sábado, 20 de maio de 2017

Praças de Natal deveriam ser cuidadas por Carlos Eduardo. Muito embora o prefeito não tenha tomado iniciativa, permitindo abandono dos espaços, há quem critique interferência do governo em atribuições do município

ABANDONO
 praça joão tibúrcio
 Praça João Tibúrcio, na Cidade Alta, é retrato do descuido

O governador Robinson Faria (PSD) conseguiu arrecadar recursos federais no valor de R$ 9 milhões para restaurar 13 praças do centro histórico de Natal, incluindo a Praça Sete de Setembro, conhecida também como Praça dos Três Poderes. Em realidade, os serviços deveriam ser cuidados pela própria prefeitura, já que se trata de patrimônio municipal. Muito embora o prefeito Carlos Eduardo Alves (PDT) não tenha se colocado à frente da iniciativa, permitindo que as praças sigam maltratadas, há quem enxergue que a interferência do governo em atribuições do município seja passível de crítica. Caso do vereador Fernando Lucena (PT), que queixou-se tanto do descaso de Carlos Eduardo para com a cidade, quanto do fato do governador estar usando verba federal em setores que não são prioridade.

O vereador ainda questionou o paradeiro do dinheiro que deveria ser, originalmente, direcionado a esse tipo de obras e reformas. “É obrigação de Carlos Eduardo cumprir com essas reformas, mas Robinson não deveria estar fazendo isso. Existem recursos na Semsur para esse tipo de coisa. O orçamento do ano passado foi de R$ 22 milhões, o que aconteceu com esse dinheiro que seria destinado apenas para praças e limpeza de canteiro?”, disse.

“O governo do estado tinha que se concentrar em repassar dinheiro para a Saúde, não para praças. Acho isso um absurdo. Carlos Eduardo é um incompetente que durante a eleição dizia que estava tudo bem, tudo limpo, mas não é assim como a gente vê nesse caso. Ele dizia que tinha dinheiro sobrando, mas não tem nada, ele precisou tirar do fundo de previdência. Já Robinson tem que cuidar das prioridades. Estão errados os dois”.

Na contramão da opinião de Lucena está o vereador Ney Lopes Jr (PSD), líder do prefeito na Câmara Municipal de Natal, e membro do partido do governador. Ney elogiou a atitude do governo e afirmou que, no que for para benefício da população natalense, todos devem se ajudar independentemente da bandeira e posição que ocupam. Ele, inclusive, observou que no momento em que o governador precisar de um ajuda da prefeitura, “a recíproca deve ser verdadeira”.

“Acho que qualquer ação que seja para o bem da comunidade não importa de onde venha. Não podemos viver em um momento político-eleitoral, temos que viver em um momento administrativo. Se o governador conseguiu essas verbas para as reformas, não seria de bom grado deixar de fazer essa ação benéficas nas praças só porque é de responsabilidade da prefeitura, e vice-versa. Se o prefeito conseguir algum tipo de ligação com alguma autoridade que possa ajudar o governo do Rio Grande do Norte de algum modo, então a recíproca deve ser verdadeira. Devemos descer do palanque político e pensar na cidade e no natalense”, opinou o vereador.

REFORMAS
O governo do Rio Grande do Norte, através da secretaria de Infraestrutura, começa, a partir da próxima semana a reformar 13 praças do centro histórico natalense. Além disso, o estado também conta com a parceria em convênio via Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) com a Caixa Econômica Federal através de um termo de compromisso. A previsão é de que todas revitalizações sejam concluídas em um prazo de 14 meses. São elas, respectivamente: Praça André de Albuquerque e Parada Metropolita, Praça Padre João Maria, Praça 7 de Setembro, Praça Dom Vital, Praça das Mães, Praça Augusto Severo e Largo do Memorial Câmara Cascudo; e Praça Santa Cruz da Bica, Praça Djalma Maranhão, Praça do Estudante, Praça José da Penha, Praça João Tibúrcio e a praça da Avenida Walfredo Gurgel.


Do lado do Executivo natalense, o secretário Jerônimo Melo explicou que o trabalho da Semsur é cuidar da manutenção desses locais no tocante à iluminação e limpeza. Melo, contudo, admitiu que o governo municipal não tem recursos para ajudar na recuperação das praças, o que deveria ser da competência da prefeitura e de suas secretarias.

(Boni Neto/AgoraRN)

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