex-presidente eleito Tancredo Neves, ele se formou em economia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, aos 24 anos e hoje é pai de três filhos. O primeiro contato com a política ocorreu em 1981, quando aceitou o convite do avô para trabalhar na campanha para o governo de Minas Gerais e, depois, pela Presidência da República.
O senador participou do movimento das Diretas, no período do regime militar e, em 1986, iniciou sua trajetória no Congresso Nacional, ocupando por quatro mandatos seguidos uma cadeira na Câmara. Filiou-se ao PSDB em 1989. Durante o período de formulação da Constituição Federal, Aécio apresentou emendas ao texto como a que instituiu o direito ao
voto para os jovens entre 16 e 18 anos.
Em 2002, Aécio foi eleito o primeiro governador de Minas Gerais escolhido em primeiro turno, com cerca de 60% dos votos válidos e instituiu o “choque de gestão” para zerar o déficit do governo estadual, extinguindo cargos e cortando salários. Foi reeleito com mais de 75% dos votos válidos. Em 2010, o tucano voltou para o Congresso como o senador mais votado, com mais de 7,5 milhões de votos.
DILMA ROUSSEFF (PT)
Em busca do segundo mandato, a presidenta Dilma Rousseff e seu partido, o PT, renovaram a coligação com o PMDB, mantendo o atual vice-presidente Michel Temer na chapa. Sete partidos fazem parte da coligação Com a Força do Povo: PDT, PCdoB, PR, PP, PRB, PROS e PSD.
Mineira de Belo Horizonte, Dilma tem 66 anos e viveu grande parte de sua vida no Rio Grande do Sul, onde participou da criação do PDT, foi secretária municipal de Fazeda e estadual de Minas e Energia. Em Brasília, antes de chegar à Presidência da República, foi ministra de Minas e Energia (2003-2005) e da Casa Civil (2005-2010).
Durante o regime militar, Dilma integrou organizações de esquerda, como o Comando de Libertação Nacional (Colina) e a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares). Passou quase três anos presa entre 1970 e 1972 e foi torturada nesse período por órgãos da repressão. Foi casada durante mais de 30 anos com o advogado Carlos Araújo, pai de sua única filha, Paula.
Além de enfatizar os avanços econômicos e sociais dos últimos 12 anos, o programa da coligação estabelece o chamado Novo Ciclo de Mudanças, que inclui propostas de estímulo à competitividade produtiva.
MARINA SILVA (PSB)
Esta será a segunda vez que Marina Silva concorre ao cargo de presidente da República. Em 2010, então filiada ao Partido Verde (PV), ela também participou do pleito ao Planalto, chegando ao terceiro lugar com 19.636.359 votos, o equivalente a 19,33%. Marina era candidata a vice de Eduardo Campos este ano.
Natural da capital Rio Branco, no Acre, Maria Osmarina Marina da Silva Vaz de Lima nasceu em 1958 e passou a infância e parte da adolescência em um seringal no Acre. Marina foi alfabetizada aos 16 anos e, dez anos depois, se formou em História, pela Universidade Federal do Acre. A candidata também é pós-graduada em Teoria Psicanalítica pela Universidade de Brasília e em Psicopedagogia pela Universidade Católica de Brasília.
Marina começou a vida política ao lado de Chico Mendes – um dos mais influentes ambientalistas de sua época – e, na década de 1980, participou da fundação da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Acre. Filiada ao PT, concorreu pela primeira vez a um cargo público em 1986, disputando vaga de deputada federal. Não venceu. Dois anos depois, foi eleita vereadora em Rio Branco. Em 1990, tornou-se deputada estadual do Acre. Já em 1994, tornou-se senadora pelo mesmo estado, sendo reeleita em 2002.
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