Dunga deu sorte ao Brasil na definição dos grupos da Copa América
Centenário, que será disputada de 3 a 26 de junho nos Estados Unidos. No
sorteio realizado neste domingo em Nova York, com a presença do
treinador, a seleção brasileira caiu no Grupo B ao lado de Equador,
Haiti e Peru, adversários do segundo escalão no futebol americano.
O
Brasil estreia no dia 4 de junho contra o Equador, no estádio Rose
Bowl, em Pasadena (Califórnia), onde a seleção conquistou o tetra na
Copa do Mundo de 1994. No dia 8, enfrenta o Haiti, no Orlando Citrus, em
Orlando. E fecha a fase de grupos contra o Peru, no dia 12, no
Foxborough, na região metropolitana de Boston.
Ao
comentar sobre os adversários do Brasil, Gilmar Rinaldi, coordenador da
seleção, disse que o Brasil tem a obrigação de se impor, seja qual for o
adversário. "Temos de jogar bem e ganhar. A dificuldade e a facilidade
somos nós que vamos criar. Temos que nos preparar muito e mostrar a
força do futebol brasileiro dentro de campo na primeira fase e ganhar
confiança para seguir na segunda fase", disse.
O
grupo mais equilibrado é o A, com o anfitrião Estados Unidos, Colômbia,
Costa Rica e Paraguai. A Argentina, uma das favoritas, entrou no Grupo D
com Chile, Panamá e Bolívia. O C tem México, Uruguai, Jamaica e
Venezuela.
CORRUPÇÃO
Além
do aspecto histórico, a Copa América Centenário também ficará marcada
por ter sido a competição que serviu como base para desvendar um
milionário esquema de corrupção, levou vários cartolas até então
considerados intocáveis à prisão e pode mudar a relação dos negócios com
o futebol. Até agora, 41 dirigentes e empresários estão denunciados sob
a acusação de cometerem crimes diversos. E as investigações da Justiça
dos Estados Unidos estão longe de terminar.
José
Maria Marin, ex-presidente da CBF, é um dos brasileiros envolvidos no
escândalo. Acusado de fraude, conspiração e lavagem de dinheiro, desde
novembro passado cumpre prisão domiciliar em Nova York. O presidente
licenciado da CBF, Marco Polo Del Nero, e o ex-presidente Ricardo
Teixeira também foram indiciados pela Justiça dos Estados Unidos. Eles
negam participação em qualquer ato ilícito.
Outro
brasileiro às voltas com as autoridades americanas é o empresário
J.Hawilla - está em prisão domiciliar, admitiu à Justiça os crimes de
extorsão, lavagem de dinheiro e obstrução e faz acordo para devolver US$
151 milhões. Foi por meio da investigação dos negócios envolvendo uma
empresa da qual Hawilla era um dos sócios, a Datisa, que o FBI encontrou
o fio da meada de um propinoduto por onde escoaram pelo menos US$ 110
milhões.
A empresa criada e 2013 tinha como outros
sócios os argentinos Alejandro Burzaco, da Torneos y Competencias, e
Hugo e Mariano Jinkis, da Full Play, todas empresas ligadas ao segmento
de compra e revenda de direitos de transmissão e de marketing.
Pelo
esquema que levaria inicialmente à prisão de vários dirigentes ligados à
Conmebol e à Concacaf no dia 27 de maio em Zurique, durante um
congresso da Fifa - entre eles Marin, os ex-presidentes da Conmebol
Nicolas Leoz e Eugenio Figueredo, e os ex-presidentes da Concacaf Jack
Warner e Jeffrey Webb -, vários dirigentes receberam propina ao negociar
os direitos de transmissão e contratos de marketing de várias
competições.
A Copa América Centenário foi um dos
torneios "negociados", assim como as Copas Américas de 2015, 2019 e
2023. E o FBI entrou na investigação porque dinheiro ilegal das
transações passaram pelo sistema financeiro do país.
A
descoberta do esquema colocou em risco a realização da competição que
tem como pano de fundo comemorar os 100 anos de Copa América, mas no
segundo semestre do ano passado a manutenção do torneio como sede foi
confirmada pela Conmebol. Em dezembro, a entidade anunciou uma outra
empresa como detentora dos direitos de transmissão e de marketing.
Enquanto
isso, além de Marin, vários outros cartolas cumprem prisão domiciliar,
após acordos com a Justiça dos Estados Unidos em que pagaram multas
vultosas e deram como garantias bens diversos - até joias de família
foram utilizadas.
Confira os grupos da Copa América Centenário:
GRUPO A - Estados Unidos, Colômbia, Costa Rica e Paraguai
GRUPO B - Brasil, Equador, Haiti e Peru
GRUPO C - México, Uruguai, Jamaica e Venezuela
GRUPO D - Argentina, Chile, Panamá e Bolívia
por: Agência Estado
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