sábado, 7 de fevereiro de 2015

Motoristas voltam a sofrer com buracos no KM 6 e relatam acidentes diários. Crateras abriram um mês após asfalto ter passado por recapeamento

TORMENTO

Buracos-na-avenida-Industrial-Joao-Francisco-da-Mota-com-avenida-Capitao-Mor-Gouveia-WR--(13)
Alessandra Bernardo
alessabsl@gmail.com
O trânsito no cruzamento da BR-226 e a Avenida Capitão-Mor Gouveia virou sinônimo de veículos danificados, acidentes e muitos aborrecimentos para motoristas e motociclistas que trafegam no local, passagem obrigatória para quem vai para o bairro de Felipe Camarão. Uma enorme cratera, formada por diversos buracos de vários níveis de profundidades e tamanhos, se formou cobrindo a área e causando enormes problemas para todos que passam por ali.
O trecho, que havia sido recuperado em dezembro passado, não passou nem um mês inteiro, conforme denúncias de moradores e comerciantes da região, que pedem um conserto definitivo do asfalto. Eles reclamaram que o material usado é de péssima qualidade e que a camada de asfalto aplicada é muito fina, por isso, não suporta o intenso fluxo de veículos pesados, compostos por ônibus e caminhões de transporte de carga e carretas.
“Para completar a situação, uma tubulação do sistema de abastecimento se rompeu na Mor Gouveia há cerca de 15 dias e passou vários dias jorrando água, que descia em direção aos buracos, ampliando o tamanho deles. Só depois de vários dias é que uma equipe da Caern veio, mexeu no local e foi embora, sem fazer o reparo definitivo. A situação piorou até chegar ao que estamos vendo aqui hoje”, disse o comerciante Roni Lima.
Ele disse que os acidentes, envolvendo principalmente as motocicletas e veículos de passeio, são diários e que até os caminhões e carretas sofrem com o problema, já que muitos não conseguem passar pelos buracos sem bater partes das carrocerias nos batentes surgidos com o tempo. “Todo dia, vemos alguma coisa, basta sentar aí na frente e esperar. O trânsito está terrível, todo atrapalhado porque os condutores precisam fazer várias manobras para não cair na cratera”, afirmou.
A motorista Cláudia Lopes, que passa diariamente pelo trecho, informou que tenta, de todas as formas, fugir dos buracos, mas que nem sempre isso é possível. E que seu veículo só não sofreu nenhum dano maior porque, ao trafegar pelo local, ela praticamente passa pela área do posto de combustíveis situado quase em frente à fenda, que toma as duas pistas da rodovia federal.
“Isso é uma tremenda falta de respeito com o contribuinte, é um absurdo. Tem que prestar muita atenção na hora de passar por aqui, porque o risco de um dano ou algo mais grave acontecer é muito grande. Parece que não estão nem aí para essa situação, como se não fosse importante, mas se continuar assim, daqui a pouco, ninguém mais conseguirá atravessar isso aqui”, desabafou.
Motociclistas são principais vítimas
De passagem pelo local, o motociclista Ricardo Simon falou que já levou alguns sustos provocados pelo transtorno e que já viu muitos colegas se machucarem no trecho, ao caírem tentando passar no local. Ele explicou que todos os dias escuta relatos de quedas e outros acidentes e que não acredita que o transtorno seja temporário.
“Isso aqui é antigo, sempre que consertam, não passa um ou dois meses e arrebenta tudo de novo. Eles usam material de péssima qualidade para fazer uma camada fina de asfalto e dá nisso. Ontem mesmo, vinha um carro transportando água mineral e na hora em que o motorista passou pelos buracos, uns 20 garrafões caíram do carro e estouraram no chão”, afirmou.
O entregador Jonas Tavares também já caiu no trecho e disse que sempre que é possível, evita passar pela BR-226. “Mesmo com toda atenção do mundo, você pode cair e se machucar. Ainda temos que ter cuidado com os motoristas que não conhecem a situação do trecho e quase sempre batem o chassi nos degraus formados na pista. Tem muito acidente também porque o povo se assusta e freia o veículo de repente, fazendo com que o carro de trás colida com o da frente”, explicou.
Prefeitura deve resolver problema nos próximos meses
A Superintendência Regional do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) no Rio Grande do Norte, comunicou que o trecho reclamado foi entregue à Prefeitura de Natal em dezembro de 2012 para as obras realizadas entre as zonas Sul e Oeste desde o ano passado. E que, por este motivo, não pode intervir na área, para não desrespeitar o acordo firmado com o executivo municipal.
O coordenador da Regional Natal-Sul da Caern, Lamarcos Teixeira, explicou que o vazamento ocorrido na Capitão-Mor Gouveia foi contornado e que a partir da próxima segunda-feira (09), toda a tubulação de cimento amianto será substituída por PVC. Esse serviço deve durar cinco dias. “Depois, faremos a recuperação do trecho usando a mistura de concreto e asfalto, que confere maior durabilidade exigida para a área, que apresenta intenso movimento de veículos pesados”, falou.
Já o secretário municipal de Obras Públicas e Infraestrutura, Tomaz Neto, informou que o reparo da área integra um conjunto de ações em mobilidade urbana que beneficiará ainda as avenidas Felizardo Moura e Jerônimo Câmara e que não há prazo determinado para isso. Ele explicou que o problema recorrente é causado sobretudo pela água servida que é jogada na via e que contribui para o desgaste do asfalto.
“Ali são feitos reparos constantes, mas sempre acaba estourando o asfalto em pouco tempo. O problema é a grande quantidade de água servida que escorre na região e que é fruto, em parte, da falta de educação das pessoas. No projeto de recuperação da área, está prevista a aplicação de uma camada de asfalto de oito centímetros de altura, para agüentar o fluxo de caminhões, carretas e ônibus na via, mas infelizmente, como depende de outros serviços, não há prazo para resolver esse problema”, disse.

Nenhum comentário:

Postar um comentário