A ascensão do candidato tucano, que lidera o último Datafolha com 31% das intenções de voto, coincide com o fracasso do petista Reginaldo Lopes, com 6%. Há uma razão relevante que explica o desempenho do PT na cidade. Dedicado a responder as acusações na operação Acrônimo, o governador Fernando Pimentel acabou sendo o grande ausente da eleição mineira. Com a popularidade em queda, não foi mostrado pelo candidato petista na TV e sequer participou com frequência de agendas de campanha.
Para não perder influência, restou apoiar nos bastidores a candidatura de Kalil, hoje com 19% dos votos. Oficialmente, nenhum dos dois admite o vínculo. Mas VEJA apurou que a aliança acontece por meio de Paulo Lamac, vice de Kalil que se elegeu deputado estadual pelo PT e hoje está na Rede. O candidato do PHS passou a contar ainda com os conselhos da mesma agência de marketing que cuidou de uma campanha de Pimentel à prefeitura de Belo Horizonte.
Aos 57 anos, Kalil entrou na disputa beneficiado por sua popularidade. Presidente do Atlético entre 2008 e 2014, ele foi o responsável por levar o clube a uma sequência de conquistas como a Taça Libertadores da América. Com o slogan “Chega de político”, atravessou a campanha sendo duramente criticado por não apresentar propostas para a cidade. Também foi alvo dos adversários por ter uma dívida de cerca de 100 000 reais de IPTU e ter em seu nome um pedido de falência decretado pela Justiça. Apesar de ter deixado uma dívida de 400 milhões de reais no Atlético, Kalil se apresentou nos últimos meses como um competente “gestor capaz de cuidar do povo”. Aproveitou para crescer nas pesquisas a reboque da rejeição do eleitor à classe política.
Com o apoio de Antonio Anastasia e Aécio Neves, João Leite, de 60 anos, está mais habituado ao jogo da política que o adversário. Foi eleito sucessivas vezes deputado desde 1994 e já perdeu duas eleições para prefeito de Belo Horizonte em 2000 e 2004. Foi também secretário de Esportes e Desenvolvimento Social, além de ter atuação destacada na área da segurança pública. Mas Leite também tem seus calcanhares de aquiles. A principal delas, a acusação de receber em 2004 recursos não-contabilizados da Usiminas, por meio da empresa de publicidade de Marcos Valério.
Com uma disputa acirradíssima à vista, espera-se que Leite e Kalil partam para o ataque nas próximas semanas. Restará ao eleitor um segundo turno de muito enfrentamento e pouco espírito esportivo.
Por Luisa Bustamante/Veja
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