Ao mesmo tempo em que o novo comandante-geral da PMRN,
Dancleiton Pereira Leite, recebia a imprensa pra tratar do plano de ação
da segurança pública para os próximos dias e meses, uma assembleia
reunia cabos e soldados de diversos municípios potiguares em outro ponto
da cidade. A categoria criticava duramente as palavras do governador
Robinson Faria que, na semana passada, cobrou dos policiais uma atitude
mais enérgica no combate ao crime no Estado.
De
acordo com os PMs que estavam na reunião – que também acabou ganhando
ares de protesto –, o chefe do Executivo norte-rio-grandense deu a
entender, em seu discurso, que o problema da insegurança tinha origem na
instituição, que não estaria desempenhando um papel satisfatório.
No
entanto, para os servidores, foi o governo que descumpriu diversos
acordos feitos com a categoria no início da gestão como, por exemplo, o
pagamento de diárias operacionais e a promoção de cargos para diversos
policiais. A insatisfação estourou com o desligamento do ex-comandante
Ângelo Dantas.
“A fala do governador, jogando a
responsabilidade para a Polícia Militar, causou uma revolta muito
grande”, disse o presidente da Associação de Cabos e Soldados (ACS)
Roberto Campos.
Para ele, a pressão da sociedade
civil, como também do Ministério Público, que saíram em defesa dos PMs,
foi a principal aliada da categoria nesse momento. “Até como uma
resposta às pessoas que acreditam na polícia estamos aqui cobrando
melhores condições de trabalho”, justificou.
A
assembleia previa ainda uma caminhada até a Governadoria, onde os
policiais tentariam ser recebidos por Robinson Faria. Também havia,
mesmo que remota, a possibilidade de que uma greve da categoria fosse
instaurada, caso os problemas apontados não tivessem alguma resposta.
Em
meio à confusão, o novo comandante-geral foi recebido pelos cabos e
soldados. Ele trazia os papéis da promoção de 1039 policiais, que estava
pendente desde o último mês de dezembro. A medida visava impedir, com
sucesso, que a passeata pelas ruas fosse realizada.
“Isso
mostraria para a população uma polícia enfraquecida e aumentaria a
sensação de medo. Tudo que o bandido quer”, destacou o coronel
Dancleiton Leite aos policiais.
Até mesmo as
promoções, porém, eram vistas com desconfiança pelos representantes da
associação. O receio era o de que o aumento salarial não acompanhe o
novo cargo. Essa possibilidade, no entanto, foi afastada pelo atual
comandante que, enfático, disse que o governo “tem que arrumar dinheiro
para a PM”.
Além das promoções dos soldados (que
passarão a cabos) e cabos (que passarão a terceiro sargentos), o comando
da PMRN garantiu ainda o pagamento das diárias operacionais referentes a
dezembro e que ainda não haviam sido depositadas.
O
valor do vale alimentação para os praças também sofreu um aumento de R$
10 para R$ 12. A intenção é chegar até R$ 15. “Ninguém come mais com R$
10”, apontou Dancleiton Leite.
Após a saída do
coronel, no entanto, o restante da assembleia transcorreu normalmente.
De acordo com o sargento Eliabe Alves, presidente da Associação dos
Subtenentes e Sargentos Policiais e Bombeiros Militares do Estado
(ASSPMBMRN), um documento com novas reivindicações será elaborado e
espera a compreensão do atual comandante para solucionar mais esses
problemas.
Novas promoções de policiais militares estão previstas para os próximos meses, em abril e agosto.
ORAÇÃO
Um
momento inusitado da assembleia aconteceu quando uma oração, pedindo
para abençoar o comandante-geral Dancleiton Pereira Leite, assim como
todo o estado do Rio Grande do Norte, foi iniciada e tomou a atenção de
todos os presentes.
O coronel, que é pastor evangélico, foi
quem pediu para que outro policial fizesse a prece. No discurso, o
orador pediu a Deus para intervir na segurança do estado.
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