Em funcionamento desde dezembro do ano passado, a demanda do
Hospital Municipal Dr. Newton Azevedo mais que triplicou nos últimos
três meses, causando superlotação e filas de pacientes que chegam à
unidade em busca de auxílio médico. Enquanto que, logo após a
inauguração, o hospital registrava uma média de 150 atendimentos por
dia, esse número já chega a 500 pessoas hoje.
Devido
ao espaço reduzido para receber os pacientes e seus acompanhantes,
muitos se aglomeram na calçada, que não oferece nenhum tipo de conforto.
A direção do hospital reconhece que precisa lidar com uma demanda maior
do que a unidade pode conter, mas também esclarece que está buscando
soluções alternativas para não deixar de atender à população.
Uma delas é a criação de uma ala temporária
para hidratação e recuperação dos pacientes que chegam queixando-se de
dores no corpo e na cabeça, náusea e diarreia. Esses têm sido os
sintomas da grande maioria das pessoas que procuram o Hospital
Municipal, podendo indicar tanto a infecção por dengue ou zika, como
também da mais recente virose da mosca.
Os sinais
da doença são diarreia, náuseas, vômitos, dores abdominais, febre baixa e
dores pelo corpo. A transmissão pode acontecer após uma pessoa ingerir
alimentos ou líquidos infectados com resíduos deixados por moscas. Os
agentes transmissores podem ser vírus ou bactérias.
Além
do Rio Grande do Norte, há suspeitas de que o Estado do Ceará também
esteja passando por um surto da doença. Apesar de não ter nada
comprovado, a Secretaria do Estado da Saúde Pública (Sesap) vem mantendo
contato com o governo cearense e com o Ministério da Saúde para buscar
informações e possíveis soluções para o problema.
Os surtos epidêmicos, tanto de dengue e
zika quanto da virose da mosca, inclusive, são apontados pela direção do
hospital como responsáveis pela procura anormal por atendimento. De
acordo com a diretora Cecília Karla Picinin, o mais provável é que o
número de pacientes diminua com a redução dos casos de virose.
“A
demanda aumentou consideravelmente. Nós realmente temos uma virose
circulando que tem trazido muitos pacientes para cá com os mesmos
sintomas. Mas além dessas viroses, também temos a zika, a chikungunya e a
dengue”, destaca.
No entanto, a diretora ressalta
que um aumento na demanda de pacientes já era esperado após algum
tempo. “Essa média de 150 pacientes por dia foi bem no início, quando as
pessoas ainda estavam se habituando ao novo endereço do hospital. Agora
que a população já tem esse conhecimento e nos procura, a demanda
aumentou naturalmente”, esclarece.
ESPERA
Além
da falta de espaço, muitos pacientes e acompanhantes também reclamam do
tempo de espera, que chega a ultrapassar cinco horas entre o primeiro
atendimento, realização de exames e diagnóstico. De acordo com a
diretora Cecília Karla, esta demora está longe do ideal de apenas 30
minutos que, segundo ela, seria o adequado.
“Mas
conseguir isso é quase um sonho. Até hospitais de rede particulares
estavam fechando temporariamente a clínica médica por não dar conta da
demanda, que é grande demais”, diz.
Aguardando do
lado de fora da unidade, o porteiro João Milton dos Santos estava
impaciente. A sua esposa, Clea Ferreira, sentia fortes dores de cabeça,
mal-estar e apresentava manchas vermelhas pelo corpo. A suspeita é de
que ela estivesse com dengue, mas mesmo assim não conseguia uma cadeira
na sala de espera do hospital.
“Não tem condições
de ficarmos lá dentro. É muita gente. O problema é que fecha um hospital
para abrir outro, mas não aumenta a capacidade de atendimento”,
reclama.
Segundo João Milton, a esposa começou a apresentar os sintomas na sexta-feira. No sábado, eles foram à unidade.
“Chegamos
aqui de meio-dia e saímos só às 7h da noite sem conseguir fazer o
exame”, relata, acrescentando que deixou de trabalhar para acompanhar a
mulher no hospital.
Casos de diarreia crescem 20%
Dados
da Secretaria Estadual de Saúde (Sesap) apontam que, da primeira semana
de janeiro até o último dia 13, 3.253 pessoas tiveram diarreia aguda no
Estado. O número é 20% maior que o mesmo período de 2015, que teve
2.600 casos registrados.
Os sintomas da doença que
vem sendo chamada por virose da mosca são diarreia, náuseas, vômitos,
dores abdominais, febre baixa e dores pelo corpo. A transmissão acontece
após uma pessoa ingerir alimentos ou líquidos infectados com resíduos
deixados pelo inseto. Os agentes transmissores podem ser vírus ou
bactérias. Até o dia 31 de janeiro, Natal teve 1.655 casos de doenças
diarreicas.
A Sesap está investigando a causa do
aumento de doenças diarreicas agudas. As amostras de água e fezes estão
sendo analisadas pelo Laboratório Central (Lacen). Está chamando a
atenção da Subcoordenadoria de Vigilância Epidemiológica (SUVIGE) o
número de municípios com casos da doença diarreica aguda acima do
esperado.
De acordo com as estatísticas da SUVIGE,
na primeira semana epidemiológica, 51% dos municípios que enviaram
notificação para o Sistema de Informação Sivep DDA apresentaram aumento
de casos. Na segunda semana este percentual correspondeu a 40%. Na
terceira semana epidemiológica, dos 98 municípios que informaram seus
dados, 56% apresentaram elevação no número de casos. Na quarta semana a
elevação foi em 68% das cidades e na semana mais recente, 63% .
As
doenças diarreicas são causadas por diferentes agentes etiológicos
(bactérias, vírus e parasitas), cuja manifestação predominante é o
aumento do número de evacuações, com fezes aquosas ou de pouca
consistência. Pode ser acompanhada de náusea, vômito, febre e dor
abdominal.
No geral, é autolimitada, com duração
entre 2 a 14 dias. As formas variam desde leves até graves, com
desidratação e distúrbios eletrolíticos, principalmente quando
associadas à desnutrição. O modo de transmissão ocorre por via
fecal-oral. Pode ser por contato pessoa a pessoa, por meio de água e
alimentos ou por objetos contaminados.
PREVENÇÃO
Algumas
formas simples de prevenção são lavar sempre as mãos antes e depois de
utilizar o banheiro, trocar fraldas, manipular/preparar os alimentos,
amamentar e tocar em animais. Também recomenda que se lave e desinfete
as superfícies, utensílios e equipamentos usados na preparação de
alimentos, assim como os alimentos e as áreas da cozinha devem ser
protegidas contra insetos, animais de estimação e outros.
Também
é necessário tratar a água para beber (por meio de fervura ou colocar
duas gotas de hipoclorito de sódio a 2,5% para cada litro de água, mexer
com colher e aguardar por 30 minutos antes de consumir), guardar a água
tratada em vasilhas limpas para evitar a recontaminação. O hipoclorito é
distribuído no Sistema Único de Saúde, por meio da Atenção Básica. Além
desses cuidados, deve-se evitar utilizar água de riachos, rios,
cacimbas ou poços contaminados, ensacar e manter a tampa do lixo sempre
fechada.
RAIO X
3.253
pessoas que tiveram diarreia aguda no Estado da primeira semana de janeiro até o último dia 13
20%
maior que o mesmo período de 2015, que teve 2.600 casos registrados
1.655
casos de doenças diarreicas foram registrados em Natal até o dia 31 de janeiro
500
pacientes são atendidos em média hoje no Hospital Municipal Dr. Newton Azevedo
Nenhum comentário:
Postar um comentário