quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Transformação do Sandoval em shopping é tida como alternativa ao abandono. Prédio no Alecrim, está abandonado, sujo e com aparência que em nada lembra a dos tempos de glória

A SALVAÇÃO
 
 Foto: Portal No Ar

Ver o Teatro Municipal Sandoval Wanderley de portas fechadas há quase uma década entristece quem já o contemplou em pleno funcionamento. Atualmente, o prédio localizado na Avenida Presidente Bandeira, no bairro do Alecrim, está abandonado, sujo e com uma aparência que em nada lembra a dos tempos de glória.

Diante do cenário, estudos são feitos para que a área em que o edifício está encravado tenha alguma finalidade. Este ano, a possibilidade de transformar o teatro em uma galeria comercial surgiu como uma alternativa para minar o abandono. A questão é defendida pela Prefeitura de Natal.

Já existe, inclusive, empresa disposta a tocar o projeto de substituição do teatro por um centro comercial. O grupo paulista G25 Investimentos pretende instalar quatro microshoppings no Alecrim até o fim de 2018, um deles seria onde antes funcionava o Sandoval. O primeiro desses empreendimentos, que fica em um ponto próximo, deve ser inaugurado em novembro.

Dona Maria de Fátima Damasceno, de 59 anos, é uma das empresárias do bairro que embala o comércio de Natal. Ela trabalha no Alecrim desde que o teatro estava em pleno funcionamento, lamenta ver o prédio abandonado e, por isso, vê com bons olhos a construção da galeria.

“Ver o Sandoval assim é uma tristeza muito grande. Antes, tinha tanto espetáculo aí, e hoje está assim, abandonado. Eu creio que se botar um shopping aqui vai ser muito melhor do que deixar esse prédio desse jeito. Se respeitarem o espaço de quem já trabalha aqui, vai até melhorar pra gente”, falou entre um e outro salgado vendido na cantina dela.

Quem também se entristece com a atual realidade do prédio é Expedido Ribeiro, de 57 anos. Ele vende produtos destinados aos fãs de ‘rock and roll’ do lado do teatro e considera absurda a situação. “Isso é uma imoralidade, uma falta de respeito”, declarou.

Por que a obra não anda?
Em junho, a Câmara dos Vereadores aprovou, por unanimidade, um Projeto de Lei que declarou o prédio localizado no Alecrim como um Patrimônio Cultural Imaterial. Na prática, a estrutura do imóvel não pode ser modificada. Contrário à opinião do Legislativo, o prefeito Carlos Eduardo Alves, do PDT, precisa convencer os parlamentares a mudarem de ideia.

De acordo com o vereador que propôs o projeto de tombar o prédio, Fernando Lucena, do PT, “se faz necessário preservar o Sandoval Wanderley e trabalhar para reformá-lo para que possa voltar a atender nossos artistas e premiar a população com shows e espetáculos”. A entrevista foi dada ao PORTAL NO AR em junho.

Reativar o teatro seria uma tarefa difícil, de acordo com o que a reportagem pôde constatar. O prédio está cercado por outros edifícios. Com a atual estrutura do imóvel seria impossível, por exemplo, comportar os carros de quem fosse prestigiar espetáculos, pois não há espaço para guardá-los.

Além disso, o movimento visto no Alecrim durante todo o dia dá lugar ao ‘deserto’ na noite. Com os déficits nas forças de segurança do Estado é difícil saber se os frequentadores do teatro estariam protegidos, resguardados de ações violentas.

Para solucionar a falta de um equipamento cultural, o Executivo Municipal prometeu a construção e manutenção de um teatro de características semelhantes ao do Sandoval Wanderley em um terreno indicado pela própria Prefeitura, que optou pela escolha do bairro da Ribeira, dada a vocação cultural.

Expedito, o vendedor citado em parágrafos passados, já foi artista amador e, se empolga com a ideia defendida pela Prefeitura de Natal. “Não pode acabar com a cultura. Então, concordo que leve o teatro para outro local. Vai ser melhor do que deixar esse prédio assim, abandonado. E um shopping aqui, amigo, ia melhorar pra mim porque essa área ia encher de gente”, declarou.

(Por Ayrton Freire/Portal no Ar)

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