LIMPEZA PÚBLICA
A companhia de Serviços Urbanos de Natal (Urbana) completou 35 anos hoje. Mas essas três décadas e meia não foram só de glórias, como bem lembrou o Prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves, e os diretores da empresa durante a solenidade de aniversário hoje pela manhã na sede da empresa.
Os principais dramas da história recente da Urbana dizem respeito à licitação da coleta de lixo da cidade, que se arrasta desde a gestão municipal anterior, e à dívida milionária. Amanhã mais um episódio dessa novela será escrito. De acordo com o presidente da Companhia, Jonny Araújo da Costa, o edital da licitação será publicado novamente neste dia 24 no Diário Oficial do Município (DOM).
Após a publicação, o edital será enviado para a análise do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que acompanha a tramitação desse processo de perto. “A gente não podia enviar o edital para o TCE antes porque ele só se torna edital quando é publicado”, explicou o presidente da companhia responsável pela limpeza pública de Natal.
Ainda segundo Costa, a licitação prevê a possibilidade de exploração do serviço de coleta de lixo durante cinco anos. Paralelamente a isso, o presidente diz trabalhar para que a companhia tenha capacidade de realizar o serviço em toda Natal. Com este processo licitatório que iniciará amanhã com a divulgação do novo edital, as zonas Leste, Oeste e Sul estarão à disposição da iniciativa privada. A zona Norte ficará a cargo da própria Urbana. Essa configuração da exploração do serviço teve origem ainda na gestão Micarla de Sousa.
Conforme o presidente, por enquanto a empresa da Prefeitura de Natal ainda não tem capacidade para assumir a coleta de toda a cidade. “Mas isso é uma meta que nós vamos perseguir até o último momento”, reforçou o presidente. Os contratos para a realização de outros serviços de limpeza também estão no alvo da gestão. “No futuro mais breve possível não vamos depender mais de contratos terceirizados”, acrescentou Costa.
Apesar da longa lista de entraves burocráticos que fizeram a licitação do lixo atravessar uma gestão para outra, Costa espera que o processo vai seguir de forma mais fácil.”Esses entraves foram absolutamente superados. Até porque anulamos a última licitação por decisão nossa, porque as empresas insistiram em apresentar valores que traziam desvantagem para a Urbana”, afirmou.
Sobre a dívida da Companhia, o presidente disse que está equacionando aos poucos. Jonny Costa falou que a empresa está renegociando a dívida e pagando obrigações trabalhistas devidas para reduzir o valor total. Apesar de ter anunciado as medidas, ele não soube responder qual o valor atual. No início da sua gestão, a dívida da Urbana girava em torno de R$ 250 milhões.
O prefeito Carlos Eduardo Alves lembrou a crise do lixo, quando as empresas deixaram de realizar o serviço de coleta em praticamente todas as regiões da cidade. O episódio aconteceu já no final da gestão da sua adversária Micarla de Sousa. “Em 2012, mais uma vez a Urbana corria o risco, por má gestão e irresponsabilidade, de ser extinta”, rememorou em seu discurso. O chefe do Executivo municipal disse que a Urbana estava “inchada” de cargos comissionados. Eram 53 e foram reduzidos para 20. Para o presidente da companhia, o momento é de reconstrução.
35 anos
A Urbana foi criada em 23 de outubro de 1979. A empresa de economia mista surgiu do antigo Departamento de Limpeza Urbana (DLU) da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur). Quem acompanha essa história desde o início é Clidenor Ramos, de 65 anos. Ele é encarregado de máquina, mais precisamente de pá mecânica.
Antes de ser servidor da companhia, ele era músico. Por algum tempo chegou a dividir seu tempo entre as duas profissões. “De noite e no final de semana era músico e durante o dia trabalhava na Urbana”, explicou.
Nesses 35 anos dedicados à limpeza da cidade, o servidor já passou por vários momentos inesperados. “A gente limpa um terreno aí vem uma pessoa e joga lixo de novo na frente da gente”, contou. Apesar disso, ele acredita que lidar com essas situações, e outras piores, faz parte da sua função. “Tem que ter jogo de cintura para chegar e saber falar com esse povo. Eles são muito rebeldes. Já chegaram até puxar facão pra gente”, continuou.
O dia de hoje começou cedo para os servidores da Urbana. Logo às 7 da manhã, houve uma alvorada de fogos. Em seguida, a programação teve uma missa e a palavra de um pastor. Os trabalhadores também foram agraciados com o show de Isaac Galvão e um bingo.
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