Pelo menos dez deputados da Assembleia Legislativa do Rio Grande do
Norte devem trocar de partido aproveitando a janela aberta por uma
emenda à Constituição, cuja promulgação está prevista para hoje (18) na
Câmara Federal. Em um prazo de 30 dias, os parlamentares poderão mudar
de legendas sem sofrer risco de cassação por infidelidade partidária.
A
maior parte dos legisladores potiguares que pretendem deixar suas
legendas, entretanto, ainda não deixou claro seu destino. Alguns devem
seguir o grupo político do presidente da Assembleia, Ezequiel Ferreira
de Souza – atualmente do PMDB – que, pelo menos oficialmente, ainda não
definiu a nova sigla. Nos bastidores, a previsão é que Ezequiel siga
para o Partido Liberal (PL).
A ‘janela partidária’
permite que qualquer detentor de cargo eletivo troque de legenda sem
incorrer em perda de mandato. O maior interesse dos políticos, nessas
mudanças, é assumir a liderança das legendas e, conseqüentemente,
controlar maior fatia do Fundo Partidário. Com a proibição do
financiamento privado de campanha, o fundo deverá ser uma das principais
fontes de recursos das campanhas municipais de 2016.
Uma
das legendas com maior perda nesta janela deverá ser o Partido
Republicano da Ordem Social (Pros). Dos cinco representantes no
Legislativo estadual, quatro já confirmaram interesse em deixar a
legenda. O diretório nacional começou nesta semana um esforço para
manter os quadros.
Em reunião com o presidente
nacional da legenda, Eurípedes Júnior, na última segunda-feira (15), o
deputado Albert Dickson recebeu a incumbência de conversar com seus
colegas potiguares.
“Vamos conversar com cada um e
passar o recado do presidente nacional. Os deputados não querem sair.
Eles querem viabilidade política”, afirmou. Apesar de Dickson confirmar
apenas uma tendência de assumir a presidência estadual do Pros, o site
nacional da sigla já confirmou sua nomeação no lugar de Rafael Motta.
Mesmo
assim, a saída de Ricardo Motta (Pros) para o Partido Socialista
Brasileiro (PSB) já é dada como certa, depois que seu filho, deputado
federal Rafael Motta, foi expulso do partido e assumiu o diretório
estadual socialista. O próprio Ricardo Motta confirmou a informação.
“Vamos
fazer essa mudança de partido, através da PEC. Dentro do prazo legal
iremos para o PSB”, disse ao NOVO. Motta ainda garantiu que tem
conversado com outros colegas e espera reforçar as fileiras do partido.
Apesar
da chegada certa dos Motta, o PSB tem uma saída já confirmada: a da
deputada Márcia Maia, filha da vice-prefeita Wilma de Faria, que perdeu a
liderança do partido para Rafael Motta e anunciou a debandada dela e
das suas bases. Márcia deverá seguir para o partido que acolher Wilma.
Oito legendas já a convidaram, mas ela ainda não divulgou sua decisão
até o momento.
Vivaldo Costa e Raimundo Fernandes
– ambos do Pros – também demonstram interesse em deixar o partido. Eles
confirmaram à reportagem que esperam conversar com o presidente da
Assembleia, Ezequiel Ferreira de Souza, de quem são aliados. Os dois
também confirmaram que receberam convite de Ricardo Motta e estão
conversando sobre o assunto.
“Vou ouvir Rafael
(Motta), vou ouvir Ricardo (Motta), vou ouvir também o governador
Robinson Faria e o presidente Ezequiel. Principalmente o presidente e o
governador, porque sou aliado politicamente dos dois. Depois de falar
também com alguns prefeitos ligados a mim, lideranças e o povo de Caicó,
é que tomarei a decisão de me filiar a um novo partido. Existe
possibilidade de mudar de partido acompanhando Ezequiel e Robinson”,
assumiu Vivaldo Costa. Nos bastidores, porém, políticos aguardam a
filiação dele também ao PL.
Deputados flertam com outras siglas
“Partido
não falta para ir”, afirmou o deputado José Dias, atualmente do PSD –
partido do governador Robinson Faria. O parlamentar afirmou que deixará o
partido “imediatamente”, logo que a janela for aberta. Ele assumiu uma
postura de oposição desde que o governador – que é seu amigo pessoal –
assumiu o governo. Isso ocorreu devido especialmente à aliança de
Robinson Faria com o Partido dos Trabalhadores (PT).
Dias
seguirá para o outro extremo na polarização política nacional. Pretende
se filiar ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). “No quadro
atual, minha palavra será cumprida. Sairei do PSD e vou esperar a
movimentação. Não posso garantir que as condições vão ser mantidas como
estão”, afirmou.
O deputado afirmou que no
cenário nacional e local, o quadro é favorável, mas a depender das
mudanças que ocorram no partido durante a janela, ele pode abrir mão do
PSDB.
Dias ainda confirmou que recebeu proposta para ir para
o PSB, pela amizade com Ricardo e Rafael Motta, mas explicou que, do
ponto de vista ideológico, a situação não deverá se concretizar.
O
deputado Jacó Jácome (PMN) também poderá mudar de sigla e seguir para o
PTN. Ele ainda não definiu seu futuro, mas confirmou a articulação
nacional para o grupo assumir o partido.
“Nós
estamos agora só aguardando essa janela para fazer maiores definições.
Poderá haver filiações novas no PTN. A priori, somente Osório Jácome
(secretário de Segurança Pública e Defesa Social de Natal) vai
participar do partido. Continuo no PMN, porém vamos aguardar a janela e
nas próximas definições podemos ter novidades”, pontuou.
Já
Hermano Morais (PMDB) poderá deixar sua legenda para seguir o desejo de
se candidatar novamente a prefeito de Natal. Há um convite do
Solidariedade, presidido pelo deputado Kelps Lima, que já lhe garantiu a
chance se ser candidato na majoritária municipal. Hermano não
conseguiu apoio do PMDB, que deverá sustentar o projeto de reeleição do
prefeito Carlos Eduardo Alves (PDT) na capital potiguar.
“Essa
questão de mudança de partido é sempre uma coisa muito traumática e não
envolve a decisão de uma só pessoa. Mas existe a dinâmica da política
que exige de nós alguma tomada de posição. Estamos verificando a questão
das eleições 2016 e nosso posicionamento na capital, que é nossa
principal base. Estamos ouvindo pessoas de dentro e de fora do partido e
nos próximos dias vamos tomar uma decisão definitiva”, concluiu
Hermano.
por:Igor Jácome/NOVO
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