
O ex-ministro da secretaria-geral da Presidência da República, Gustavo Bebianno (Eduardo Anizelli/Folhapress)
Confirmada na tarde desta segunda-feira 18 pelo
porta-voz do Palácio do Planalto, o general Otávio do Rêgo Barros, a
exoneração do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, foi publicada no Diário Oficial da União de 19 de fevereiro. No lugar dele, assumirá o general Floriano Peixoto, atual secretário-executivo da pasta.

Na coletiva de imprensa desta
segunda-feira, Rêgo Barros declarou que “não é verdade” que a exoneração
foi assinada na sexta-feira 15 por Bolsonaro e que a demissão demorou
tanto a ser anunciada porque o presidente levou em conta “vários atores e
varias ações” para chegar a uma decisão “mais consensual e maturada
possível”.
Rêgo Barros afirmou ainda que Jair
Bolsonaro não citou nenhuma informação a respeito das três conversas que
Bebianno disse ter tido com o presidente em meio às denúncias de
irregularidades no financiamento de candidaturas do PSL, que o agora
ex-ministro presidiu durante a campanha eleitoral.
Na quarta-feira 13, após Gustavo Bebianno ter declarado ao jornal O Globo que
vinha falando normalmente com Bolsonaro, o vereador Carlos Bolsonaro,
filho do presidente, afirmou no Twitter que Bebianno mentiu. Carlos
publicou ainda um áudio em que o pai se nega a falar com o ministro. “Ô,
Gustavo, tá complicado eu conversar ainda, então não vou falar, não vou
falar com ninguém, a não ser estritamente o essencial. Tô em fase final
aqui de exames para possível baixa hoje, tá ok? Boa sorte aí”, disse o
presidente na gravação.
As postagens de Carlos Bolsonaro foram
compartilhadas pelo próprio Bolsonaro no mesmo dia, um endosso claro por
parte do presidente em relação à acusação de que Bebianno havia
mentido.
Embora negasse desentendimentos, Gustavo
Bebianno voltou a ser exposto quando Bolsonaro, em entrevista à
RecordTV, disse que a Polícia Federal investigaria o caso dos laranjas e
que o ministro poderia cair caso se comprovasse envolvimento. O governo
se dividiu sobre a melhor forma de conduzir a crise, com setores
defendendo a permanência de Bebianno. Ainda assim, no sábado, após se
reunir com Bolsonaro, o próprio ministro declarou que “a tendência” era a
exoneração.
Crise das laranjas
Em 4 de fevereiro, o jornal Folha de S.Paulo publicou
a primeira de uma série de denúncias sobre “candidaturas laranjas”
ligadas ao PSL, para desviar recursos nas eleições de 2018.
Foram encontrados casos suspeitos em Minas Gerais e Pernambuco,
nos quais candidaturas para cargos no Legislativo (no caso, deputado
estadual e federal) receberam altas verbas do fundo partidário e, no
entanto, terminaram as eleições com votações inexpressivas (uma média
próxima de 200 votos), além da falta de indícios de que realmente
realizaram campanhas. Mais do que isso: parte do dinheiro foi destinada a
empresas de pessoas ligadas ao próprio partido, como gráficas e
assessorias de comunicação.
Em um dos casos, Maria de Lourdes Paixão,
candidata a deputada federal por Pernambuco, recebeu 400.000 reais de
verbas do fundo partidário (o terceiro maior valor entre todos os
candidatos do PSL no país) e teve apenas 274 votos. Ela declarou que
gastou 95% do dinheiro em uma gráfica para imprimir material de
campanha, porém há evidências de que o estabelecimento não existe e
nunca prestou o serviço.
Presidente nacional do PSL interinamente
durante as eleições, Gustavo Bebianno foi cobrado por explicações sobre
os casos. Ele, no entanto, declarou que
a responsabilidade de distribuir recursos cabia aos diretórios
regionais. Outros dois nomes de peso do governo também tiveram o nome
ligado às denúncias: o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, que presidiu o diretório mineiro do partido em 2018, e Luciano Bivar, atual presidente nacional da sigla, que tem seu reduto eleitoral em Pernambuco.
Todos negaram as denúncias. Bivar isentou
Bebianno de qualquer responsabilidade e, embora negue ter participado
da formulação de candidaturas-fantasma, criticou a lei que
exige que 30% do fundo partidário seja destinado a mulheres, apontando
haver dificuldade dos partidos para preencher essas cotas.
Levantamento mostrou que
outros partidos podem ter utilizado candidaturas “de fachada” nas
eleições de 2018, com esquemas semelhantes ao creditado ao PSL, e também
com predominância de casos em que os candidatos são mulheres.
(Veja.com.br)
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