FELIPE CAMARÃO
Segundo bairro com maior número de casos de dengue registrados em 2014, Felipe Camarão recebeu, na manhã de ontem, sexta-feira (06), uma ação de conscientização contra a doença e a febre chikungunya realizada pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Natal. Durante o evento, os moradores receberam orientações sobre prevenção e combate ao mosquito Aedes aegypti, assistiram a apresentações culturais sobre as doenças e a coleta de lixo consciente e também participaram de ações voltadas para a saúde.
Segundo a coordenadora de Vigilância Epidemiológica da SMS, Aline Bezerra, a mobilização integra as ações desenvolvidas pelo Ministério da Saúde em comemoração ao “Dia D de Combate à Dengue e Chukungunya”, que será realizado em todo o país amanhã, dia 07, mas foi adiantado em Natal pelo alto número de ocorrências da primeira doença no município. No ano passado, foram registrados 3.764 casos confirmados.
Ela explicou que Felipe Camarão foi escolhido para sediar a ação por ter apresentado um alto número de confirmados tanto no ano passado, como nestes primeiros dias de 2015. Foram 248 e sete casos, respectivamente. Por isso, as ações de combate desenvolvidas pelos agentes de endemia na região estão sendo reforçadas desde 2014 nos bairros com maiores quantidades de focos, baseados no último Levantamento Rápido do Índice de Infestação pelo Aedes aegypti (Liraa), em outubro passado.
“O inimigo é duplo e a responsabilidade de todos também, então, se já havia uma mobilização social para combater os focos do mosquito através da eliminação da água parada, por exemplo, agora isso é multiplicado porque com uma simples atitude, é possível prevenir duas doenças. E Felipe Camarão é um dos bairros natalenses que apresenta as mais altas incidências de doenças, sendo responsável por sete, dos 49 casos confirmados em todo o município”, afirmou.
Já com relação à febre chikungunya, Aline disse que foram notificados três casos suspeitos, que foram descartados após exames laboratoriais. Nos 12 meses do ano passado, foram 20 suspeitas, também excluídas. “A nossa preocupação é que essa doença, que já chegou e foi registrada em alguns estados do país, se desenvolva aqui no Rio Grande do Norte. Por isso, estamos com atenção total e concentrando esforços para evitar isso”, disse.
A coordenadora de Vigilância em Saúde, Juliana Araújo, explicou que a participação da sociedade na prevenção e combate é essencial para o sucesso das ações realizadas pela secretaria. “As unidades de saúde dos bairros também fazem esse trabalho de orientação e pedem a colaboração de todos, principalmente nas zonas Oeste, Sul e Leste, onde há maior incidência e condições favoráveis ao mosquito”, disse.
Empenho da sociedade é essencial
Conforme a SMS, a população deve atuar de forma efetiva para impedir o acúmulo de água parada em vasos de plantas, pneus velhos, garrafas, caixas d’água ou outros objetos que possam atuar como depósito; manter tonéis, barris e outros reservatórios bem fechados; lavar semanalmente os tanques usados para armazenar água e não jogar lixo nas ruas ou terrenos baldios também são medidas bastante eficazes para impedir a reprodução e disseminação dos vetores.
As ações feitas por agentes de endemias municipais atuam em toda a cidade, com ações concentradas também em áreas com alto risco de se tornarem criadouros do Aedes aegypti, como borracharias, oficinas mecânicas e terrenos baldios, por conterem recipientes e materiais que possam acumular água parada, em especial na zona Oeste, nos bairros de Felipe Camarão e Quintas. Já na zona Norte, o bairro com histórico de maior incidência é Nossa Senhora da Apresentação.
A dona de casa Sueli Gadelha conhece bem os cuidados e conferiu de perto a mobilização realizada pela SMS no bairro. “Sigo tudo direitinho para não ter problemas na frente, principalmente porque muitos dos meus vizinhos já tiveram a doença e eu não quero ser mais uma vítima. A última pessoa que conheço que contraiu dengue foi a minha cunhada. Ela passou uma semana muito ruim, fraca e sem nem conseguir se levantar da cama direito. Aproveitei a oportunidade para aferir minha pressão arterial e medir o meu nível de glicose”, disse.
O aposentado Rogério Morais também aproveitou as ações de saúde, depois de ouvir as orientações dos servidores que estavam na mobilização. Ele disse que todos os meses, limpa a sua caixa d’água e coloca terra nos pratinhos das plantas, para evitar acúmulo de água. “Mesmo que meu vizinho não faça, eu tenho que responder por mim, então, faço a minha parte para ajudar a diminuir o número de focos na região. Já sofremos tanto, com tantas coisas, que não podemos ser irresponsáveis nessa questão”, afirmou.
Dengue e Chikungunya
De acordo com informações da Organização Mundial da Saúde (OMS), os sintomas da chikungunya são parecidos com os da dengue, como febre, dor nas articulações, de cabeça e muscular, náusea e manchas avermelhadas na pele. Entretanto, são mais dolorosos. Podem durar entre dez e 15 dias, desaparecendo em seguida, mas há relatos em que as dores articulares podem permanecer por meses ou anos. As complicações, raras, são relacionadas aos sistemas cardíaco e neurológico, principalmente em pacientes idosos.
Ainda assim, conforme a OMS, a doença causada pelo vírus do gênero Alphavirus mata menos que a dengue, com quadros menos severos que esta, principalmente em termos de produzir casos graves e hospitalizações. Até o momento, não foi descoberto um tratamento eficaz para curar a infecção ou vacina para preveni-la, sendo assim, é indicado o uso de antipiréticos e analgésicos para aliviar os sintomas.
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