O ex-diretor do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio
Ambiente (Idema), Gutson Johnson, está disposto a revelar todo o
esquema desbaratado pelo Ministério Público Estadual e que teria
desviado mais de R$ 19 milhões do instituto. Gutson quer negociar as
informações que tem em troca de benefícios no processo por meio de uma
delação premiada.
A afirmação partiu do advogado
de defesa Fábio Holanda, que se pronunciou ontem durante uma audiência
de instrução da Operação Candeeiro, que investiga o esquema criminoso
dentro do Idema. “Queremos e estamos dispostos a negociar uma delação
premiada. Meu cliente sabe como funcionava todo o esquema dentro do
Idema. Mas ele só irá revelar, obviamente, se houver esse acordo de
delação premiada”, disse o advogado, passando a decisão para os
promotores do Ministério Público que investigam o caso.
Fábio
Hollanda disse ainda que os promotores já foram informados do interesse
de seu cliente em formalizar o acordo para revelar tudo o que
acontecia, mas não revelou o que seu cliente tem para dizer ou se há
mais pessoas envolvidas.
Gutson Johnson Giovany
Reinaldo Bezerra é apontado nas investigações como sendo o líder de um
suposto esquema fraudulento que desviou mais de R$ 19 milhões do Idema
enquanto era diretor administrativo do órgão entre os anos de 2013 e
2014.
Os desvios foram investigados na Operação
Candeeiro, deflagrada em 2 de setembro do ano passado pelo Ministério
Público. De acordo com as investigações do MP, o esquema contava com a
participação de pessoas da Unidade Instrumental de Finanças e
Contabilidade do Idema em comunhão com o então diretor administrativo e
com auxílio de terceiros, estranhos ao órgão.
Ele,
o ex-diretor financeiro do Idema, Clebson José Bezerril; o funcionário
do setor de contabilidade, João Eduardo de Oliveira Soares; Renato
Bezerra de Medeiros, que, segundo o MP, agia como laranja no esquema; e o
empresário Antônio Tavares Neto foram presos na operação no dia 2 de
setembro passado. Gutson é filho de Rita das Mercês,
ex-procuradora-geral da Assembleia Legislativa do estado, que foi presa
no dia 20 de agosto na Operação Dama de Espadas por suspeita de desvio
de recursos públicos na Assembleia, mas foi liberada três dias depois.
De
acordo com as investigações, o esquema criminoso se utilizou de
“ofícios fantasmas” para desviar recursos do órgão através de documentos
que eram emitidos pelo Idema ao Banco do Brasil solicitando
transferências de recursos do órgão para pelo menos sete empresas que
não possuíam vínculo com o instituto.
As
operações não eram registradas no Sistema Integrado de Administração
Financeira do Estado do Rio Grande do Norte (SIAF), nem informada a
contratação das empresas beneficiárias ao Tribunal de Contas do Estado
ou mesmo disponibilizada a informação no Portal da Transparência.
O
dinheiro desviado do Idema teria sido utilizado para comprar 15
imóveis, sendo 10 de luxo na área de Ponta Negra, zona Sul de Natal,
além da construção de uma academia de alto padrão e a reforma da loja de
uma equipadora de veículos.
As audiências de
instrução começaram ontem no fórum Miguel Seabra Fagundes, em Natal e
terão continuidade amanhã por determinação do juiz da 6ª vara Criminal
de Natal, Guilherme Newton do Monte Pinto. Estão depondo nesta fase as
testemunhas de defesa e de acusação, além dos réus do processo: Antônio
Tavares Neto, Aratusa Barbalho de Oliveira, Clebson José Bezerril,
Eliziana Alves da Silva, Elmo Pereira da Silva Júnior, Euclides Paulino
de Macedo Neto, Fabiola Mercedes da Silveira, Faulkner Max Barbosa
Mafra, Geraldo Alves de Souza, Guilherme de Negreiros Diógenes Reinaldo,
Gutson Johnson Giovany Reinaldo Bezerra, Handerson Raniery Pereira,
João Eduardo de Oliveira Soares, Ramon Andrade Bacelar Felipe Sousa e
Renato Bezerra de Medeiros.
por:NOVO
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