O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em discurso
para sindicalistas que vai ajudar Dilma a governar. "Nem que seja a
última coisa que eu faça na vida, vou ajudar a Dilma a governar esse
País com a decência que o povo merece", afirmou nesta quarta-feira, 23, à
plateia de cerca de mil apoiadores na capital paulista.
Lula
disse que a "companheira Dilma" tinha lhe chamado para compor o
ministério em agosto do ano passado e ele disse não ter aceitado por
saber que não é fácil a convivência de presidente e ex-presidente no
governo. "Não sou analfabeto político como alguns pensam. Tenho noção
que não é fácil uma presidente conviver na mesma sala com um
ex-presidente."
Ele argumentou, contudo, que, com o
agravamento da crise que afeta o País, se convenceu de que deveria
ajudar. "Quando foi agora, com a crise política, os adversários
apertando cada vez mais a Dilma, ela disse 'preciso de você pra me
ajudar'", relatou Lula no discurso.
Segundo o
ex-presidente, ele ainda resistiu porque não queria passar a impressão
de que buscava "privilégios", mas que acabou cedendo por causa do
cenário. "Aceitei porque tenho pleno bom senso que posso ajudar a Dilma,
com aquilo que mais sei fazer na vida que é conversar, ouvir as
pessoas", afirmou.
Lula chegou a dizer que no ato
pró-governo e de apoio a ele, na sexta-feira, 18, na Avenida Paulista,
sentiu que estava tomando posse de novo. "A impressão que tive na
Avenida Paulista foi que vocês estavam me dando posse", afirmou.
Golpe
Lula
fez uma comparação histórica para defender a sucessora Dilma Rousseff
do que ele e aliados classificam de iniciativa golpista de forças
"conservadoras" contra a presidente. Lula lembrou que o País tem o maior
período de estabilidade democrática desde a constituição de 1988 e
citou os episódios do suicídio de Getúlio Vargas em 1954 e da deposição
de Jango em 1964 com o golpe militar em uma referência ao que, ao ver
dele, ocorre hoje.
O ex-presidente também citou
Juscelino e disse que o golpe foi para que o então ex-presidente não
pudesse concorrer nas eleições de 1965. "Até a historia de apartamento
que me acusam hoje, acusavam Juscelino de ter apartamento no Rio que ele
não tinha", disse comparando-se ao ex-mandatário.
"Eles
têm que aprender que nós ganhamos a eleição pelo voto democrático. Se
eles querem ir pra Presidência que esperem por 2018", disse ao
argumentar novamente que ele aguardou por eleições desde 1994 até chegar
ao cargo máximo do País em 2002. "Não tentem dar golpe na Dilma que nós
não vamos aceitar. Não existe nenhuma razão legal para o impeachment. E
o respeito pelo povo brasileiro, pelo voto?", questionou. "Acho que é
bom eles aprenderem a ficarem calmos."
O
ex-presidente reforçou que os sindicatos e movimentos sociais têm uma
obrigação de defender a democracia. "Tentar tirar a Dilma agora é golpe e
esse País não pode aceitar o golpe na Dilma."
Ele
reclamou das investigações contra ele. Voltou a dizer que iria depor à
Lava Jato sem a necessidade de ser levado à força pela condução
coercitiva e chamou de "pachorra" a iniciativa de um procurador de São
Paulo denunciar sua mulher, Marisa Letícia, por lavagem de dinheiro.
Lula, Marisa e o filho mais velho do casal foram denunciados pelo
Ministério Público de São Paulo por suposta ocultação de patrimônio no
caso que envolve um tríplex no Guarujá.
"Tiveram a
pachorra de um promotor dizer que a dona Marisa estava enquadrada por
lavagem de dinheiro", bradou Lula. "Eles têm que aprender que mentira
tem perna curta" e emendou em críticas à oposição, repetindo que eles
não têm paciência para esperar a eleição de 2018.
"Se
enganam aqueles que acham que sou contra o combate à corrupção", disse
ao argumentar que seu governo deu autonomia à Polícia Federal e ao
Ministério Público Federal e repetiu ser honesto, mais honesto que os
integrantes da força-tarefa da Lava Jato. "Se um deles for mais honesto
que eu, desisto da vida pública nesse País", bradou. Ele questionou
ainda se os coordenadores da Lava Jato imaginam o tamanho do "prejuízo"
que a operação causou à economia brasileira.
Protestos
Lula
também reclamou dos protestos pró-impeachment, dizendo que a imprensa
incentiva o "ódio", em referência indireta à TV Globo O público gritava
"o povo não é bobo, abaixo a rede Globo". Lula chegou a dizer estar
"enojado" com alguns veículos de comunicação.
"O
que a gente não pode aceitar é o ódio que está sendo destilado neste
País. Acham que quem usa camisa verde e amarelo é mais brasileiro que
nós. Tem muita gente que acha que é mais brasileiro que nós porque o
dólar está alto e não pode fazer enxoval em Miami", disse ao argumentar
que entre 2007 e 2012 o Brasil era o país "mais otimista do mundo". Lula
discursou por mais de uma hora, mesmo com a voz bastante rouca por
causa de um resfriado.
Nenhum comentário:
Postar um comentário