
O ministro da Economia, Paulo Guedes, é contra projeto 'patrocinado' pelo Legislativo e opta por liberar R$ 40 bi a estados e municípios, com contrapartida - Wilson Dias / Agência Brasil
O Estado do Rio de Janeiro e os municípios
fluminenses - assim como todos os entes do país - aguardam socorro
financeiro da União para o combate à Covid-19 e o pagamento de despesas,
como a folha salarial do funcionalismo. Um projeto na Câmara prevê a
ajuda, e tem como principal medida a compensação das perdas de receitas
de ICMS e ISS por três meses. O desembolso da União seria de R$ 41
bilhões. Mas o ministro da Economia, Paulo Guedes (foto), quer
substituir esse texto por outro que transfere até R$ 40 bilhões aos
entes, desde que fiquem sem reajustar salários de servidores por dois
anos.
A ideia de Guedes e seus auxiliares ganhou fôlego no
Palácio do Planalto, principalmente diante das divergências dos cálculos
feitos pelo Ministério da Economia e por técnicos da Câmara. E, também,
devido à intenção do Legislativo em aumentar o número de meses para a
receita dos impostos ser complementada. Como está hoje, o texto prevê
recomposição das perdas em abril, maio e junho.
Fora a compensação do ICMS e ISS, o projeto que
tramita na Câmara abre espaço para financiamento das unidades da
federação durante a calamidade pública. E essa medida é atacada pelo
ministro Paulo Guedes.
Em meio a várias tentativas de acordo com o governo,
mas sem resultados, parlamentares, como o próprio presidente da Câmara,
Rodrigo Maia (DEM-RJ), criticaram a demora do Executivo em auxiliar os
governos estaduais e municipais diante da crise provocada pela pandemia
do novo coronavírus.
Tudo estava encaminhado para a votação hoje do
projeto de auxílio aos entes, com o 'carro chefe' de complementação de
receita. Agora, com a proposta apresentada pela União, novas negociações
ocorrerão.
ICMS: maior fonte de receita
A receita de ICMS representa 50% da arrecadação total
do Rio em um ano, sendo a maior fonte de 'abastecimento' do caixa. Para
se ter uma ideia, em 2019, o estado arrecadou R$ 42,2 bilhões só com
esse imposto, segundo a Secretaria de Fazenda. O relator do projeto
destacou que 25% vêm de royalties (que estão caindo por conta da redução
do preço do barril do petróleo) e o restante de outras fontes, como
IPVA.
Alternativas contra déficit
A Fazenda estima que a queda na receita vai aumentar o
déficit orçamentário deste ano. Se a estimativa era de R$ 10 bilhões,
agora, os novos cálculos indicam que pode chegar a R$ 20 bilhões. Para
mudar esse cenário, além da proposta que está no Parlamento, o governo
busca outras frentes. Entre elas, não pagar em 2020 a dívida de R$ 3,9
bilhões com o BNP Paribas, por empréstimo que teve ações da Cedae como
garantia.
(Por:Paloma Savedra/O Dia)
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