O procurador da República Frederico Paiva, da força-tarefa
responsável pela Operação Zelotes, disse nesta segunda-feira, 25, que
documentos que tratam da possível atuação do ex-presidente Luiz Inácio
Lula da Silva na compra dos caças suecos Gripen, da Saab, pelo governo
federal estão sendo analisados em uma investigação da Polícia Federal e
do Ministério Público Federal. "Isso faz parte do novo inquérito, que
está em curso", explicou.
Segundo Paiva, apesar de
o fato estar sendo apurado, Lula não consta como investigado na
Operação Zelotes. O procurador disse estranhar o fato de o ex-presidente
ter sido intimado a depor pela PF no último dia 6 de janeiro. "Não
entendi o motivo de o delegado ter ouvido Lula nesse caso", declarou,
acrescentando que o policial deve ter suas razões. O petista falou na
condição de "informante".
A Zelotes denunciou 16
pessoas, entre lobistas e empresários, por suposto envolvimento na
"compra" de medidas provisórias editadas no governo federal e aprovadas
mais tarde pelo Congresso. Investigações sobre outros fatos, contudo,
continuam correndo. Em um inquérito que ainda tramita, a PF apura se
houve algum ilícito em pagamentos de R$ 2,5 milhões feitos pelo lobista
Mauro Marcondes Machado, um dos presos na Zelotes, à empresa de um dos
filhos do ex-presidente, o empresário Luís Cláudio Lula da Silva.
Marcondes representava montadoras e também o grupo que controla a Saab.
Como
revelou o estadao.com.br na sexta-feira, 22, a PF suspeita de que os
pagamentos a Luís Cláudio tenham relação não só com a edição de medidas
provisórias, mas também com o negócio dos caças suecos, que começou no
governo de Lula e foi concluído no primeiro mandato da presidente Dilma
Rousseff.
Um arquivo apreendido na empresa do
lobista citava uma "solicitação da empresa sueca para que o
ex-presidente levasse seu apoio à contratação da Saab para a presidente
Dilma". No depoimento do dia 6, a PF perguntou a Lula se os pagamentos
ao filho foram alguma "contraprestação" por serviços prestados pelo
petista à Saab para que viesse a vencer a concorrência dos caças Lula
negou veementemente e disse que a hipótese é um absurdo. No sábado, 26, a
revista "Veja" divulgou carta apreendida na Zelotes, na qual Mauro
Marcondes pede uma reunião com Lula para tratar dos caças.
Lobby
O
procurador rebateu nesta segunda afirmação de testemunhas de defesa,
ouvidas na Justiça federal, de que o processo de negociação das medidas
provisórias envolveu apenas ações lícitas de lobby, e não corrupção.
Segundo ele, a chamada "compra" das normas , que concederam incentivos
fiscais a montadoras de veículos, envolveu favores e vantagens para que
servidores públicos "lubrificassem" o processo de edição das MPs.
"Lubrificar", explicou, era o mesmo que pagar propina para facilitar a
tramitação.
O procurador disse que só o lobista
Mauro Marcondes recebeu, por meio de sua empresa, R$ 70 milhões de uma
das montadoras. "Ninguém paga R$ 70 milhões para alguém fazer reunião
com o segundo, terceiro escalão", declarou. No caso do Ministério da
Fazenda, ele exemplificou, não há nem registro de reunião.
O
investigador criticou ainda a tese das defesas de que os valores pagos
na atividade de lobby são altos para fidelizar os clientes: "O argumento
não tem base empírica, até porque (os lobistas) buscavam empresas
concorrentes". Paiva ponderou que em nenhum momento a denúncia procurou
criminalizar o lobby.
Segundo ele, foram usadas
empresas de fachada e parte do dinheiro foi repassada para agentes
públicos. "A busca dos advogados é tentar tumultuar, divergir da linha
que estamos adotando", criticou, acrescentando: "É triste ver que
advogados caros, bem remunerados, até agora não conseguiram nenhuma
testemunha de defesa que trouxesse algo aos autos. E nem vão trazer.
Esses são crimes cometidos entre quatro paredes. A prova é documental".
Na avaliação dos procurador, as provas apresentadas nos autos são
suficientes para condenação.
por: Agência Estado
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