BALANÇO POSITIVO
Foto: José Aldenir
Diego Hervani
Repórter
No início do mandato, o governador Robinson Faria disse que iria trazer uma resposta imediata para a insegurança do Rio Grande do Norte. Pelo menos na capital potiguar, a promessa foi cumprida. Em partes. Em coletiva nesta quinta-feira (5), a Secretaria de Segurança do RN (Sesed), apresentou os dados do mês de janeiro, que contam com significantes diminuições em alguns crimes.
No mesmo período do ano passado, foram registrados 926 roubos em Natal. Já este ano essa quantidade foi de 728, uma redução de 21,30%. Os furtos também caíram 9,95%, passando de 171 para 154. “Isso foi conseguido graças ao aumento de policiais nas ruas por meio das Diárias Operacionais. Os policiais estão altamente dedicados no cumprimente do dever e quem ganha com isso é a população”, disse o coronel Araújo Lima, subcomandante da PM no Estado. Os casos de lesões corporais passaram de 527 para 440, uma baixa de 16,5%. “Estes primeiros números mostram bem o comprometimento de todos em diminuir a violência no Rio Grande do Norte, que vem assustando a população há muito tempo. Vamos continuar trabalhando para reduzir ainda mais esses números”, destacou Kalina Leite, secretária de segurança do RN.
Além da distribuição de mais PMs nas ruas, Kalina atribuiu a redução também a apreensão de diversas motocicletas. “Nós sabemos que a maioria dos crimes são cometidos por pessoas que utilizam a motocicleta como veículo de fuga, pela facilidade de locomoção. A partir do momento em que tiramos essas motocicletas do trânsito, consequentemente os números irão cair”.
Sem apresentar números, Kalina ainda reforçou que nos próximos dias irá intensificar o trabalho de trazer para as ruas os PMs que ainda estão cedidos para outros órgãos. “Infelizmente essa resposta não tem sido o que nós queremos. Mas estamos empenhados em trazer esses policiais o mais rápido possível para o trabalho de patrulhamento. Na próxima semana iremos tomar medidas mais rígidas para que nossas solicitações sejam atendidas”.
Se a quantidade de alguns tipos de crimes caiu, os CVLIs (Crimes Violentos Letais Intencionais) seguem aumentando no RN. Em comparação entre dezembro de 2014 e janeiro deste ano, houve um acréscimo de 1,99%, passando de 151 para 154. “Para os crimes contra a vida é preciso investigação. Há anos que esses números estão crescendo e precisamos intensificar as investigações para que esses números comecem a cair”, frisou Kalina. Ainda de acordo com a secretária de segurança, das 154 CVLIs, 113 poderiam ter sido evitadas pelo sistema de segurança. “Foram crimes que aconteceram por motivos como um latrocínio (roubo seguido de morte), por exemplo. Que o Estado, por meio de investigação e intensificação do policiamento, teria como intervir”.
Para Marcos Dionísio, do Conselho Estadual de Direitos Humanos, o total de CVLIs não é responsabilidade apenas do sistema de segurança. “Você não consegue diminuir a violência sem policiais nas ruas, mas você não reduz a violência apenas com policiais nas ruas. É preciso investir em saúde e educação. Quando esses dois setores falham, o sistema de segurança acaba absorvendo todos os problemas”. Já Kalina reforçou a importância da participação popular. “Nós sabemos que quando acontece algum crime, alguma pessoa sabe quem cometeu. Claro que existe a situação de que as pessoas têm medo, mas temos mecanismos, como o Disque Denúncia, que não revela a identidade das pessoas. Nós vamos tentar otimizar essa interação da população com a secretaria de segurança, pois sabemos a população pode ser uma grande fonte de informação na resolução dos crimes”.
A criação da Divisão de Homicídios também é vista como essencial para a diminuição das CVLIs. “Já temos algumas situações em andamento sobre a Divisão de Homicídios. Nos últimos meses a Dehom passou por uma grande reformulação, que já conseguiu trazer alguns bons resultados, mas sabemos da necessidade da Divisão de Homicídios, que iria exatamente trazer aquela intensificação das investigações dos crimes contra a vida”.
Polícia Civil tem número recorde de operações
A Polícia Civil do Rio Grande do Norte teve um número recorde de operações no mês de janeiro. Foram quatro no total: Boas Vindas, Sem noção, Pirâmide e Roupa Nova. Elas resultaram em um total de 50 prisões de pessoas relacionadas ao tráfico de drogas, roubos, receptação de veículos, estupro e posse ilegal de arma de fogo. Além dessas ações, a PC conseguiu recuperar 58% dos veículos roubados no mês. “Sabemos que a Polícia Civil tem um déficit de pessoas muito grande. Mas estamos trabalhando para tentar conseguir aumentar esse número, pois também temos na PC um grande número de policiais cedidos para outros órgãos”, disse Kalina.
Por falar em operações, nesta quinta a Polícia Civil desencadeou mais uma, a “Operação Folia”, que visa combater diversos crimes antes do período do Carnaval. “São vários mandados de prisão e busca e apreensão que estão sendo cumpridos, inclusive por tráfico de drogas. Todas as delegacias do Rio Grande do Norte estão participando dessa operação. São pessoas que poderiam cometer vários crimes durante o Carnaval. Felizmente conseguimos tirar essas pessoas das ruas”. Até o fechamento desta edição, 30 pessoas há haviam sido presas, mas a expectativa era de que até o final do dia, 70 suspeitos tivessem sido detidos.
Mudança nas estatísticas
Nos últimos anos, conseguir estatística sobre os crimes no Rio Grande do Norte sempre foi uma missão nada fácil, principalmente pela falta de tecnologia capaz de armazenar de forma precisa as ocorrências. Porém, a Secretaria de Segurança agora pretende “facilitar” a divulgação desses dados. “Aqui nós não iremos esconder nada da população. Nós não temos nem o interesse de fazer isso. A população tem o direito de saber exatamente o que está acontecendo e o gestor tem a necessidade de saber desses números”.
O novo responsável pelo setor de estatísticas da Sesed é Ivenio Hermes, que também é um especialista em segurança pública. Segundo ele, os dados irão servir de embasamento para que o Governo saiba onde deve intervir. “Com esses dados, o gestor vai conseguir identificar onde ele está errando e onde ele está acertando. Quando chegamos aqui, tínhamos uma situação muito ruim de armazenamento de dados e por isso tivemos um trabalho grande para conseguir juntar os números. Mas agora estamos no caminho certo”, disse Ivenio, que ainda completou. “Nós agora estamos trabalhando com os dados mês a mês, ou seja, vamos fazer a comparação de um mês em relação ao anterior. Antes era feita uma comparação com o mesmo período do ano passado, mas ficava uma lacuna muito grande”.
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