
Observado pela secretária de Segurança Interna Kirstjen Nielsen e pelo vice-presidente Mike Pence, o presidente dos EUA, Donald Trump, assina uma ordem executiva sobre imigração no Salão Oval da Casa Branca - AFP PHOTO / Mandel Ngan
Washington - O presidente americano, Donald Trump,
assinou nesta quarta-feira uma ordem executiva para pôr fim à
controversa separação de famílias de migrantes na fronteira, revertendo
uma prática que virou alvo de críticas internacionais.
"Trata-se de manter as famílias unidas", disse Trump na cerimônia de assinatura.
"Não me agradou a visão de famílias sendo separadas", acrescentou.
As crianças separadas de seus pais na fronteira entre o
México e os Estados Unidos são retidas por agentes em espaços cercados
que parecem jaulas, onde os menores choram e gritam chamando por suas
mães, conta uma pediatra que visitou vários centros de detenção
temporária no Texas.
"Do lado de fora, podíamos ouvir as vozes das crianças
que pareciam estar brincando ou rindo, mas quando abrimos a porta, vimos
como 20 ou 30 crianças de cerca de 10 anos, trancadas em um destes
recintos, choravam, gritavam e chamavam por suas mães", relatou à AFP a
pediatra Marsha Griffin.
As mães foram confinadas em outra jaula a cerca de 15
metros de distância. "Algumas podiam ver seus filhos, mas não podiam se
aproximar, outras não podiam vê-los. E as crianças esticavam as mãos
pela cerca de metal, chorando e tentando alcançar suas mães".
"Era horrível", disse Griffin, que há 10 anos acompanha
a situação das crianças retidas na fronteira entre o Texas e o estado
mexicano de Chihuahua.
A separação familiar não é nova, mas era aplicada a
critério dos agentes de fronteira até 5 de maio, quando o presidente
Donald Trump implementou uma política de "tolerância zero". Desde então,
mais de 2.300 crianças foram separadas de seus pais.
Após as muitas críticas nacionais e internacionais,
Trump indicou nesta quarta-feira que assinaria um decreto para acabar
com a separação das famílias.
Os imigrantes que entram ilegalmente nos Estados Unidos
ao longo da fronteira com o México, bem como aqueles que o fazem em
busca de refúgio, são enviados para um "centro de detenção" da patrulha
de fronteira.
Lá, são mantidos em espaços fechados por cercas de
metal, divididos por idade e sexo. Os irmãos também podem ser separados.
Isso pode durar 72 horas, até que o caso seja resolvido, ou as crianças
sejam enviadas para abrigos do Departamento de Saúde.
(Por
AFP)
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