A vantagem de Natal como candidata a sede do hub da TAM no Nordeste
aumentou nesta semana com o anúncio da informação que a Azul Linhas
Aéreas vai operar vôos para 12 novos destinos nacionais partindo de
Recife, a começar do próximo mês. Apesar de parecer contraditório, é
nisso que acreditam autoridades potiguares e especialistas. A partir de
Pernambuco, a companhia vai receber pousos e decolagens de todas as
capitais do Nordeste e de várias cidades do país. Entretanto, a Azul
negou que a estrutura seja um hub, como anunciado pela imprensa
pernambucana.
Especialistas afirmam que o
aumento das operações no terminal dos Guararapes, localizado na capital
pernambucana, deve desencorajar a Latam (fusão da brasileira TAM com a
chilena LAN) a investir lá os R$ 10 bilhões previstos na implantação do
seu centro de conexões (hub) para atender até 80 destinos
internacionais. Isso porque o aeroporto já tinha pouco espaço para
expansão e não deverá ter capacidade para atender a dois “hubs”.
Concorrem ao investimento Natal, Recife e Fortaleza.
O
aeroporto Internacional Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante,
Região Metropolitana de Natal, teria espaço para sediar até quatro
centros de conexões nacionais e outros dois internacionais (no porte do
que a Latam pretende construir), segundo apontou o consultor e
especialista em energia e logística, Jean-Paul Prates, do Centro de
Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne). Ele reforçou que
atualmente nenhum aeroporto entre os concorrentes atende a toda a
necessidade da Latam, mas Natal é o único com capacidade para tanto. “A
TAM vai avaliar isso. Os concorrentes não têm espaço para expansão. Isso
já está comprovado pelos pedidos que fizeram ao governo federal para
ficarem com as áreas militares. A grande vantagem da TAM em Natal é que
ela não vai ter limites para construir”, afirma.
Prates ainda avalia que associar a concentração dos
novos vôos em Recife a um hub foi mais uma jogada de marketing do
governo pernambucano. “Um hub é um conceito muito mais extenso que
congregação de vôos”, considera. O hub, de acordo com ele, exige
investimento em construções de estruturas exclusivas, como base para a
tripulação, sede operacional, hangar, oficina, entre outros. Em uma
central como essa, as companhias precisam de estrutura para rotear voos e
remanejar cargas.
O secretário de Turismo do Rio
Grande do Norte, Ruy Gaspar, que ficou responsável dentro do governo
pelas articulações em torno do hub da Latam, lembra que Recife já era a
principal base da Azul no Nordeste e que a ampliação das operações já
era esperada por quem acompanha o mercado da aviação civil. “Eu acredito
que Pernambuco seja o melhor local para um hub regional. Reforço:
regional. Isso por causa da própria economia e da localização. Mas esse
hub exclui Recife da disputa da TAM. Ela não tem capacidade de expansão
para atender dois”, argumenta.
Gaspar não descartou que o número de vôos da TAP também
possa aumentar em Recife. A companhia portuguesa foi comprada pela Azul
e seus aviões poderiam embarcar lá passageiros oriundos de várias
regiões do país, que chegariam através da companhia brasileira.
A
mesma possibilidade é apontada pelo Carlos Alberto Medeiros, professor
de Logística no curso de Administração da Universidade Federal do Rio
Grande do Norte. Para ele, apesar de a empresa não querer dar nome de
hub, a concentração dos vôos, inclusive com a vocação de fazer ligação
para Europa (através da TAP) já caracterizaria um.
A crise econômica teria sido a principal
motivação para o adiamento da decisão da TAM – prevista para dezembro e
deixada para o primeiro semestre deste ano. Apesar disso, Carlos
Alberto acredita que a definição será, de fato, até junho, já que a
empresa fechou acordos comerciais com a IAG (controladora do British
Airways, Iberia e Vueling) e com a American Airlines. As empresas
fizeram um contrato “joint venture” - expressão que define a união de
pelo menos duas empresas para realizar uma atividade econômica comum.
Elas vão compartilhar acentos e destinos. De acordo com a TAM, os
acordos vão possibilitar que o hub do Nordeste atenda 80 destinos
internacionais, ao invés de 10 esperados anteriormente. “O hub vai
atender todas essas companhias. Precisa de uma área de expansão muito
grande que só Natal tem”, aponta.
“É inevitável
que o hub (da TAM) se instale. Mesmo com o país em crise, o aumento do
comércio internacional, com grande rotatividade de carga, e o
crescimento da própria aviação civil exige isso”, conclui Carlos
Alberto.
por:Igor Jácome/NOVO
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