sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Acusado quer delação premiada para revelar a fraude no Idema

CASO NO IDEMA EM NATAL
O ex-diretor do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema), Gutson Johnson, está disposto a revelar todo o esquema desbaratado pelo Ministério Público Estadual e que teria desviado mais de R$ 19 milhões do instituto. Gutson quer negociar as informações que tem em troca de benefícios no processo por meio de uma delação premiada.
 
A afirmação partiu do advogado de defesa Fábio Holanda, que se pronunciou ontem durante uma audiência de instrução da Operação Candeeiro, que investiga o esquema criminoso dentro do Idema. “Queremos e estamos dispostos a negociar uma delação premiada. Meu cliente sabe como funcionava todo o esquema dentro do Idema. Mas ele só irá revelar, obviamente, se houver esse acordo de delação premiada”, disse o advogado, passando a decisão para os promotores do Ministério Público que investigam o caso.
 
Fábio Hollanda disse ainda que os promotores já foram informados do interesse de seu cliente em formalizar o acordo para revelar tudo o que acontecia, mas não revelou o que seu cliente tem para dizer ou se há mais pessoas envolvidas. 
 
Gutson Johnson Giovany Reinaldo Bezerra é apontado nas investigações como sendo o líder de um suposto esquema fraudulento que desviou mais de R$ 19 milhões do Idema enquanto era diretor administrativo do órgão entre os anos de 2013 e 2014.
 
Os desvios foram investigados na Operação Candeeiro, deflagrada em 2 de setembro do ano passado pelo Ministério Público. De acordo com as investigações do MP, o esquema contava com a participação de pessoas da Unidade Instrumental de Finanças e Contabilidade do Idema em comunhão com o então diretor administrativo e com auxílio de terceiros, estranhos ao órgão.
 
Ele, o ex-diretor financeiro do Idema, Clebson José Bezerril; o funcionário do setor de contabilidade, João Eduardo de Oliveira Soares; Renato Bezerra de Medeiros, que, segundo o MP, agia como laranja no esquema; e o empresário Antônio Tavares Neto   foram presos  na operação no dia 2 de setembro passado. Gutson é filho de Rita das Mercês, ex-procuradora-geral da Assembleia Legislativa do estado, que foi presa no dia 20 de agosto na Operação Dama de Espadas por suspeita de desvio de recursos públicos na Assembleia, mas foi liberada três dias depois. 
 
De acordo com as investigações, o esquema criminoso se utilizou de “ofícios fantasmas” para desviar recursos do órgão através de documentos que eram emitidos pelo Idema ao Banco do Brasil solicitando transferências de recursos do órgão para pelo menos sete empresas que não possuíam vínculo com o instituto. 
 
As operações não eram registradas no Sistema Integrado de Administração Financeira do Estado do Rio Grande do Norte (SIAF), nem informada a contratação das empresas beneficiárias ao Tribunal de Contas do Estado ou mesmo disponibilizada a informação no Portal da Transparência.
 
O dinheiro desviado do Idema teria sido utilizado para comprar 15 imóveis, sendo 10 de luxo na área de Ponta Negra, zona Sul de Natal, além da construção de uma academia de alto padrão e a reforma da loja de uma equipadora de veículos.
 
As audiências de instrução começaram ontem no fórum Miguel Seabra Fagundes, em Natal e terão continuidade amanhã por determinação do juiz da 6ª vara Criminal de Natal, Guilherme Newton do Monte Pinto. Estão depondo nesta fase as testemunhas de defesa e de acusação, além dos réus do processo: Antônio Tavares Neto, Aratusa Barbalho de Oliveira, Clebson José Bezerril, Eliziana Alves da Silva, Elmo Pereira da Silva Júnior, Euclides Paulino de Macedo Neto, Fabiola Mercedes da Silveira, Faulkner Max Barbosa Mafra, Geraldo Alves de Souza, Guilherme de Negreiros Diógenes Reinaldo, Gutson Johnson Giovany Reinaldo Bezerra, Handerson Raniery Pereira, João Eduardo de Oliveira Soares, Ramon Andrade Bacelar Felipe Sousa e Renato Bezerra de Medeiros.
 
por:NOVO

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