Policiais chegam à sede da Polícia
Federal, em São Paulo, com material apreendido durante a Operação
Greenfield – 05/09/2016 (N.M/FuturaPress/Folhapress)
Segundo o MPF e a PF, a sangria dos fundos de pensão Funcef (dos funcionários da Caixa Econômica Federal), Petros (Petrobras), Postalis (Correios) e Previ (Banco do Brasil) ocorreu por meio dos fundos de investimento em participações (FIP), que injetaram recursos em negócios de alto risco. A engrenagem da fraude entrava em operação quando o “núcleo empresarial” buscava dinheiro no mercado para tirar os seus projetos do papel. Esse grupo do setor privado se reunia com o núcleo “dirigente de fundos de pensão”,
formado por diretores das entidades, e também com o “núcleo político”, que tinham ingerência nas indicações dos cargos das estatais. Após esses encontros, o dinheiro era liberado por um valor superior ao do custo real do projeto. O suposto envolvimento de parlamentares nesse esquema não foi aprofundado nesta primeira fase da Operação Greenfield, que tem como foco investigados sem foro privilegiado.
Alguns suspeitos, que foram conduzidos pela Polícia Federal para prestar esclarecimentos aos investigadores, têm ligações com o PMDB e PT. Nos últimos anos, os dois partidos lotearam as diretorias dos fundos de pensão com apaniguados políticos. Entre eles, está Humberto Pires Grault Vianna de Lima, “um dos principais personagens do esquema criminoso” que atuava na Petros e na Funcef, segundo o MPF. Até a deflagração da operação nesta manhã, Grault exercia a função de gerente de Participações da Funcef, sendo responsável pelo acompanhamento de todos os investimentos estruturados da fundação. A investigação revelou que Grault, indicado pelo PT, detinha o monopólio do processo decisório interno da Funcef, ignorando completamente quaisquer pareceres contrários das demais áreas do fundo. “Tal conduta contou com a conivência clara especialmente dos então diretores Carlos Caser e Carlos Augusto Borges”, diz a representação do MPF.
Outro investigado na Operação Greenfield é Alexej Predtechensky, ex-diretor-presidente do Postalis e membro do Comitê de investimentos do fundo. Conhecido como “Russo”, Alexej é apontado pela Polícia Federal como “um dos principais responsáveis pelos crimes cometidos contra o Postalis”. As operações fraudulentas que esvaziaram o fundo dos Correios causaram um rombo superior a 5 bilhões de reais, um prejuízo que pesou no bolso dos carteiros. Alexej, que mantinha uma boa relação com peemedebistas, teria sido indicado para comandar o Postalis pelo senador Edison Lobão (PMDB-MA).
Por Thiago Bronzatto Hugo Marques/Veja
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