
Nicolás Maduro - AFP / Federico Parra
Caracas - O governo venezuelano assegurou que o
presidente Nicolás Maduro sofreu neste sábado um "atentado" com drones
carregados com explosivos, do qual saiu ileso, embora sete militares
tenham ficado feridos.
"Trata-se de um atentado contra a figura do presidente
Nicolás Maduro", disse o ministro da Comunicação, Jorge Rodríguez, após o
incidente no qual Maduro aparecia na televisão quando interrompeu
repentinamente seu discurso durante ato pelo 81º aniversário da Guarda
Nacional venezuelana, em Caracas.
Rodríguez explicou que "uma carga explosiva (...)
detonou nas proximidades do palanque presidencial" e outras em
diferentes locais da parada no centro da capital venezuelana.
O ministro informou que "para tranquilidade de todos",
Maduro "saiu completamente ileso e se encontra neste momento realizando
seu trabalho habitual e em reunião permanente com o alto comando
político, com os ministros e o alto comando militar".
No entanto, informou que as detonações causaram "alguns
ferimentos em sete efetivos" da Guarda Nacional Bolivariana, que
estavam no local do desfile, e "estão sendo atendidos neste momento" em
hospitais.
Maduro deve falar ainda neste sábado "para informar de
forma mais detalhada sobre estes eventos contra a tranquilidade, contra a
paz da República", segundo Rodríguez.
Momentos de tensão
Parte do incidente pôde ser visto pelas imagens da
emissora estatal VTV. De pé, Maduro, estava prestes a terminar seu
discurso quando ouviu um barulho que chamou sua atenção e ele olhou para
o alto, assim como a primeira-dama, Cilia Flores, e o ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López.
"Vamos pela direita", disse um dos seguranças do
presidente. Antes de o canal interromper a transmissão, viu-se dezenas
de militares rompendo fileiras e correndo de forma desordenada.
Maduro presidia o ato pelo aniversário da Guarda
Nacional, e no momento do incidente, falava sobre sua decisão de regular
a venda de gasolina, a mais barata do mundo, em meio à grave crise
socioeconômica que castiga o país petroleiro.
Governo culpa a 'ultradireita'
O governo atribuiu o ataque à ultradireita, como
costuma se referir à oposição. Estes fatos não "evidenciam senão o
desespero que já vinhamos notando em alguns porta-vozes da ultradireita
venezuelana", afirmou o ministro da Comunicação, um dos funcionários de
maior confiança do presidente socialista.
"Não evidenciam mais que o ódio (...) daqueles que,
sendo derrotados no campo político, sendo derrotados no campo da guerra
econômica (...) não hesitam em recorrer a práticas criminosas, brutais",
acrescentou.
O presidente da Assembleia Constituinte e número dois
do chavismo, Diosdado Cabello, também criticou a oposição, profundamente
dividida.
"A direita insiste na violência para tomar espaços que
não podem pelo voto, nosso irmão presidente Nicolás Maduro e o alto
comando político e militar ilesos depois do atentado terrorista (...)
Não vão poder conosco", escreveu Cabello no Twitter.
Maduro, um ex-motorista de ônibus de 55 anos, chegou ao poder em 2013 após a morte de Hugo Chávez, que governava desde 1999.
O presidente, confrontado com uma forte rejeição
popular devido à profunda crise econômica, foi reeleito em 20 de maio
passado em polêmicas eleições que a oposição decidiu boicotar por
considerá-las ilegítimas.
Sua reeleição não foi reconhecida por Estados Unidos, União Europeia e grande parte da comunidade internacional.
(Por
AFP)
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