O
ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Admar Gonzaga Neto, que
proibiu a revista “Veja” de veicular publicidade da atual edição e deu
direito de resposta à presidente Dilma Rousseff (PT), trabalhou na
campanha dela em 2010. Ainda participou da defesa jurídica da campanha
de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) à reeleição em 1998 e foi o advogado
da conversão do PFL em DEM.
Em 2010, ele fez a defesa da candidata
Dilma nas sessões do TSE. Em junho de 2013, a petista o nomeou
ministro-substituto do TSE, na cota dos indicados pela presidente e
escolhidos entre advogados de notável saber jurídico sugeridos pelo
Supremo Tribunal Federal (STF).
A capa da “Veja” desta semana estampa as
fotos de Dilma e do ex-presidente Lula, com o título “Eles sabiam de
tudo”. Segundo a revista, o doleiro Alberto Youssef teria afirmado em
depoimento acreditar que Lula e Dilma sabiam dos desvios na Petrobras.
Admar viu proibiu a publicidade da atual edição. Entidades de defesa da
imprensa consideraram censura a decisão judicial.
— Vejo as críticas como uma informação,
mas uma informação que tem uma pimenta. Não vejo como ofensa. Tenho
orgulho de todo trabalho que fiz, pois minha conduta sempre foi no
sentido de reparar as coisas. Tenho respeito à liberdade de imprensa. É
legítimo — disse no domingo o ministro.
Gonzaga, de 54 anos, é carioca e, desde
1982, mora em Brasília, onde cursou Direito. A primeira fusão de
partidos em que atuou foi entre PDS e PDC, que resultou no PPR. Depois,
atuou na fusão do PPR com o PP, o que resultou no PPB (hoje PP).
— Eu já estava em lista (de indicados ao
TSE) antes de participar da campanha de Dilma. O STF elabora a lista,
escolhe os advogados eleitorais que são eficientes e que têm saber
jurídico. Estive em 11 listas. Havia uma brincadeira de que eu era o
decano das listas.
Gonzaga disse que não há razão para se declarar impedido no julgamento dos processos envolvendo a campanha de Dilma:
— Por onde passei, deixei amigos. Mas é preciso separar as coisas. O destinatário das normas é o eleitor.
Nesta campanha, Admar suspendeu
propagandas de Dilma com ataques a Aécio Neves (PSDB), multou a
Petrobras por publicidade favorável à presidente e puniu os dois com
perda de tempo na TV e no rádio.
O Globo
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