sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Hospital Municipal triplica a demanda em apenas três meses

HOSPITAL MUNICIPAL

Em funcionamento desde dezembro do ano passado, a demanda do Hospital Municipal Dr. Newton Azevedo mais que triplicou nos últimos três meses, causando superlotação e filas de pacientes que chegam à unidade em busca de auxílio médico. Enquanto que, logo após a inauguração, o hospital registrava uma média de 150 atendimentos por dia, esse número já chega a 500 pessoas hoje.
 
Devido ao espaço reduzido para receber os pacientes e seus acompanhantes, muitos se aglomeram na calçada, que não oferece nenhum tipo de conforto. A direção do hospital reconhece que precisa lidar com uma demanda maior do que a unidade pode conter, mas também esclarece que está buscando soluções alternativas para não deixar de atender à população.
 
// Hospital Municipal Dr. Newton Azevedo registra superlotação e devido ao espaço reduzido para receber os pacientes e seus acompanhantes, muitos se aglomeram na calçada
 
Uma delas é a criação de uma ala temporária para hidratação e recuperação dos pacientes que chegam queixando-se de dores no corpo e na cabeça, náusea e diarreia. Esses têm sido os sintomas da grande maioria das pessoas que procuram o Hospital Municipal, podendo indicar tanto a infecção por dengue ou zika, como também da mais recente virose da mosca.
 
Os sinais da doença são diarreia, náuseas, vômitos, dores abdominais, febre baixa e dores pelo corpo. A transmissão pode acontecer após uma pessoa ingerir alimentos ou líquidos infectados com resíduos deixados por moscas. Os agentes transmissores podem ser vírus ou bactérias.
 
Além do Rio Grande do Norte, há suspeitas de que o Estado do Ceará também esteja passando por um surto da doença. Apesar de não ter nada comprovado, a Secretaria do Estado da Saúde Pública (Sesap) vem mantendo contato com o governo cearense e com o Ministério da Saúde para buscar informações e possíveis soluções para o problema.
 
// Cecília Karla Picinin, diretora do Hospital Municipal: “Realmente temos uma virose circulando”
 
Os surtos epidêmicos, tanto de dengue e zika quanto da virose da mosca, inclusive, são apontados pela direção do hospital como responsáveis pela procura anormal por atendimento. De acordo com a diretora Cecília Karla Picinin, o mais provável é que o número de pacientes diminua com a redução dos casos de virose.
 
“A demanda aumentou consideravelmente. Nós realmente temos uma virose circulando que tem trazido muitos pacientes para cá com os mesmos sintomas. Mas além dessas viroses, também temos a zika, a chikungunya e a dengue”, destaca.
 
No entanto, a diretora ressalta que um aumento na demanda de pacientes já era esperado após algum tempo. “Essa média de 150 pacientes por dia foi bem no início, quando as pessoas ainda estavam se habituando ao novo endereço do hospital. Agora que a população já tem esse conhecimento e nos procura, a demanda aumentou naturalmente”, esclarece.
 
ESPERA
 
Além da falta de espaço, muitos pacientes e acompanhantes também reclamam do tempo de espera, que chega a ultrapassar cinco horas entre o primeiro atendimento, realização de exames e diagnóstico. De acordo com a diretora Cecília Karla, esta demora está longe do ideal de apenas 30 minutos que, segundo ela, seria o adequado. 
 
“Mas conseguir isso é quase um sonho. Até hospitais de rede particulares estavam fechando temporariamente a clínica médica por não dar conta da demanda, que é grande demais”, diz.
 
Aguardando do lado de fora da unidade, o porteiro João Milton dos Santos estava impaciente. A sua esposa, Clea Ferreira, sentia fortes dores de cabeça, mal-estar e apresentava manchas vermelhas pelo corpo. A suspeita é de que ela estivesse com dengue, mas mesmo assim não conseguia uma cadeira na sala de espera do hospital.
 
“Não tem condições de ficarmos lá dentro. É muita gente. O problema é que fecha um hospital para abrir outro, mas não aumenta a capacidade de atendimento”, reclama.
 
Segundo João Milton, a esposa começou a apresentar os sintomas na sexta-feira. No sábado, eles foram à unidade.
 
“Chegamos aqui de meio-dia e saímos só às 7h da noite sem conseguir fazer o exame”, relata, acrescentando que deixou de trabalhar para acompanhar a mulher no hospital.
 
Casos de diarreia crescem 20%
 
Dados da Secretaria Estadual de Saúde (Sesap) apontam que, da primeira semana de janeiro até o último dia 13, 3.253 pessoas tiveram diarreia aguda no Estado. O número é 20% maior que o mesmo período de 2015, que teve 2.600 casos registrados.
 
Os sintomas da doença que vem sendo chamada por virose da mosca são diarreia, náuseas, vômitos, dores abdominais, febre baixa e dores pelo corpo. A transmissão acontece após uma pessoa ingerir alimentos ou líquidos infectados com resíduos deixados pelo inseto. Os agentes transmissores podem ser vírus ou bactérias. Até o dia 31 de janeiro, Natal teve 1.655 casos de doenças diarreicas. 
 
// Pacientes chegam com dengue, zika e virose da mosca
 
A Sesap está investigando a causa do aumento de doenças diarreicas agudas. As amostras de água e fezes estão sendo analisadas pelo Laboratório Central (Lacen). Está chamando a atenção da Subcoordenadoria de Vigilância Epidemiológica (SUVIGE) o número de municípios com casos da doença diarreica aguda acima do esperado.
 
De acordo com as estatísticas da SUVIGE, na primeira semana epidemiológica, 51% dos municípios que enviaram notificação para o Sistema de Informação Sivep DDA apresentaram aumento de casos. Na segunda semana este percentual correspondeu a 40%. Na terceira semana epidemiológica, dos 98 municípios que informaram seus dados, 56% apresentaram elevação no número de casos. Na quarta semana a elevação foi em 68% das cidades e na semana mais recente, 63% .
 
As doenças diarreicas são causadas por diferentes agentes etiológicos (bactérias, vírus e parasitas), cuja manifestação predominante é o aumento do número de evacuações, com fezes aquosas ou de pouca consistência. Pode ser acompanhada de náusea, vômito, febre e dor abdominal. 
 
No geral, é autolimitada, com duração entre 2 a 14 dias. As formas variam desde leves até graves, com desidratação e distúrbios eletrolíticos, principalmente quando associadas à desnutrição. O modo de transmissão ocorre por via fecal-oral. Pode ser por contato pessoa a pessoa, por meio de água e alimentos ou por objetos contaminados.
 
PREVENÇÃO
 
Algumas formas simples de prevenção são lavar sempre as mãos antes e depois de utilizar o banheiro, trocar fraldas, manipular/preparar os alimentos, amamentar e tocar em animais. Também recomenda que se lave e desinfete as superfícies, utensílios e equipamentos usados na preparação de alimentos, assim como os alimentos e as áreas da cozinha devem ser protegidas contra insetos, animais de estimação e outros.
 
Também é necessário tratar a água para beber (por meio de fervura ou colocar duas gotas de hipoclorito de sódio a 2,5% para cada litro de água, mexer com colher e aguardar por 30 minutos antes de consumir), guardar a água tratada em vasilhas limpas para evitar a recontaminação. O hipoclorito é distribuído no Sistema Único de Saúde, por meio da Atenção Básica. Além desses cuidados, deve-se evitar utilizar água de riachos, rios, cacimbas ou poços contaminados, ensacar e manter a tampa do lixo sempre fechada.
 
RAIO X
 
3.253
pessoas que tiveram diarreia aguda no Estado da primeira semana de janeiro até o último dia 13
 
20% 
maior que o mesmo período de 2015, que teve 2.600 casos registrados
 
1.655
casos de doenças diarreicas foram registrados em Natal até o dia 31 de janeiro
 
500
pacientes são atendidos em média hoje no Hospital Municipal Dr. Newton Azevedo
 

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