
Caminhoneiros bloqueiam a Rodovia Washington Luís, na altura do município de Duque de Caixas (RJ), durante greve que durou 11 dias (Mauro Pimentel/AFP)
Diante de pressões, sobretudo do agronegócio, que reclamou de aumento de custo dos fretes de grãos em até 150%, o governo deve publicar nesta quinta-feira, 7, uma nova tabela com preços mínimos de fretes rodoviários. Segundo o ministro dos Transportes, Valter Casimiro, o tabelamento será divulgado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Como parte do acordo para por fim às paralisações dos caminhoneiros, que durou 11 dias e gerou uma crise no abastecimento em todo o país, a ANTT publicou uma tabela com os preços mínimos dos fretes, mas os valores causaram polêmica.
Os caminhoneiros, porém, dizem que vão aceitar apenas mudanças “pontuais” na tabela. O presidente da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), Diumar Bueno, afirma que não concordará, por exemplo, com eventual diminuição dos preços fixados pela ANTT.
“Tudo aquilo que o governo assumiu ele vai cumprir, a tabela continua do jeito que está, não vai mudar nada. Até que me provem o contrário, foi uma reunião muito boa e o caminhoneiro pode ficar tranquilo, porque vai receber tudo o que foi combinado”, disse o presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), José da Fonseca Lopes.
O presidente da União dos Caminhoneiros (Unicam), José Araujo, mais conhecido como China, porém, entende que qualquer solução pode representar confusão. “Se a tabela for mantida, os empresários vão reclamar; se cair, os caminhoneiros vão protestar.” Segundo ele, os caminhoneiros não abrem mão da tabela e dizem que vão lutar para manter a conquista. Ou seja, se for preciso uma nova greve poderá iniciada.
Preocupadas com o impacto financeiro da tabela, algumas empresas até já procuraram advogados para se precaver, temendo serem multadas caso não paguem o frete mínimo. Bruno Werneck, advogado do escritório Mattos Filho, relata que está preparando algumas ações na Justiça para preservar clientes. “Entendemos que é preciso respeitar os contratos existentes. Na relação cliente e transportadora, a empresa não é obrigada a aplicar a tabela mínima”, diz Werneck.
(Por Estadão Conteúdo)
Nenhum comentário:
Postar um comentário