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Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte (Foto: ALRN/Divulgação)
Em representação apresentada ao Tribunal de Contas do Estado, a
Procuradoria Geral de Justiça do Rio Grande do Norte afirmou que a Mesa
Diretora da Assembleia Legislativa concedeu aposentadoria à
ex-procuradora da Casa, Rita das Mercês, para que ela permanecesse em
silêncio. Rita é um dos principais alvos da Operação Dama de Espadas e
responde a processo na Justiça. O MP entrou com pedido de anulação do
ato de aposentadoria dela.
O pedido foi divulgado nesta quarta-feira (14) e o Ministério Público
divulgou também a íntegra da representação entregue ao TCE.
No documento consta que: "é evidente que o ato impugnado nesta petição
teve o indisfarçável intuito de conceder a Rita das Mercês um suporte
financeiro para se manter silente quanto aos meandros do esquema do qual
era uma das principais articuladoras. De fato, por meio da
aposentadoria foi conferida à servidora uma remuneração mensal de R$
30.471,00, o que somente foi possível em função da não abertura do
devido processo administrativo disciplinar – que obstaria, por força de
lei, a aposentação da servidora - ou decisão de afastamento das suas
funções, para que a servidora tivesse lastro financeiro suficiente para
permanecer apoiando os agentes políticos que se beneficiaram de suas
condutas criminosas".
Rita das Mercês é apontada em ação penal como integrante de organização
criminosa, constituída para desvio de recursos públicos do Poder
Legislativo estadual. Em maio deste ano, a justiça do Rio Grande do
Norte acatou denúncia contra 24 pessoas investigadas na operação Dama de
Espadas, entre elas a ex-procuradora da ALRN.
Ainda no documento apresentado ao TCE, o procurador-geral de Justiça,
Rinaldo Reis, dá detalhes das investigações da Dama de Espada que
indicam o conhecimento da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa sobre o
envolvimento de Rita das Mercês.
Inclusive, ele cita documentos e arquivos apreendidos no curso da
Operação Dama de Espadas, que comprovariam a existência de funcionários
fantasmas na Assembleia. O procurador-geral fala que em um dos
computadores foi encontrado uma pasta com o título "fantasma filme".
"Por si só, a suspeita da possível condição de servidores 'fantasmas'
das pessoas ali listadas, a serem naturalmente investigadas, o que as
torna, em tese, interessadas diretamente nos processos e procedimentos
afetos à Operação Dama de Espadas. Tal suspeita é corroborada pela
anotação manuscrita encontrada em agenda da Coordenadora de Recursos
Humanos da Assembleia Legislativa, Luíza de Marillac Rodrigues de
Queiroz Coelho Peixoto, onde consta como um dos itens de 'Reunião' o
tópico Lista de Fantasmas (Excel) global", destacou o procurador-geral
Rinaldo Reis.
Lista de fantasmas
O chefe do Ministério Público ressalta ainda em sua representação que o
material apreendido aponta envolvimento de parlamentares nas supostas
indicações de funcionários fantasmas.
"No arquivo, é possível verificar que há várias indicações feitas por
deputados estaduais, políticos em geral, autoridades do Estado e várias
lideranças locais. (...) Muito embora não haja, até o momento,
comprovação cabal de que todos os servidores ali listados eram
'fantasmas', é imperioso reconhecer que todos aqueles agentes públicos –
bem como os deputados que os indicaram –, listados na planilha, têm
relação direta com a investigação da organização criminosa chefiada por
Rita das Mercês".
Desvio de finalidade
Ainda sobre o ato de aposentadoria da ex-procuradora Rita das Mercês, o
Ministério Público alega que, por ter conhecimento dos supostos atos
ilícitos praticados por ela, a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa
teria agido em "violação aos princípios da moralidade, legalidade,
impessoalidade e da publicidade".
A Procuradoria Geral de Justiça destaca que: "os integrantes da Mesa,
mesmo cientes dos fortíssimos indícios de crimes contra a administração
pública imputados a Rita das Mercês, omitiram-se, deixando aberto o
caminho para a aposentadoria voluntária da hoje denunciada".
O procurador Rinaldo Reis ainda completa dizendo que o "desrespeito à
lei evidenciado neste caso leva à inevitável constatação da ocorrência
de um verdadeiro atentado praticado pela Mesa Diretora contra os
princípios que regem a administração pública brasileira".
Procurada, a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Rio Grande do
Norte informou, através da assessoria de imprensa, que ainda não foi
notificada oficialmente sobre essa representação do Ministério Público e
que os deputados vão se reunir na noite desta quarta-feira para
discutir o assunto.
(Por G1 RN)
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