sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Quase 80% das Unidades Básicas não dispõem de ácido fólico para gestantes. Levantamento do Sindsaúde aponta diversas falhas no atendimento materno-infantil em 47 unidades

NATAL

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Roberto Campello
Roberto_campello1@yahoo.com.br
Levantamento realizado pelo Sindicato dos Servidores Estaduais de Saúde do Rio Grande do Norte (Sindsaude-RN) aponta deficiência nos serviços ofertados pela rede municipal de saúde em relação a atenção materno-infantil. Pouco mais de um ano depois do relatório apresentado pelo Ministério Público do RN, onde apontava fragilidade nas unidades de saúde que prestam o atendimento pré-natal, a situação piorou e medicamentos, como o acido fólico, continua em falta. Hoje, apenas uma de cada cinco unidades de saúde de Natal possui a vitamina, que é essencial para o desenvolvimento neurológico da criança durante a gestação.
No segundo semestre de 2013, o Ministério Público do Rio Grande do Norte visitou 49 unidades de saúde, que prestam atendimento pré-natal. O objetivo foi averiguar o atendimento materno-infantil oferecido, diante dos números alarmantes no estado. Segundo o Sindicato, de cada quatro óbitos de recém-nascidos no Rio Grande do Norte, três poderiam ser evitados, se o sistema público de saúde garantisse medicamentos e exames necessários e o acompanhamento pré-natal. No caso das gestantes, o índice é ainda maior: a cada cinco mortes, quatro poderiam ser evitadas. A calamidade no atendimento materno-infantil é assim uma forma de violência contra as mulheres,
Durante os dias 28 de janeiro e 3 de fevereiro deste ano, o Sindicato voltou a campo e pesquisou 47 das 49 unidades e comprovou que o atendimento não só permanece comprometido, como em alguns casos, chegou a piorar. No final de 2013, 65,3% das unidades visitadas não possuíam ácido fólico. Pouco mais de um ano depois, o índice subiu para 78,72% das unidades. Ou seja, de cada cinco unidades, quatro delas não oferecem ácido fólico. A ausência é ainda maior no Distrito Sanitário Norte II, com 87,5%: Das sete unidades pesquisadas, apenas uma, localizada no Vale Dourado, possuía ácido fólico.
“Isso significa que a Prefeitura de Natal não conseguiu dar uma solução para um item elementar, básico e barato que viabiliza vidas e previne que lá na frente crianças estejam ocupando leitos de UTIs Neonatais. Com isso, fica evidenciado que a Prefeitura não se preocupa com a atenção básica. São muitas faltas e o custo disso é uma morte precoce, ou o aumento do custo com a ocupação dos leitos de UTI”, ressalta a coordenadora geral do Sindicato, Simone Dutra.
O ácido fólico é recomendado para os primeiros meses da gravidez, contribuindo para o desenvolvimento do sistema nervoso, da formação do cérebro e da medula espinhal do feto. Seu uso ajuda a evitar doenças graves no bebê, como anencefalia, doenças do coração e fissuras lábio-palatino.
“Mesmo com um custo muito baixo, mas a Prefeitura de Natal teve mais de um ano e não conseguiu regularizar o fornecimento de ácido fólico pelo SUS e o atendimento pré-natal. É um descaso com as mulheres de Natal, que já ficaram quase dois anos sem a maternidade Leide Morais. O pré-natal é uma ação básica e barata, no entanto não é uma preocupação do prefeito Carlos Eduardo”, critica Simone Dutra. O Sindicato irá solicitar do Ministério Público uma nova vistoria completa nas unidades, para verificar a situação do atendimento materno-infantil em Natal.
No Distrito Sul, o acido fólico está em falta em 77,77% das unidades. A vitamina só está disponível no Centro de Saúde de Cidade Satélite e na Unidade de Candelária. No Distrito Leste, falta acido fólico em 75% unidades, com exceção do Centro de Saúde São João e a USF Aparecida. O Distrito Oeste, o índice de desabastecimento é de 76,92%, tendo a vitamina apenas nas unidades de Nova Cidade e na Unidade Mista das Quintas.
A zona Norte de Natal está dividida em dois distritos. No Distrito Norte I falta ácido fólico em 80% das unidades. Quem precisar da vitamina tem que buscar a USF África e Pompéia. No Distrito II, a situação é a mais critica, pois falta ácido fólico em 87,5% das unidades. Hoje, só há a vitamina na Unidade do Vale Dourado.
Unidade do Potengi
A reportagem d’O Jornal de Hoje esteve na manhã desta quinta-feira (5)  na Unidade de Saúde do Potengi, localizada na Avenida Itapetinga, onde está faltando a vitamina para o pré-natal das gestantes. A diretora da Unidade, Patrícia Amorim, reconhece que a unidade não dispõe de acido fólico, mas que isso não tem comprometido o tratamento e pré-natal das gestantes. Ela conta que até o mês de dezembro estava recebendo regularmente a vitamina, mas houve uma interrupção no recebimento nesses dois meses e a expectativa é que no mês de março o fornecimento seja normalizado.
“Temos trabalhado em três turnos para garantir o melhor serviço à população, principalmente as nossas mulheres gestantes. Hoje, está faltando apenas o acido fólico, mas temos todos os outros medicamentos, inclusive aqueles que não são de obrigação das unidades básicas de saúde. Mesmo com algumas deficiências, as pacientes estão sendo bem assistidas”, garante a diretora da unidade do Potengi, Patrícia Amorim.
Por mês, é atendida uma média de 200 gestantes por mês. A enfermeira Conceição Gurgel conta que recomenda as pacientes a procurarem a vitamina na farmácia, já que o custo é muito baixo. “Só por esse mês, estamos recomendando isso, porque o ideal era que tivéssemos, mas como estamos sem, pedimos que elas comprassem apenas este mês”, conta. Ela diz que trabalha na unidade há mais de dez anos e nunca houve nenhum caso de morte materna, nem de recém-nascido acompanhados na unidade.

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