sábado, 7 de fevereiro de 2015

Táxis têm rotinas de assaltos em Natal e motorista é esfaqueado em nova ação. Motorista de 71 anos conta que acabou ferido após tentar evitar nova ação criminosa em Natal

EM  EMAÚS

10Taxi
Diego Hervani
Repórter
Assaltos contra taxistas neste início de ano têm sido constantes. Praticamente todos os dias profissionais da área estão sendo vítimas dos criminosos em toda a Grande Natal. Na noite da última, quinta-feira (5) aconteceu mais um caso, só que desta vez a ação criminosa quase se transformou em tragédia. O motorista Luiz Norte, de 71 anos, foi esfaqueado por um dos bandidos depois de tentar reagir.
De acordo com o senhor, ele pegou a corrida no bairro de Mirassol. “Eram dois homens. Eles entraram e falaram que queriam ir para Parnamirim. Eu peguei o prolongamento da Prudente de Morais, mas quando eu cheguei ali nas proximidades do Cemitério Morada da Paz, eles anunciaram o assalto e um deles me agarrou pelo pescoço, me aplicando uma gravata”. Neste momento, mesmo sabendo dos riscos, Luiz conta que reagiu. “Você nunca sabe qual será a sua reação diante de um assalto. Eu sempre falei para os meus colegas de profissão para que eles não reagissem, mas na hora eu não pensei direito. Consegui tirar o braço do assaltante do meu pescoço, acho até que quebrei um dedo dele. Aí, quando eu abri a porta do carro para fugir, o outro me deu uma facada e acertou o meu braço. Mas ainda assim eu consegui fugir”.
Depois de conseguir sair de dentro do veículo, a vítima correu para tentar se esconder. Os bandidos, aparentemente assustados com a reação de Luiz Norte, simplesmente pegaram o carro e fugiram. “Eles não esperavam que eu fosse reagir. Tanto que não vieram atrás de mim, Mas eu deixei todos os meus pertences no carro”. O táxi foi encontrado apenas na manhã de ontem, sexta (6), em Parnamirim.
Agora, mais calmo depois do ocorrido, Luiz fala da sensação de insegurança que os taxistas precisam enfrentar todos os dias e disse que não pretende largar a profissão por causa do que aconteceu. “Os taxistas não sabem mais o que pode ocorrer. Eu não desejo isso para ninguém. Estou há quase 39 anos na profissão e tinha sido assaltado em 1988. É uma situação muito complicada. Eu já sou aposentado, mas continuo na profissão por gostar do que eu faço. Não vou deixar de trabalhar por causa disso. Se eu deixar, os criminosos estarão vencendo e eu não vou permitir que isso aconteça”.
Segundo informações da Cooperativa dos Proprietários de Táxi de Natal (COOPTAX), um dos suspeitos de ter assaltado o senhor Luiz Norte tem as mesmas características de um bandido considerado o “terror dos taxistas”, pois ele seria responsável por mais de 15 ações criminosas contra os profissionais. “Foi a informação que nós recebemos também. Esse cara pede parada e depois de rodar algum tempo, ele realiza o assalto, deixando os taxistas sem roupas e também levando os veículos, provavelmente para realizar algum outro assalto, pois ele abandona o carro algumas horas depois”, explicou Wdarlan Rodrigues, presidente do Sindicato dos Taxistas (Sindtáxi).
Wdarlan também destacou que os taxistas que trabalham no período da noite são aconselhados a não aceitarem corridas de pessoas na rua. “Falamos para os taxistas aceitarem somente as chamadas por rádio. Exatamente na tentativa de evitar esses tipos de assaltos, que são a maioria. Dificilmente um criminoso faz um assalto em um ponto de táxi. Ele prefere levar o taxista para um local mais deserto e então anunciar o crime”.
Luiz Norte, inclusive, disse que sabia dos riscos de aceitar uma corrida de alguém na rua, mas que na hora “deu um branco”. “Não sei o que aconteceu. Muitas vezes pessoas me pediram parada na rua, no período da noite e eu não aceitei, pois sei dos riscos de acontecer casos como esse. Mas fica de alerta para a próxima vez eu não cometer esse erro”.
Por fim, Wdarlan adiantou que a categoria não pretende mais aceitar essa onda de violência. “Vamos ter que fazer alguma coisa. Não adianta culpar apenas o atual Governo, pois ele começou agora. Mas precisamos de alguma resposta do Estado. Vamos tentar alguma reunião. Se nada mudar, vamos começar a realizar protesto, pois não podemos mais continuar trabalhando nessas condições”.

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