quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Guarda Municipal ameaça greve e chama prefeito de omisso

GREVE
 
A Guarda Municipal de Natal votará um indicativo de greve no dia 17 deste mês. A decisão foi aprovada nesta quarta-feira (03) em uma assembleia que reuniu mais de 100 servidores. Os guardas também deliberaram cruzar os braços por 24h ao longo do dia 11 de agosto. A categoria critica o prefeito Carlos Eduardo, a quem chama de "omisso" e diz que ele está, equivocadamente, transferindo para o governo estadual a responsabilidade pela segurança. 
 
"O prefeito foge da sua responsabilidade com a segurança pública, se omite e transfere esta responsabilidade unicamente para o governo estadual. A prefeitura trata como se segurança fosse só iluminação, mas Natal se encontra entre as cidades mais perigosas do país por causa dessa falta de investimento", afirma o presidente do Sindicato de Guardas Municipais do RN, Souza Júnior.
 
"O prefeito teve quatro anos para investir em segurança e aprovar o PCCR, mas foi omisso e hoje nega os nossos direitos sob a alegação da Lei Eleitoral. Não se pode fazer vista grossa para o que está acontecendo com a população e a Prefeitura Municipal está fugindo da sua responsabilidade", acrescentou.
 
Uma assembleia realizada pela categoria no dia 27 passado havia aprovado uma paralisação para a quarta-feira (03). Entretanto, em virtude dos atentados promovidos por facções criminosas desde a última sexta-feira (29), a paralisação praticamente não teve adesão dos guardas. "A paralisação não chegou a ser adiada, mas houve uma sensibilização da categoria com os últimos acontecimentos; então continuamos trabalhando e aprovamos um novo indicativo para o dia 17", esclarece Souza Júnior.
 
Dentre as principais reivindicações da Guarda Municipal está a renovação do fardamento e investimento em equipamentos de trabalho, como coletes à prova de balas, por exemplo. A categoria também reivindica a aprovação do Plano de Cargos, Carreira e Remuneração (PCCR) que foi vetada pela Prefeitura Municipal. 
 
Em resposta, a assessoria da Secretaria Municipal de Defesa Social declara que o fardamento já foi solicitado e deve ser entregue entre os meses de setembro e outubro. No que diz respeito a aprovação do PCCR, a Prefeitura Municipal de Natal declara que o veto foi motivado pela Lei Eleitoral, que proibe o prefeito de autorizar qualquer aumento salarial no período de seis meses que precede as eleições. Em 2016, este prazo foi até o dia 05 de abril.
 
Para o presidente do Sindguard, existe uma negligência da Prefeitura de Natal no que diz respeito à segurança pública. Souza Júnior alega que as reivindicações da Guarda Municipal de Natal são antigas e por isso não podem ser justificadas pela Lei Eleitoral. 
 
O presidente do sindicato afirma ainda que existe uma omissão do poder executivo municipal, responsável pela classificação da capital potiguar entre as mais violentas do país. De acordo com o relatório publicado em janeiro deste ano pela ONG mexicana Conselho Cidadão para a Segurança Pública e Justiça Pena, Natal é a segunda cidade mais violenta do país com base nas taxas de homicídio.
 
Em resposrta, o comandante da Guarda Municipal, Michel Dantas, disse que a Prefeitura de Natal reconhece os erros e está disposta a reverter a situação assim que for possível para o prefeito. 
 
Desde a última sexta-feira, quando facções criminosas iniciaram uma série de atentados no Rio Grande do Norte, a Guarda Municipal passou a atuar com um efetivo extra. Ao todo são 100 servidores divididos entre rondas e postos físicos e dez viaturas atuando no patrulhamento de escolas, unidades de saúde e terminais de ônibus, segundo informações da  Secretaria Municipal de Defesa Social (Semdes).
 
"Não é uma questão de suporte. A Guarda é uma instituição de segurança pública e deve prestar esse serviço para população. Questionamos o prefeito Carlos Eduardo pela falta de investimentos em políticas de segurança. Existe uma omissão da prefeitura com relação a isso, mas também existe uma preocupação dos guardas com a situação atual", ressalta Souza Júnior.
 
 

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