O recém-nomeado comandante-geral da Polícia Militar, coronel
Dancleiton Pereira Leite, estimou um prazo de 90 dias para que o atual
quadro da segurança pública no Rio Grande do Norte seja revertido.
Dentro desse tempo, ele espera reduzir a violência e coibir a fuga de
detentos das unidades prisionais do Estado. Para isso, uma série de
ações deve ser posta em prática já nos próximos dias, seguindo a linha
“tolerância zero”.
De acordo com Dancleiton,
nomeado chefe do Comando da PM há apenas quatro dias, após a exoneração
do coronel Ângelo Dantas do cargo, é inadmissível que a população se
torne refém dos criminosos quando, na realidade, deveria ser exatamente o
contrário. “Quem tem que ter medo é quem anda errado”, disse na
entrevista coletiva concedida na manhã de ontem.
Segundo
ele, a intenção é transformar o Rio Grande do Norte, a partir de agora,
em um estado “inseguro para os bandidos”. “Quero que os criminosos, ao
verem a divisa da Paraíba com o nosso estado, parem e pensem: ‘aqui
não’”, ilustrou.
Esse é objetivo final da operação
“Tolerância Zero”, como o próprio comandante batizou, que deve ser
instaurada já no próximo final de semana. Segundo o coronel, essa será
uma ação integrada entre todos os comandos da PM no estado (Comando de
Policiamento Metropolitano, Comando de Policiamento do Interior e
Comando de Policiamento Rodoviário Estadual), que agirão em conjunto
para diminuir os índices de violência, começando no sábado (30).
Ele
citou como exemplo a apreensão de 7 mil motocicletas irregulares no ano
passado e a relação com a diminuição de certos tipos de crimes. De
acordo com Dancleiton, ao tirar das ruas esses veículos, bastante
utilizados por criminosos que escapam com mais facilidade no trânsito,
isso implicou também em uma queda no número de delitos cometidos.
Além
de um policiamento preventivo, o novo comandante também quer que os
Batalhões de Choque (BPChope) e de Operações Especiais (BOPE) realizem
mais abordagens nas ruas – sobretudo no período da madrugada.
Para
tal, a Polícia Militar receberá o reforço de veículos adquiridos em
parceria com a Força Nacional. São seis caminhonetes seminovas que serão
divididas entre os dois batalhões. Os automóveis estão sendo adesivados
para serem entregues e estarem em uso até a próxima sexta-feira (29).
Outros
54 carros deverão estar à disposição da PM em breve, totalizando 60
viaturas para serem utilizadas no policiamento da capital e do interior
do estado. Esse, segundo explica o coronel Dancleiton, foi uma
reivindicação pessoal ao governador Robinson Faria. “Eu não posso ser
comandante sem as condições mínimas para ser comandante”, destacou.
Mais
uma ação que pretende implementar nos próximos meses é o reabertura do
Comando de Operações Integradas (COPI), realizando ações no interior do
estado. Para esta finalidade, o coronel quer equipar 12 viaturas com
quatro policiais cada. Elas atuarão de forma itinerante, viajando por
municípios do interior do RN, com o intuito de anteceder crimes como a
explosão de caixas eletrônicos – modalidade que tem se tornado comum nos
últimos anos.
Não apenas os grandes delitos devem
se tornar o alvo dos policiais nas atividades orquestradas pelo novo
comando. Os pequenos crimes, como roubos e furtos, também serão alvos
das ações mais enérgicas dos agentes de segurança pública. A intenção é,
dessa forma, enfraquecer grandes organizações criminosas.
Policiamento será reforçado nos presídios
No
mesmo dia que saiu suas nomeações no Diário Oficial do Estado (DOE), no
sábado passado (23), os novos comandante-geral e subcomandante da PMRN,
Sávio Silva, visitaram alguns dos presídios potiguares que sofreram,
recentemente, com fugas de detentos.
Apenas nos
primeiros 25 dias de 2016, foram contabilizados oito escapadas e 85
detentos foragidos das penitenciárias e cadeias públicas do Rio Grande
do Norte. Desse total, apenas dez conseguiram ser recapturados pelos
agentes de segurança pública do estado, um foi encontrado morto e outros
74 ainda estão nas ruas, escondidos da polícia ou cometendo novos
crimes.
Em Alcaçuz, maior presídio do estado e de
onde fugiram, somente na semana passada, 13 detentos, os coronéis
Dancleiton Pereira e Sávio Silva encontraram várias das guaritas
deterioradas, apesar de todas já estarem funcionando, com um policial de
guarda, como determinou o governador Robinson Faria na última
quinta-feira, após uma reunião com a cúpula de segurança.
Somente
na penitenciária localizada em Nísia Floresta, distante 30 km de Natal,
estão presos cerca de 1100 homens. A capacidade oficial da unidade, no
entanto, é de apenas 620 presos.
Para auxiliar na
patrulha e no impedimento de novas fugas, o comandante anunciou que duas
das novas caminhonetes adquiridas serão entregue à guarda de Alcaçuz.
De
acordo com o subcomandante Sávio Silva, a progressão natural, porém, é
que os policiais que hoje são exclusivos da guarda externa e nas dez
guaritas da penitenciária sejam remanejados para as ruas, no futuro.
“Esse
trabalho é realizado pela Companhia de Guarda, mas futuramente, quando a
Sejuc [Secretaria do Estado da Justiça e da Cidadania] assumir as
guaritas, esses policiais irão para as ruas”, explicou, acrescentando
que corrobora da opinião do comandante-geral, que reclamou da estrutura
das torres de vigia e cobrou um reforço nessas estruturas.
A
retirada desses PMs das guaritas, porém, não significa a extinção da
Companhia de Guarda que, segundo ele, também cobre outras demandas. Além
de Alcaçuz, os dois também visitaram a Cadeia Pública de Natal, de onde
escaparam 46 no início do ano.
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