quarta-feira, 27 de junho de 2018

Esquerda quer incendiar EUA e deputada Maxine acende fósforo. Misto de Jandira Feghali com Fátima Bezerra, a política do Partido Democrata vira símbolo da tática de confronto direto com membros do governo Trump

EUA
 
 Qualquer coisa: Maxine Waters usa a tática de dizer tudo o que tem na cabeça (Mike Segar/Reuters)

Por que “os americanos” estão tão raivosos? 

A economia está bombando, resultando em 51% de aprovação a Donald Trump nessa área. Pela média das pesquisas, 40,3% acham que o país está no rumo certo, um progresso enorme em relação a 2014, quando este indicador afundava em 16%.

Nada espantosos 79% dos americanos querem fronteiras seguras, ao contrário da política de portas abertas pregada pela esquerda. Mas nada espantosos 56% não acham “correta” a política de separar filhos de pais que são flagrados ao tentar entrar clandestinamente no país e submetidos a processo legal.

A prática foi acelerada por Trump. Diante da repercussão negativa, ele recuou e suspendeu a separação – que vigorou durante os oito anos do governo Obama, sem grandes chiliques.

O dólar está forte (com consequências negativas que passam por Brasil, Argentina, Irã e outras economia frágeis). Corruptos condenados não estão sendo soltos pelas mais altas e repulsivas instâncias jurídicas. A criminalidade continua a diminuir.

Nos estados onde vigora a pena de morte, ela continua a ser aplicada, depois de todos os recursos. Um desses é a Flórida, como devem saber muito bem todos os brasileiros lá radicados.

Quem assina as execuções, depois de anos e até décadas de recursos, é Pam Bondi, a procuradora-geral ou secretária da Justiça, um cargo que nos Estados Unidos é eletivo. 

Desde que assumiu o cargo, em 2011, foram 26 execuções. Desses, 16 haviam assassinado mulheres. Os demais, eram condenados por homicídio de policiais e funcionários do sistema prisional e até serial killers, casos mais raros apesar do destaque.

Pam Bondi, portanto, não é de tremer. Enfrentou com calma impressionante as agressões de um grupo que a cercou quando ia ao cinema com o namorado. “Um chegou a cuspir no meu cabelo”, contou. 

Como sabia que o objetivo era provocar uma reação agressiva, também conseguiu controlar o namorado, provocado com desafios do tipo “Ei, olhos azuis, não vai fazer nada?”.

Também foi muito controlada a reação da secretária de Imprensa de Trump, Sarah Huckabee Sanders quando a sócia de um restaurante na cidade de Lexington, perto de Washington, a chamou para uma conversa e disse que ela não seria servida. 

A dona do Red Hen, Stephanie Wilkinson, disse que foi chamada por um garçon, avisando sobre o grupo de sete pessoas na mesa de Sarah na maioria parentes pelo lado do marido. 

Fez uma “votação” entre a equipe, que tem “muitos gays”, e decidiu pela expulsão do grupo por causa da decisão do governo Trump de não permitir transexuais nas Forças Armadas.

Sarah e família se retiraram. O pai dela, Michael Huckabee, um conhecido pastor evangélico, disse que os contra-parentes foram a um restaurante em frente, onde Stephanie os seguiu, incitando outras pessoas a protestar e exigir que fossem embora. 

Um membro da família do marido de Sarah chegou a sair e dizer “Eu não gosto de Donald Trump; mas o que vocês estão fazendo é contraproducente”. 

Obviamente, não adiantou nada. Stephanie Wilkinson virou celebridade entre “os americanos”, a ala, democrata ou de outras filiações, mais à esquerda que entrou em surto com o caso da separação de famílias e não pretende sair dele, mesmo depois da suspensão da prática.

Outros membros do governo Trump obrigados a deixar restaurantes, além de ter protestos em frente suas casas, são Stephen Miller, assessor político e redator de discursos de Trump, e Kirstjen Nielsen, secretária da Segurança Interior.

Ambos xingados de “ladrões de criancinhas” e, claro, nazistas. Chamar qualquer pessoas que tenha alguma relação com o governo Trump de fascista e nazista, inclusive judeus, é praticamente obrigatório num mundo em que o uso absurdo dessas palavras reproduz ao pé da letra a situação retratada por George Orwell no ensaio “O que é o Fascismo” .

(Vale a pena ler Orwell, sempre. Especialmente o ensaio escrito em 1944, quando o fascismo original vigorava, mas também eram assim qualificadas as seguintes categorias enumeradas pelo escritor: conservadores, socialistas, comunistas, trotsquistas, católicos, militantes contra a guerra, militantes a favor da guerra, nacionalistas.)

As manifestações de protesto contra membros do governo Trump lembram as ocorridas no Brasil contra a casta corrupta na aparência, mas não na essência. 

Não existem ladrões do dinheiro público envolvidos, exceto, embora não tenha sido comprovado, no lado oposto. 

A deputada democrata Maxine Waters, que incitou esse tipo de protesto, foi exonerada de três acusações no conselho de ética da Câmara por promover reuniões entre autoridades do governo e um banco precisando de dinheiro, sem revelar que seu marido era acionista do banco.

O pagamento de 710 mil dólares ao longo de várias campanhas legislativas, para uma empresa de mailing da filha dela, Karen Waters, foi comprovada, mas não configurou crime.

Maxine vive pedindo o impeachment de Trump em termos que lembram os pronunciamentos da senadora petista Fátima Bezerra. O estilo oratório é mais parecido com o da deputada Jandira Feghali.

Depois dos episódios envolvendo Sarah Sanders e Kirstjen Neilsen, Maxine Waters disse que qualquer pessoas que visse alguma pessoa do governo Trump “num restaurante, numa loja de departamentos, num posto de gasolina” deveria “convocar uma multidão” e fazer com que não sejam recebidos “nunca mais, em nenhum lugar”.

Isso é incitação à violência ou exercício do sagrado direito à livre expressão? 

Quem nunca sentiu vontade de vaiar um canalha comprovado arrogantemente embarcado na primeira classe? Um corrupto que quebra o país e vai a um restaurante de luxo?

Manifestações de repúdio, espontâneas ou organizadas, são diferentes da incitação implícita nas palavras de uma deputada, regida por um código de conduta pública. 

Mais ainda diante de um trágico precedente recente, escandalosamente “esquecido” pela imprensa antitrumpista: o ataque a tiros contra um grupo de políticos republicanos durante um treino de beisebol há apenas um ano.

“Deveríamos ter cuidado com o modo como discutimos nossas diferenças. Ninguém deveria incitar atos de violência ou assédio”, disse Steve Scalise, o deputado republicano que só escapou da morte, com órgãos abdominais destroçados e ossos estilhaçados por uma bala de fuzil, porque um colega presente foi médico no Afeganistão.

Os antitrumpistas dizem que o próprio presidente levou o debate político a níveis nunca vistos – embora as respostas sejam infinitamente mais agressivas do que qualquer coisa que Trump jamais tenha dito.

Sobre o caso de Sarah Sanders, ele ainda fez comentários de quem é do ramo da hotelaria: o Red Hen está mal cuidado e deveria pintar toldos, portas, janelas e paredes. 

Ser trolado por Trump é um inferno. Ainda mais quando ele tem razão: o restaurante de Stephanie Wilkinson não lembra em nada um ambiente bem cuidado pela operosa galinha ruiva da história infantil.

Muitos do campo simpático a ela compararam o caso com o do dono de uma confeitaria que foi processado por não fazer um bolo de casamento para um casal gay.

A história é a seguinte: o confeiteiro ofereceu qualquer bolo de seu estabelecimento, mas não quis escrever a frase pedida pelos clientes, alegando ser contra o casamento gay por motivo religioso. 

Disse que faria o mesmo em caso de um bolo para o Halloween, uma festa de origem pagã, embora poucas crianças loucas por um “treat or trick” levem em conta a tradição celta.

Foi arruinado, mas ganhou o processo na justiça.

O caso de Sarah Sanders tem um aspecto diferente: ser chamado a se retirar de um lugar público implica numa humilhação ostensiva. 

Ainda lembra, ironicamente, os casos de negros da região norte dos Estados Unidos que iam a estados do sul e não podiam se hospedar em hotéis onde vigorava a discriminação racial, mesmo depois do fim das chamadas “leis de Jim Crow” – referência a um personagem fictício ofensivo aos negros.

Muitos gênios do jazz, que viviam na estrada dando shows, passaram por esta horrível humilhação.

O passado de escravidão e discriminação, com tudo o que teve de hediondo, de alguma maneira protege Maxine Waters de um escrutínio mais exigente e garante suas manifestações, por mais absurdas que sejam.

É diferentes combater injustiças, antigas ou atuais, com os métodos honrados de tantos líderes negros. Quem parte do campo da superioridade moral já começa ganhando.

(Por Vilma Gryzinski/Mundialista)

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