Foto: Portal No Ar
Ver o Teatro Municipal Sandoval Wanderley
de portas fechadas há quase uma década entristece quem já o contemplou
em pleno funcionamento. Atualmente, o prédio localizado na Avenida
Presidente Bandeira, no bairro do Alecrim, está abandonado, sujo e com
uma aparência que em nada lembra a dos tempos de glória.
Diante do cenário, estudos são feitos
para que a área em que o edifício está encravado tenha alguma
finalidade. Este ano, a possibilidade de transformar o teatro em uma
galeria comercial surgiu como uma alternativa para minar o abandono. A
questão é defendida pela Prefeitura de Natal.
Já existe, inclusive, empresa disposta a
tocar o projeto de substituição do teatro por um centro comercial. O
grupo paulista G25 Investimentos pretende instalar quatro microshoppings
no Alecrim até o fim de 2018, um deles seria onde antes funcionava o
Sandoval. O primeiro desses empreendimentos, que fica em um ponto
próximo, deve ser inaugurado em novembro.
Dona Maria de Fátima Damasceno, de 59
anos, é uma das empresárias do bairro que embala o comércio de Natal.
Ela trabalha no Alecrim desde que o teatro estava em pleno
funcionamento, lamenta ver o prédio abandonado e, por isso, vê com bons
olhos a construção da galeria.
“Ver o Sandoval assim é uma tristeza
muito grande. Antes, tinha tanto espetáculo aí, e hoje está assim,
abandonado. Eu creio que se botar um shopping aqui vai ser muito melhor
do que deixar esse prédio desse jeito. Se respeitarem o espaço de quem
já trabalha aqui, vai até melhorar pra gente”, falou entre um e outro
salgado vendido na cantina dela.
Quem também se entristece com a atual
realidade do prédio é Expedido Ribeiro, de 57 anos. Ele vende produtos
destinados aos fãs de ‘rock and roll’ do lado do teatro e considera
absurda a situação. “Isso é uma imoralidade, uma falta de respeito”,
declarou.
Por que a obra não anda?
Em junho, a Câmara dos Vereadores
aprovou, por unanimidade, um Projeto de Lei que declarou o prédio
localizado no Alecrim como um Patrimônio Cultural Imaterial. Na prática,
a estrutura do imóvel não pode ser modificada. Contrário à opinião do
Legislativo, o prefeito Carlos Eduardo Alves, do PDT, precisa convencer
os parlamentares a mudarem de ideia.
De acordo com o vereador que propôs o
projeto de tombar o prédio, Fernando Lucena, do PT, “se faz necessário
preservar o Sandoval Wanderley e trabalhar para reformá-lo para que
possa voltar a atender nossos artistas e premiar a população com shows e
espetáculos”. A entrevista foi dada ao PORTAL NO AR em junho.
Reativar o teatro seria uma tarefa
difícil, de acordo com o que a reportagem pôde constatar. O prédio está
cercado por outros edifícios. Com a atual estrutura do imóvel seria
impossível, por exemplo, comportar os carros de quem fosse prestigiar
espetáculos, pois não há espaço para guardá-los.
Além disso, o movimento visto no Alecrim
durante todo o dia dá lugar ao ‘deserto’ na noite. Com os déficits nas
forças de segurança do Estado é difícil saber se os frequentadores do
teatro estariam protegidos, resguardados de ações violentas.
Para solucionar a falta de um equipamento
cultural, o Executivo Municipal prometeu a construção e manutenção de
um teatro de características semelhantes ao do Sandoval Wanderley em um
terreno indicado pela própria Prefeitura, que optou pela escolha do
bairro da Ribeira, dada a vocação cultural.
Expedito, o vendedor citado em parágrafos
passados, já foi artista amador e, se empolga com a ideia defendida
pela Prefeitura de Natal. “Não pode acabar com a cultura. Então,
concordo que leve o teatro para outro local. Vai ser melhor do que
deixar esse prédio assim, abandonado. E um shopping aqui, amigo, ia
melhorar pra mim porque essa área ia encher de gente”, declarou.
(Por Ayrton Freire/Portal no Ar)
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