
O ex-deputado federal Jean Wyllys (Vanessa Ataliba/Brazil Photo Press/Folhapress)
O ex-deputado do PSOL, Jean Wyllys, concedeu entrevista coletiva em Berlim nesta segunda-feira 18, em uma de suas primeiras aparições públicas após informar, há pouco menos de um mês, que abriria mão de seu mandato e iria embora do Brasil, temendo ameaças de morte. Ele oficializou a Alemanha
como seu novo paradeiro e contou que vive com a ajuda de amigos, com o
objetivo de se inscrever em algum programa de doutorado com foco no “fenômeno das fake news e como os discursos de ódio afetam processos eleitorais”.
“Nesse sentido, minha saída é muito mais útil e poderosa do que a minha permanência. O
recado político já foi dado. Minha decisão foi um ato de preservação da
minha vida e proteção da minha família, mas também um recado ao mundo e
uma maneira de deixar de naturalizar o que estava sendo naturalizado no
Brasil”, acrescentou.
Ex-deputado classifica Bolsonaro como ‘moleque’
Wyllys comentou, também, o tuíte de Jair Bolsonaro no dia em que deixou o país, dizendo que aquele era “um grande dia”. Embora o presidente tenha negado se referir ao caso, o ex-deputado interpretou como um gesto de comemoração.
“Ele e seu filho, o ‘zero dois’ [o
senador Flávio Bolsonaro], comemoraram nas redes sociais. Esse é o nível
do presidente do Brasil”, disse. “Não basta ser um energúmeno, um
incompetente, uma pessoa que esteve 30 anos no Parlamento e não produziu
nada. Não basta ser um imbecil e incompetente que nada sabe sobre
economia, políticas de saúde, educação, moradia e infraestrutura. Tem
que ser esse debochado, esse moleque que trata a democracia dessa
maneira. Ele só confirmou a minha decisão, só me deu razão de que, de
fato, o Brasil não era mais o lugar para mim”, atacou o ex-deputado.
Ele ainda comparou Bolsonaro a seu vice, Hamilton Mourão:
“chegamos a um ponto no Brasil em que consideramos o general Hamilton
Mourão, com um histórico de extrema direita, como moderado. A que ponto
chegamos? Ele é um militar de extrema direita, mas ainda consegue ser
minimamente moderado, lúcido, diante do sujeito que é hoje presidente da
república e que comemorou a saída de um deputado por conta de ameaças
de morte”, declarou.
“Um presidente deve cuidar da população de seu país. Depois de
eleito, ele é responsável pela população. Mas esse sujeito ainda não age
como presidente da República. Ele continua agindo como se ainda
estivesse em campanha. Tratando as 40 milhões de pessoas que não lhe
deram votos, que votaram nos outros candidatos, como inimigos”,
complementou Wyllys.
Vida na Alemanha
Na última sexta, Jean Wyllys foi visto em uma sessão do filme brasileiro Marighella, dirigido por Wagner Moura, apresentado no Festival de Cinema de Berlim, em uma das primeiras aparições na capital alemã.
“Minha vida ainda está se
assentando. Estou em Berlim, não tenho moradia, conto com ajuda de
amigos. Ainda não tenho um novo trabalho. Provavelmente vou me inscrever
em um programa de doutorado. Existem conversas com instituições que
podem me receber como pesquisador, como professor visitante. Existem
conversas com diferentes instituições mas ainda não há nada acertado”,
comentou Jean.
Wyllys afirmou, ainda, ter recebido uma
proposta de asilo político do governo francês, mas que não pretende
aceitá-la. “Há outras pessoas que precisam de asilo político. Para mim,
permanecer aqui com um visto de estudante ou pesquisador é muito melhor
do que um asilo político”, declarou o ex-deputado.
(Veja.com.br)
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