ALECRIM
Marcelo Lima
Repórter
Antes mesmo do início da padronização das feiras de Natal, a possibilidade de uso de balcões frios para a venda de queijo, carnes e outros produtos de origem animal gera polêmica. Neste mês, a Prefeitura de Natal instalou dez balcões refrigerados na Feira das Quintas. A medida faz parte de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado entre o município e o Ministério Público Estadual.
Mas a ideia não agrada os feirantes de todas as feiras da cidade. Em caso de expansão dessa iniciativa pela cidade, haverá resistência. No bairro do Alecrim, além do custo, os comerciantes desaprovam a proposta porque modifica a essência do que seria uma feira. “Eu acho que feira livre é feira livre. Balcão de frios é para mercadinho, frigorífico, supermercado”, disse Edilene da Silva, feirante de queijo e carne há 15 anos no Alecrim.
Outra dificuldade relatada pelos feirantes é o custo desse equipamento. “Eu não sei exatamente do preço, mas ouvi falar que o preço de um deles é média de R$ 400. Não dá mesmo”, reforçou a feirante que também trabalha no Feira do Jiqui.
Muitos feirantes trabalham em mais de uma feira em Natal, como Edilene. Outros trabalham em todas, visto que cada uma acontece em um dia diferente da semana. Eles acreditam que esse deslocamento também colaboraria para a degradação mais rápida do equipamento.
“Não tem um local certo para guardar quando a gente termina”, destacou Edilene. Vendendor de carnes há oito anos na Feira do Alecrim, Eronildes Herculano Ferreira também está alinhado com o discurso da sua colega. “Para a gente comprar não dá porque é um material muito caro e ele teria que ficar fixo. Ficar levando pra lá e pra cá o balcão, ele se acaba rápido. Mesmo se a Prefeitura desse não teria como ficar levando ele pra todo canto, porque ia se acabar”, acrescentou o feirante.
No entanto, Eronildes acredita que a experiência nas Quintas pode dar certo porque é uma feira menor. No total, há 19 bancas de venda de produtos de origem animal na feira do mais populoso bairro da zona Oeste de Natal. “Lá dá pra fazer porque é bem pequeninha, mas aqui tem mais de cem bancas só de carne de sol”, comparou.
Eronildes argumenta também que o espaço de vendas livres está ficando engessado. “Eles querem transformar a feira em supermercado. Até inglês, eles querem que a gente fale”, disse, explicando que o fato de aprender um novo idioma não foi levado adiante.
A dona de casa Mariluz dos Santos, de 60 anos, sempre vai a feira no seu bairro para comprar frutas e verduras. “Carne e frios eu compro mais no supermercado, porque aqui é mais caro e no supermercado sempre tem promoção. Tem essa questão da higiene também, mas acho que a carne daqui é sempre fresquinha também. No supermercado, eles às vezes desligam as freezers para não gastar energia”, comentou.
Buracos
Os feirantes também reclamaram da manutenção das tendas que cobrem a feira. Segundo eles, há vários meses as lonas das tendas não são trocadas. Muitas estão esburacadas. “Há uns quatro meses caiu uma barra de ferra na cabeça de uma feirante, ela desmaiou e foi na Samu para o hospital”, contou a feirante Edilene da Silva. A padronização das feiras na atual gestão começou em 2013 com a implantação de novas, tendas, sinalização dos corredores, equipe de limpeza permanente dentre outros benefícios. Tentamos entrar em contato com o secretário municipal de Serviços Urbanos, Raniere Barbosa, por telefone, mas não houve retorno até o fechamento desta edição.
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